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Em depoimento que durou menos de uma hora nesta terça-feira (08) na Câmara Municipal, o prefeito José Crespo (DEM) negou que tivesse agredido física ou moralmente a vice Jaqueline Coutinho (PTB) e também o secretário Hudson Zuliani, mas reconheceu ter se exaltado.

À imprensa, a vice disse, após o desentendimento de 23 de junho, que foi humilhada pelo prefeito. Crespo foi ouvido pela Comissão Processante criada na Casa para apurar a possível prática de crime contra a administração pública e respondeu a cerca de 40 perguntas.

A atividade consistiu em mais um capítulo da crise política instaurada no município há um mês e meio. Para os vereadores Fausto Peres (Podemos), Silvano Junior (PV) e Vitão do Cachorrão (PMDB), que integram a comissão, as declarações de Crespo soaram contraditórias se comparadas com as de outras sete pessoas ouvidas anteriormente.

Os parlamentares não quiseram apontar os pontos de divergência encontrados, já que o prefeito tem, agora, cinco dias de prazo, contados de hoje, quarta-feira, para apresentar razões finais. Só depois, vão elaborar o relatório que poderá, ou não, concluir se houve conduta irregular por parte dele no episódio.

Nesta hipótese, a denúncia apresentada será declarada procedente e o parecer deve recomendar a cassação do mandato, providência que terá de ser decretada pelo plenário da Casa. São necessários 14 votos, o equivalente a dois terços da composição do Legislativo, para que isto aconteça.

Não confia

Na saída, Crespo entregou aos jornalistas um resumo das declarações que prestaria à comissão (elaborado antes de ele ser ouvido) e não respondeu se vai recorrer da decisão que resultou na volta de Jaqueline ao seu gabinete, no sexto andar do Paço. Disse, porém, que ela “deixou de pertencer ao círculo de pessoas da sua confiança”.

Pela manhã, quando Jaqueline retornou à sala que ocupava na Prefeitura, a Secretaria de Assuntos Jurídicos divulgou nota na qual informou que “estuda a possibilidade” de ingressar com eventual recurso contra a ordem da desembargadora Isabel Cogan, Tribunal de Justiça do Estado, para que a vice reassumisse suas funções.

Aos repórteres o prefeito, que chegou à Câmara com meia hora de antecedência, disse que, apesar da discordância, reconhece que Jaqueline é titular de mandato eletivo e que, por essa razão, deve desempenhar seu trabalho, dentro dos limites que a lei coloca. Também presente à reunião, a vereadora Fernanda Garcia (Psol), que preside a CPI que apura a formação acadêmica da agora ex-assessora Tatiane Polis disse à imprensa que Crespo teria desmentido o que o secretário Hudson Zuliani afirmou em relação ao incidente havido no sexto andar do Paço. Segundo o secretário, o prefeito teria dito a Jaqueline “para pegar suas coisinhas e voltar para casa” para “ser vice em casa”; Crespo negou a versão, embora tenha admitido que se exaltou, porque “não esperava tamanho descontrole da vice”. “Mas, não a agredi nem física nem verbalmente”, diz o texto do comunicado.

Para os vereadores que fazem parte da Comissão Processante, o prefeito “usou outras palavras” para explicar o que ocorreu no gabinete no dia 23 de junho. Jaqueline recebeu, no meio da tarde, a visita dos vereadores Hudson Pessini (PMDB) e Renan Santos (PCdoB). Os dois foram prestar solidariedade à vice e cumprimentá-la pelo retorno ao cargo. Também visitou-a a vereadora Iara Bernardi (PT).

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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