Tags

Questões como vaidade, bem-estar, autoestima e identidade são recorrentes no grupo terapêutico para adolescentes do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Aquarela, localizado na Zona Norte, e motivaram um dia especial de beleza para as participantes nesta segunda-feira (21).

As jovens passaram a manhã em um salão de beleza, onde foram recepcionadas com um café, depois fizeram um ensaio fotográfico no Parque dos Espanhóis e encerraram a tarde em uma rede de fast food da cidade.

“Trabalhamos com construção de vínculos e acolher o que as participantes falam é parte do processo terapêutico. Ao longo dos encontros, essa questão da identidade e da autoestima se mostrou comum”, explicou a terapeuta ocupacional, Regiane dos Reis Oliveira, que conduz o grupo com a psicóloga Lucimara Affonso. Ambas destacaram que as trocas terapêuticas são bastante evidenciadas no grupo e Lucimara acentuou que as participantes já possuem intimidade conquistada nas reuniões semanais, uma vez que não se sentem mais sozinhas e vivenciam ajudas mútuas.

Se colocar no lugar da outra e enxergar na colega situações semelhantes foram ocasiões bastante relatadas pelas jovens, como Kauany Karoline de Oliveira, de 12 anos, e Isabela Oliveira, de 14. Kauany comenta que no início não falava, mas depois que começou a ouvir as outras meninas, resolveu se colocar. “Hoje sou mais falante e não deixo mais algumas cosas acontecerem fora do grupo. Não fico mais nervosa porque consigo evitar”, explicou Kauany dizendo que antes do grupo era depressiva.

Para Maria Eduarda de Oliveira Zamora, de 13 anos, falar é uma coisa importante porque ajuda a refletir sobre os próprios sentimentos. Dar nome para o que sente também é algo marcante para Valquíria Barbosa, de 15 anos, que diz ter se soltado logo nas primeiras reuniões. “Eu gosto bastante e vejo nas meninas coisas que eu já vivi. Isso me ajudou tanto que não fico mais nervosa, consigo perceber e evitar os problemas”, contou ela, dizendo que a mudança também foi percebida pela família e elogiada pela mãe.

Mas se os conflitos, dramas familiares e da idade já estão sendo bem trabalhados e abordados nas reuniões semanais do Caps, o assunto do dia era outro: ficar bonita. Vaidosa assumida e que adora maquiagem, Adrielly Andrade, de 13 anos, planejou cortar os cabelos e disse que estava à vontade para a sessão de fotos. Maria Eduarda também acentuou que estava contente porque adora se sentir bonita. E sobre saber o que gosta e como quer se sentir, quem se destacou foi Alice Genesi, de 14 anos, que cortou mais de 40 centímetros dos cabelos e assumiu um novo visual, mais compatível com o momento de autoconhecimento que tem experimentado com a ajuda do grupo.

Todas essas vivências só foram possíveis graças à colaboração de voluntários, como o cabeleireiro Alex e a profissional de unhas Daniele, que comentaram aproveitar oportunidades do ofício para ouvir e ajudar pessoas, além da fotógrafa Sílvia Cavaliunas, que cedeu seu trabalho para que as meninas possam ter lembranças e resgatar a experiência deste dia e do momento importante que têm vivido. Doações também foram importantes para custear os lanches que fizeram parte do programa, tudo capitaneado com ajuda de várias pessoas, como destacou a terapeuta ocupacional Regiane.

Ela fez questão de divulgar que o Caps funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na avenida Itavuvu, 3.633 e não é preciso encaminhamento para participar dos atendimentos individuais e dos grupos. As atividades são divididas por faixa etária. “Sempre com seis ou sete pessoas nos trabalhos em grupo, número ideal para este recurso terapêutico”, finalizou.

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias

Anúncios