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Depois de 28 anos, a atual diretoria da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba pediu o espaço ocupado pela creche que leva o nome do hospital. Segundo a diretora da creche, Gisele Isquierdo, não teria havido acordo para renovação do contrato de locação entre as partes nos termos propostos. Ela não disse quais seriam essas condições.

O imóvel deve ser entregue até o dia 31 deste mês. A instituição, porém, tem outra versão para o fato. O diretor da Irmandade, padre Flávio Jorge Miguel Júnior, disse que a creche deixou de ser da Santa Casa e que tem CNPJ próprio. Ele também denunciou que desde janeiro a irmandade não recebe os aluguéis devidos pelo uso das instalações.

A direção da creche, que atende a cerca de 150 crianças, 60 das quais filhos de funcionários do hospital, se diz preocupada justamente com estas últimas que não teriam condições de encontrar outro espaço para acolhimento. O padre Flávio, entretanto, assegurou que nenhuma criança ficará sem atendimento. “Já conseguimos creche para os filhos dos nossos funcionários”, afirmou. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde (Sinsaude), Milton Sanches, também consultado, afirmou que acompanha a discussão e que deverá, se necessário, tomar providências para atender a expectativa de seus associados. Explicou que, por força de convenção coletiva, a Santa Casa paga adicional aos funcionários que tenham filhos em idade de serem matriculados em creches.

O diretor da Irmandade destacou que não desconfia da idoneidade da diretoria da creche, mas entende que não pode manter no local um equipamento que funciona como escola privada e que cobra valores de sua clientela. Argumentou que pretende destinar o espaço para alguma organização (provavelmente a Uniso) e, com isso, apurar mais receitas para atender à população que depende dos serviços na área de saúde. Padre Flávio acrescentou que a creche não possui mais convênio com o município ou com o governo do Estado. Pediu o balanço da escola do ano passado para fins de auditoria, mas não recebeu. Ele reforçou que a Irmandade “não está fechando a creche, mas zelando por seu patrimônio em benefício daqueles a quem presta assistência.”

Mães de alunos que conversaram com a reportagem e que pediram para não ter a identidade revelada disseram que, por enquanto, não foram informadas das mudanças. “A gente sabe que a creche vai deixar de funcionar no final do ano, mas não nos disseram se nossas crianças terão vagas em outros lugares”, declarou uma delas.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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