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A crise orçamentária na saúde municipal parece ter ganhado mais um capítulo preocupante. De acordo com as entidades responsáveis por parte do atendimento de saúde na cidade, a Prefeitura Municipal já contabiliza uma dívida de pelo menos R$ 9 milhões com o Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (GPACI), Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba e Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).

Responsáveis pelas entidades se preocupam como manterão os atendimentos a população nos próximos meses.


O Jornal Z Norte questionou as entidades citadas que confirmaram os atrasos nos pagamentos. Segundo divulgou o presidente do BOS, Pascoal Martinez Munhoz, a entidade tem notas em atraso desde 5 de julho deste ano.

No total o hospital precisa receber R$ 960.137,40 mil referentes aos últimos meses, além de uma nova nota com vencimento para esta quarta-feira (25), no valor de R$ 480 mil. O gestor responsável pela UPH Edén comentou quais medidas têm sido realizadas para amenizar a situação.

“O paciente em primeiro lugar, ele não tem culpa do que acontece, ele é o soberano e não pode sofrer as consequências de um pagamento atrasado. Então o que acontece, nós tiramos de outra unidade, fazemos empréstimos bancários para honrar nossos compromissos com os nossos colaboradores e médicos. O funcionário não tem culpa, ele fez contrato com o BOS, não com a prefeitura,” garantiu.

Munhoz destacou que o atendimento não deverá ser afetado e que a prefeitura será procurada para conseguir encontrar uma solução para a crise orçamentária.

Segundo informou, até o momento o BOS precisou atrasar os pagamentos de fornecedores para manter a folha de pagamentos dos funcionários em dia. O presidente salientou que “prefere fechar a unidade, a prestar um atendimento de má qualidade.”

“Nós vamos ter que recorrer a empréstimos bancários, mas a prefeitura tem que dar um jeito. Ao invés de nós emprestarmos ela que tem que emprestar e nos pagar, não nós ficarmos pagando isso aí,” cobrou o presidente do BOS.

Outra entidade afetada pelos atrasos nos repasses foi o GPACI com notas no valor de aproximadamente R$ 3 milhões referentes aos serviços prestados.

O responsável pela entidade, Ricardo Diacov, confirmou o atraso nos pagamentos e salientou que o problema tem sido sentido em todas os hospitais da cidade. “Nós tivemos duas reuniões com a prefeita em setembro, onde nós levamos essas demandas sobre os repasses.

Ela explicou os problemas que a prefeitura vem enfrentando, mas se comprometeu a realizar um estudo para trazer uma solução sobre os repasses. Agora nós estamos esperando um parecer da prefeita,” disse o gestor. Até o momento, a Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba é a entidade com o maior valor em atraso nos pagamentos, na ordem de R$ 5,2 milhões.

De acordo com o presidente do hospital, padre Flávio Miguel Junior, o valor seria responsável pelo pagamento de fornecedores e servidores da casa mater.

O gestor demonstrou a preocupação em conseguir manter os serviços prestados à população.

“Isso vai acontecer com todos os hospitais, os serviços serão fechados. Não tem como eu obrigar um médico a ficar na Santa Casa se ele não recebe. Se continuar esse caos tem esse perigo de parar o atendimento,” afirmou o padre.

Vale salientar, que diferente do BOS e do GPACI, a Santa Casa não tem outras fontes de renda, além do SUS, custeado pela prefeitura. Quanto a origem do financiamento do hospital, Padre Flávio disparou, “eu lamento não ter uma parte privatizada, porque se eu tivesse hoje eu teria lucro para ter fluxo de caixa e manter o próprio SUS.”

O presidente da entidade adiantou que além dos valores que já estão em atraso, outra nota está com vencimento agendado para a próxima sexta-feira (27), o valor do repasse não foi divulgado.

O município foi questionado e negou os atrasos referentes aos pagamentos do BOS e do Gpaci. “A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Fazenda, esclarece que não procede a informação sobre atrasos nos pagamentos referentes a prestação de serviços da saúde às entidades GPACI, e Banco de Olhos de Sorocaba (BOS),” justificou em nota.

A municipalidade ainda confrontou os valores apresentados pela Santa Casa de Saúde. “A Secretaria da Fazenda esclarece que possui uma nota fiscal no valor de R$ 1,9 milhão, com vencimento no dia 20 de setembro e cujo valor deverá ser pago nos próximos dias,” alegou, no comunicado oficial, a prefeitura.

Fonte: Jornal Zona Norte Sorocaba