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Mais um círculo de conversa se forma no Palácio da Cidadania, em Sorocaba. Nele, estão famílias do Grupo de Apoio aos Pais de LGBTs (GPH ) e do Grupo de Apoio à Diversidade Sexual (GADS) que são ligados a Secretaria de Cidadania e Participação Popular, da Prefeitura de Sorocaba. A noite fria é aquecida pelo calor humano das relações que se constroem dentro da sala.

Nessa terça-feira, 16, em especial, o encontro foi mediado pelo psicólogo convidado Isis José Leite, que é especialista em terapias integrativas. Ele apresentou aos dois grupos o conceito de Constelação Familiar. “A nossa vida é pautada pelas relações familiares e a interação com nossos pais por exemplo, influencia diretamente nas relações que temos com o mundo. A constelação vai trabalhar o indivíduo como um todo a partir dessas relações, porque alguns conflitos atravessam gerações, a ideia é tentar entender e se possível romper o ciclo de repetição e angústia que eles causam”. Explica o psicólogo.

Durante o bate papo com as famílias no Palácio da Cidadania o psicólogo provocou as memórias afetivas do grupo, em um exercício de lembranças e sentimentos, que mexeu muitas com as emoções dentro da sala. O Choro de uma jovem transexual se manifestou ao se recordar da relação com a mãe quando ela entendeu sua identidade de gênero. Em outro espaço da sala, uma mãe abraça uma jovem lésbica, que não é sua filha, mas aquele abraço a faz refletir o quanto é importante esse gesto de acolhimento ao seu filho, que revelou aos pais que era gay, quando tinha 15 anos. Ao fim do encontro o psicólogo ressalta: “Muitas repetições em nossos ciclos familiares que atravessam gerações provocam a exclusão e a constelação familiar mostra alguns mecanismos para proporcionar a inclusão, mas a decisão de interromper esse ciclo é uma ação individual”, diz Isis Leite.

Encontros do GPH e GADS

As reuniões do GPH e GADS já acontecem há 6 anos. Os encontros, organizados pela Coordenadoria de Políticas para a Diversidade Sexual, acontecem sempre na terceira terça-feira de cada mês, às 19h30, no Palácio da Cidadania. Os grupos se reúnem em salas diferentes, em um ambiente o GPH, só os pais, em outro o GADS, só de pessoas da comunidade LGBT. Os grupos trocam experiências, ideias, desabafos, histórias de vida e muito conhecimento. “Esse é um espaço de acolhida e de reflexão, da busca pela mudança e por aquilo que os pais chamam de “aceitação” no processo de identificação de seus filhos tanto em gênero quanto em sexualidade. O lema do GPH e do GADS é disseminar o amor”. Explica Rogéria Fernandes, responsável pela Coordenadoria de Políticas para a Diversidade Sexual.

Mãe de um jovem de Sorocaba, Selma Rezende, 58, diz que o filho revelou que era gay aos 15 anos, logo em seguida, ela passou a participar de reuniões do GPH para entender o processo da sexualidade do filho. “O GPH me ajudou no conhecimento, o fato de ouvir outros pais, entrar em contato com outras histórias, amplia nossa visão social. Encontros como esses nos ajudam também a empoderar nossos filhos para que eles criem resistências”, diz Selma.

Mãe de uma adolescente lésbica, Marlene Ramalho, 47, procurou o grupo para entender melhor a mensagem que a filha estava passando no momento em que ela contou para a mãe sobre a sexualidade. “Aqui eu descobri a ter um olhar diferente sobre o ser humano, ao invés de olhar para a minha filha e enxergar só a sexualidade dela, eu consigo olhar acima de tudo o ser humano que ela é e reforçar os nossos laços, diz Marlene, ao final de mais um encontro do GPH.

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias

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