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A Prefeitura de Sorocaba conta atualmente com 4.931 servidores na Educação, deste total, 390 são homens. Apesar de ser a minoria, a adesão de profissionais do sexo masculino teve um aumento de 40% nos últimos dez anos na Educação de Sorocaba.

Os dados trazem uma expressiva minoria do sexo masculino, pois tradicionalmente a atividade educacional dedicada à infância apresenta uma perspectiva de divisão sexual em que as mulheres são associadas ao assistencialismo e o homem ao setor produtivo.

De acordo com o gestor de desenvolvimento educacional da Secretaria da Educação (Sedu), Gilmar Felipe Piccin, o motivo da diferença de quantidade de profissionais na Educação Infantil é histórica. “As primeiras creches surgiram com forte caráter maternal e assistencialista, também caracterizaram-se como oportunidade de mercado de trabalho às mulheres. Hoje a Educação Infantil é reconhecida como primeira etapa da educação básica, portanto, suas finalidades tornam-se educacionais e necessitam de profissionais capacitados atuando nestes espaços, independente do gênero”, disse.

Gilmar afirma, ainda, que a participação de homens e mulheres no processo educacional é fundamental para que a Educação seja um espaço de todos. “As nossas creches demandam por trabalhadores da Educação qualificados, que conheçam sobre estágio e desenvolvimento das crianças e sejam capazes de realizar intervenções pedagógicas eficazes, respeitando o cuidar e o educar como eixos norteadores. Esta é sem dúvida uma tarefa que pode ser desempenhada por todos que se especializam nesta área”, explica. “É importante lembrar, que na rede pública, por exemplo, todos os profissionais somente assumem uma função/cargo ao provarem que estão aptos por meio de concurso público, no qual não pode ter nenhum tipo de distinção”, completa.

Auxiliares de Educação

No campo dos auxiliares de Educação também há uma diferença bastante expressiva. Atualmente são 1.512 profissionais, sendo 98 do sexo masculino. Em virtude do contato com as crianças, todos os anos estes profissionais que atuam em unidades escolares precisam superar preconceitos e conquistar a confiança dos familiares dos estudantes todo início de ano letivo.

Na última semana, um auxiliar de Educação teve seu caso de acusação de estupro de vulnerável arquivado pela autoridade judicial. A acusação aconteceu em 2017 e provocou diversos prejuízos ao servidor. “Na época tive que me mudar de casa por conta do clima que ficou em meu bairro, tive prejuízos financeiros, mudança de rotina e minha esposa perdeu nosso bebê, causando danos psicológicos irreparáveis pra gente”, revela o auxiliar acusado.

De acordo com a Secretaria de Assuntos Jurídicos e Patrimoniais (SAJ), cerca de 90% dos casos de suspeita de assédio e maus-tratos não são confirmados quando investigados pela Comissão de Sindicância.

Gilmar Piccin alerta para a importância da desconstrução de uma ideia equivocada. “É preciso que a sociedade rompa o esteriótipo de que tarefas ligadas ao cuidar e educar são responsabilidades femininas, afinal, homens também podem e devem se responsabilizar pela educação e cuidados das nossas crianças”, conclui.

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias

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