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A CPI do Falso Voluntariado realizou na tarde desta terça-feira, 19, suas primeiras oitivas, no plenário da Câmara Municipal de Sorocaba, sob comando da presidente da comissão, Iara Bernardi (PT), com a relatora Fernanda Garcia (PSOL) e participação dos vereadores Hudson Pessini (MDB) e Péricles Régis (MDB).

A primeira testemunha a prestar depoimento foi a Secretária de Cidadania e Participação Popular, Suelei Gonçalves. Questionada pelos vereadores, a depoente explicou que sua pasta era responsável pelo cadastramento de pessoas interessadas em realizar trabalhos voluntários para a Prefeitura de Sorocaba no âmbito do Programa Sorocaba Voluntária, cujo decreto regulamentador foi revogado pelo prefeito José Crespo no último dia 8.

A secretária disse que não sabe como está a situação dos voluntários que estavam ligados ao programa e afirmou que fez um questionamento acerca disso à Secretaria Jurídica, mas ainda não teve resposta. Suelei Gonçalves não soube dizer a quais secretarias os voluntários atualmente estão ligados na Prefeitura.

Em relação à ex-servidora comissionada Tatiane Polis, a depoente disse que não sabe quando começou a atuar como voluntária e afirmou que ela não estava cadastrada no Programa Sorocaba Voluntária. Suelei Gonçalves também disse não saber a quem compete a gestão e fiscalização do trabalho de voluntários não cadastrados no programa.

Área de atuação – O secretário de Comunicação e Eventos, Eloy de Oliveira, confirmou à CPI que utilizou os serviços de Tatiane Polis, pois, segundo ele, a funcionária firmou um termo de compromisso com o gabinete do prefeito e estava à disposição de todas as secretarias. Nesse documento está estipulada a jornada de serviço da voluntária em cinco horas semanais, em dias variados, sendo o objeto base do serviço a “assessoria e consultoria em gestão comercial e administração em marketing”, conforme leu a presidente da CPI, Iara Bernardi. O termo de compromisso foi assinado em 7 de dezembro de 2018 e tem prazo indeterminado.

O secretário contou que os serviços prestados por Tatiane Polis consistiam em ajudar a organização do programa Fala Bairro, em que o prefeito e secretários vão até os bairros para ouvir diretamente a população. Eloy de Oliveira negou que ela tivesse espaço de trabalho dentro da Secretaria de Comunicação e Eventos.

Questionado sobre mensagens de WhatsApp trocadas por Tatiane Polis com funcionários da Prefeitura em que ela supostamente comandava algumas ações, o depoente afirmou que não solicitou esses serviços e que, na opinião dele, as referidas ações não configuram nenhum comando do programa.

O último depoente ouvido nesta terça-feira foi o chefe de gabinete do Poder Executivo, Carlos Mendonça. Questionado pela CPI, ele disse que não sabe quais eram as atribuições de Tatiane Polis, mas salientou que ela não tinha espaço de trabalho dentro do gabinete do prefeito.

Em relação ao contrato de publicidade da Prefeitura de Sorocaba com a empresa Dgentil Propaganda, sobre o qual os vereadores receberam denúncias de que Tatiane Polis exercia influência em sua gestão, Carlos Mendonça não quis se manifestar, argumentando que o assunto não é objeto da CPI. O depoente, entretanto, respondeu que, até onde vai seu conhecimento sobre isso, a ex-servidora não tem envolvimento com o contrato.

Ao final das oitivas, a presidente Iara Bernardi salientou que a CPI está trabalhando em parceria com investigações da Polícia Civil em inquérito sobre o mesmo assunto e que novas testemunhas serão convocadas em breve.

Fonte: Câmara Municipal de Sorocaba