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O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aponta indícios de autoria e materialidade de atos de improbidade administrativa e de crime comum por parte do prefeito de Sorocaba, José Crespo (DEM).

O documento do relator, vereador Hudson Pessini (PMDB), será apresentado para aprovação dos 10 membros da comissão, em plenário da Câmara, às 10h desta sexta-feira (11).

Após ser aprovado pelos membros, o documento, que o Cruzeiro do Sul teve acesso, será encaminhado ao Ministério Público para as medidas legais cabíveis, como a possível instauração de inquérito contra Crespo. Uma das solicitações é de afastamento cautelar do prefeito. A CPI foi criada devido ao desentendimento do dia 23 de junho entre o prefeito e a vice Jaqueline Coutinho (PTB) em razão da comprovação de escolaridade da ex-assessora Tatiane Polis.

De acordo com o documento, a CPI concluiu que existe atualmente um temor de que o prefeito, no comando da máquina pública, acabe atrapalhando as investigações , “já que toma decisões extremas e beligerantes, claramente intimidatórias”, por conta de uma linha de investigação a ser seguida, e que envolve a oitiva de servidores municipais.

Prejudicar trabalho

Em outro trecho, o relatório final aponta que as ações de Crespo, mesmo que não deliberadas, podem prejudicar o andamento dos trabalhos investigativos. “É indesejável tal situação, pois evidentemente danosa ao interesse público, que com incalculáveis prejuízos para o bom andamento dos serviços de investigação, não somente desta comissão investigativa, bem como a de outras comissões atuantes nesta Casa de Leis, cuja solução pode advir de um afastamento cautelar do prefeito municipal enquanto perdurarem as investigações”.

O relatório também afirma que para a CPI ficou comprovado que as investigações só se estabeleceram formalmente na Prefeitura quando da ausência de Crespo para viagens, bem como ficou claro que o breve procedimento de investigação preliminar na Corregedoria-Geral do Município (CGM) deu-se de forma não usual, “a fim de se obter conclusão favorável e rápido arquivamento da denúncia (sobre escolaridade de Tatiane Polis), conforme depoimentos dos corregedores Cristiane Piedemontre e Gustavo Barata”.

O relator aponta ainda que a CPI constatou “que não se deu a devida investigação com o intuito de não se trazer à tona o diploma da assessora Tatiane Polis, pois o certificado de conclusão de ensino médio e fundamental dela é nulo, tendo sido emitido por colégio fechado por fraudar diplomas”. A investigação destaca também que “tais conclusões são corroboradas inclusive pelas evidentes contradições entre os depoimentos das testemunhas ouvidas por esta CPI, as quais, como apontado desde o relatório parcial, podem ter se sentido constrangidas pelas ações externas do prefeito”.

Além do relatório final, também será entregue ao MP uma cópia integral dos autos e mídias com conteúdo audiovisual dos depoimentos das testemunhas ouvidas, bem como as entrevistas e coletivas realizadas pelo prefeito.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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