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A denúncia protocolada ontem na Câmara que pede a cassação da prefeita Jaqueline Coutinho (PTB) e de 13 vereadores sob a acusação de arquitetar a queda do ex-prefeito José Crespo (DEM) foi rejeitada pelo presidente da Casa, Rodrigo Manga (DEM), nesta manhã (28).

O pedido recebeu parecer desfavorável da Secretaria Jurídica do Legislativo sob o argumento de que tal petição pode partir somente da mesa diretora ou de partido político com representatividade na Casa. Manga foi um dos denunciados na petição e argumentou o arquivamento com a tese jurídica do Legislativo.

O pedido de cassação foi protocolado na Câmara ontem pelo advogado Anselmo Bastos. Segundo ele, Manga teria sido o responsável por articular a cassação de Crespo juntamente com outros vereadores denunciados. Ainda conforme a denúncia, isso teria ocorrido para que os parlamentares pudessem indicar pessoas para ocupar cargos públicos na Prefeitura. Anselmo Bastos sustenta a teste alegando que 27 pessoas entre ex-assessores, correligionários e integrantes de partidos dos vereadores ganharam cargos no Paço Municipal depois que Jaqueline assumiu o posto de prefeita. Tanto a Prefeitura quanto a Câmara negam as acusações.

Os 13 vereadores denunciados pelo advogado são: Fausto Peres (Podemos), Francisco França (PT), Hudson Pessini (PMDB), Iara Bernardi (PT), José Fracisco Martinez (PSDB), JP MIranda (PSDB), Luis Santos (Pros), Péricles Régis (PMDB), Renan Santos (PC do B), Rodrigo Manga, Silvano Jr. (PV), Vitão do Cachorrão (PMDB) e Wanderley Diogo (PRP).

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Antes que o parecer jurídico sobre a denúncia fosse lido e apreciado pelo plenário, o tema começou a gerar polêmica entre os vereadores. Rodrigo Manga anunciou que o pedido havia sido analisado e criticou o denunciante sugerindo que ele tem interesse na queda de Luis Santos por o primeiro suplente à sua vaga. Anselmo Bastos foi candidato a vereador pelo PRB em 2016 e recebeu 1.793 votos. Renan Santos também não poupou críticas ao denunciante, classificando o pedido como “descabido e o seu autor desprovido de moral.”

A polêmica seguiu quando o vereador Irineu Toledo (PRB) pediu que a denúncia fosse lida em plenário antes do parecer jurídico, o que desagradou alguns parlamentares. Após a leitura do primeiro trecho, Anselmo Neto (PSDB) solicitou ainda que o pedido fosse lido na íntegra, a exemplo do que aconteceu com o pedido de cassação do ex-prefeito José Crespo. Ao insistir que fossem lidos inclusive os nomes dos assessores ligados aos vereadores, ele entrou em discussão com Manga, que se mostrou insatisfeito com o pedido.

Os vereadores passaram a evitar a leitura, até que o presidente da Casa sugeriu que Anselmo Neto lesse o documento. O vereador tucano, então, se irritou e disse que não o faria por não ser membro da mesa diretora. “Vai fazer chacota comigo, Manga?”, reclamou. O presidente da Câmara respondeu classificando a atitude de Neto como “hipócrita”. “”Não entre nesse desequilíbrio, o senhor é um homem cristão”, disse.
A leitura do pedido, por fim, coube a Péricles Régis e durou cerca de 50 minutos antes que o parecer jurídico que rejeitou a denúncia fosse apreciado pelo plenário.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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