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O prefeito de Sorocaba (SP), José Crespo (DEM), será indiciado pela Polícia Civil pelo crime de responsabilidade. O motivo seria a nomeação da assessora Tatiane Polis, que teria usado um diploma falso para poder assumir o cargo.

Como Crespo tem foro privilegiado por ser prefeito, o indiciamento só poderá ser feito porque o procurador de justiça deu parecer favorável e o desembargador autorizou. Crespo só será indiciado na data, hora e local que ele escolher.

Se condenado, a pena prevista para o crime de responsabilidade é de 3 meses a 3 anos de prisão, a perda da função, além da proibição de concorrer a cargo público por 5 anos.

A assessoria do prefeito informou que não houve notificação e que eles irão aguardar para se manifestar.

Relembre o caso

A confusão na política em Sorocaba começou em junho de 2017 quando Crespo, a vice-prefeita Jaqueline Coutinho (PTB), Tatiane Polis e Hudson Zuliani, secretário de Gabinete Central, participavam de uma reunião no gabinete do Paço Municipal para discutir a denúncia do possível diploma falso usado pela então assessora.

Durante o encontro, Crespo teria se exaltado com Jaqueline e Zuliani. O caso veio a tona após uma publicação nas redes sociais feita pela mãe de Jaqueline, denunciando que a vice e Zuliani foram agredidos pelo prefeito.

No mesmo dia, Jaqueline recebeu com exclusividade o G1 e a TV TEM em casa para explicar o ocorrido e alegou que foi humilhada por Crespo, que teria a “mandado ser vice em casa”.

No dia 27 de junho vereadores aprovaram a abertura da Comissão Processante para apurar a postura do prefeito na polêmica. Dois dias depois, no dia 29, a Câmara de Sorocaba aprovou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a denúncia do uso de diploma falso por Tatiane Polis.

Em julho, Jaqueline prestou depoimento ao Ministério Público e reafirmou as informações divulgadas para a imprensa. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar os supostos crimes de uso de documento falso e falsidade ideológica.

No dia 14 de julho, a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (RJ) informou à CPI que não reconhece o documento apresentado por Tatiane Polis como de conclusão do ensino médio.

No dia 21 de agosto a Comissão Processante concluiu que houve quebra de decoro e prevaricação e pediu a cassação do mandato de Crespo.

No dia 24 de agosto, Crespo teve o mandato cassado após quase 10 horas de sessão na Câmara de Vereadores, por 14 votos a 6.

O documento também concluiu que Crespo cometeu crime de prevaricação ao tentar acobertar a denúncia do uso de diploma falso por Tatiane Regina Polis, então sua assessora.

Jaqueline Coutinho foi empossada como prefeita de Sorocaba minutos depois da sessão extraordinária. Ela ficou no cargo durante 43 dias.

No dia 5 de outubro de 2017 o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o decreto da sessão extraordinária que cassou o mandato de José Crespo. Com a liminar, Crespo voltou a ser prefeito e Jaqueline Coutinho, vice.

Fonte: Jornal G1 Sorocaba