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Moradores de pelo menos sete dos 16 condomínios do Residencial Carandá continuam encontrando, todos os dias, água suja, escura e sem condição de consumo nas torneiras dos apartamentos.

O problema começou poucas semanas após a entrega das unidades, em abril, e até agora não foi solucionado.

Cansados de esperar, eles estão se unindo num abaixo-assinado e pretendem protocolar o documento no Ministério Público (MP), para que o órgão investigue a qualidade da água e de quem é a responsabilidade de resolver a questão. A Construtora Direcional, responsável pela obra, diz que a água está própria para consumo.

Segundo relato dos moradores, a pior situação é vivida de manhã, quando a água de todas as torneiras chega alaranjada. Alguns acreditam se tratar de barro. Outros, de ferrugem. “Comecei a comprar água, mas agora resolvi colocar um filtro. Não é só beber, temos que fazer comida, lavar alimentos”, conta Regina Falseti, de 43 anos. “Muita gente aqui não tem condição de comprar água. E o pior é que quem está pagando por isso somos nós”, reclama Débora Bachir Mobaier, de 31 anos. Isso porque, ela diz, as caixas d”água dos condomínios que vivem o problema já foram limpas três vezes, sem sucesso. “Tiveram que esvaziar tudo, jogar a água fora.” Além de não conseguirem consumir a água, moradores também relatam viroses e problemas de pele, como alergias. “Meu marido mesmo tem tido muita coceira pelo corpo sempre depois do banho”, diz Priscila Rogéria Camargo, de 35 anos.

Responsabilidade

Além do problema em si, os moradores reclamam da falta de clareza sobre quem é o responsável por solucioná-lo. “A construtora diz que já limpou a caixa d”água e que não tem mais o que fazer”, reclama Elton Bortoletti, de 33 anos. Diante do impasse, além de ajuda ao MP, eles pedem uma ajuda emergencial da Prefeitura, via Saae. “Eles poderiam colocar água potável aqui para nosso consumo enquanto o problema não é resolvido”, sugere Jair Vieira, de 36 anos.

O Saae diz que continua monitorando, semanalmente, a água que chega ao Carandá em três pontos: no cavalete do macro medidor da fachada do empreendimento, no reservatório de dois milhões de litros instalado no interior do residencial e na entrada dos reservatórios de cada condomínio. Em todas as coletas a água não apresentou qualquer alteração, seja em seu aspecto visual ou em sua composição. “A conclusão é de que o problema é interno, nos reservatórios individuais dos condomínios ou nas redes de distribuição internas do residencial”, diz a autarquia, em nota. A Prefeitura também afirma que já relatou as reclamações ao Ministério Público Federal para que este cobre providências do agente financeiro do empreendimento, o Banco do Brasil, e da Construtora Direcional. “Por se tratar de condomínios agora privados, não compete ao município resolver eventuais problemas que possam existir nos reservatórios ou tubulações do imóvel.”

Já a Construtora Direcional afirma que os laudos da última análise, feita por uma empresa terceirizada, atestaram a potabilidade da água. A empresa reconhece que foi encontrada água turva, porém em apenas três condomínios, para os quais uma segunda análise foi solicitada e uma nova limpeza nos reservatórios feita preventivamente. “Reiteramos que, mesmo nos condomínios onde foi identificada a turbidez, a água está própria para consumo”, afirma, em nota. O Banco do Brasil, por meio de nota diz ter cumprido “com todas as obrigações e responsabilidades atribuídas pelo Programa Minha Casa Minha Vida. A entrega do empreendimento Residencial Carandá somente foi autorizada após o recebimento da documentação exigida pelo Programa. Entretanto, as unidades das quadras I1 e I2 (336UH) foram entregues mediante decisão judicial, não sendo submetidas ao procedimento padrão de entrega.” O Banco ainda esclarece que acionou a construtora Direcional foi novamente acionada, a fim de que solucione o problema.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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