A máquina de radioterapia estaria montada e pronta para uso na Santa Casa, de acordo com os médicos de Bauru — de onde o aparelho e a pastilha de cobalto vieram –, aguardando apenas autorizações do órgãos competentes.

Porém, em abril, o hospital sofreu requisição da Prefeitura de Sorocaba, passando para a sua administração. Deste momento em diante, o médico Paulo Eduardo de Souza relata dificuldade para estabelecer contato e negociar a operação do serviço com a Prefeitura e a nova administração da Santa Casa. “Nós ligávamos insistentemente”, relata.

Há aproximadamente três semanas, eles teriam recebido a informação de que a Prefeitura havia contratado de forma emergencial — ou seja, sem concorrência — uma empresa particular, a clínica Nucleon. Foram informados ainda de que o equipamento doado teria sido desmontado sem a presença de um físico médico, especialista que garantiria a segurança do procedimento. Com isso, um boletim de ocorrência (BO) na Polícia teria sido feito pela empresa para denunciar a prática.

Já a Prefeitura diz que a máquina foi desmontada com todo o suporte técnico necessário e acompanhamento de um físico médico, com laudos e medições de emissão de radioatividade. O município enviou a imagem de um laudo, da empresa On Line Medical, referente ao desmonte realizado em 25 de maio.

Paulo de Souza estranha a opção por um contrato emergencial e diz que embora o equipamento doado não seja do tipo mais moderno, estava em condições de atender aos pacientes.

Para o médico, podem existir motivações políticas por trás da decisão. Em nota, a Prefeitura nega e diz que o aparelho da Nucleon, embora também de cobaltoterapia é de uma geração mais nova do que o doado.

A Comissão Gestora da Santa Casa de Sorocaba, que tem como gestor o Secretário de Saúde, Rodrigo Moreno, afirma que de fato o equipamento estava em condições de uso, apesar de ter tecnologia ultrapassada, mas que “a documentação necessária para a operação não estava concluída, motivo pelo qual tentar regularizar a situação da máquina com a equipe que a acompanharia demandaria mais tempo sem atendimento aos pacientes.” Disse ainda que os profissionais da empresa estavam devidamente credenciados nos órgãos competentes, mas a empresa não possuía ainda licença para explorar e prestar serviço de radioterapia, pois não contava com inscrição na Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

Desta forma, a nota afirma que a contratação de um serviço completo, incluindo máquina e pastilha de cobalto, tornou-se mais célere envolvendo custo equivalente ao que seria investido para a operação da máquina doada, “levando em consideração o tempo para a regularização e o valor a ser pago mensalmente pela operação do serviço”.

A Prefeitura diz ainda que o serviço contratado prevê a instalação de máquina com pastilha de cobalto, já que a máquina e a pastilha recebidas em doação estão estritamente vinculadas aos responsáveis técnicos e à empresa, que não possui ainda inscrição para operar tal serviço.

O físico médico da empresa doadora, Marco Antônio, no entanto, rebate as afirmações, alegando que a autorização da Cnen é concedida para a instituição — nesse caso a Santa Casa — e não para a empresa. Ele afirma que possui o registro no Cnen necessário aos profissionais responsáveis e aponta que a empresa atua no momento em outro hospital de Bauru, demonstrando sua regularidade.

O médico diz ainda que solicitou ao Cnen que fosse formalizado no órgão a mudança de profissional responsável pela fonte radioativa, o que não teria sido feito pela Santa Casa. Aponta que recebeu ofício da Cnen informando que a matrícula de operação da Santa Casa junto ao Cnen teria sido suspensa diante da situação.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

Anúncios