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Comerciantes estabelecidos na região central de Sorocaba calculam que o movimento nas vendas por conta da greve do transporte coletivo caiu em até 40%, principalmente na semana passada, período no qual os consumidores recebem o pagamento e costumam ir às compras.

Procurada para falar sobre a reclamação dos lojistas, a Associação Comercial informou, em nota de sua assessoria, que o prejuízo também foi contatado pelos empresários, mas que não dispõe, por enquanto, de uma avaliação mais precisa sobre o quadro. “Os números negativos relativos à paralisação deverão aparecer, com maior nitidez, no encerramento do mês, quando é feito o balanço econômico do período”.

Atualmente, conforme a entidade, o comércio local movimenta diariamente R$ 86,9 milhões, de acordo com a Secretaria da Fazenda.

O presidente da associação, José Alberto Cépil, pediu aos envolvidos na greve que “usem a serenidade e o bom senso com equidade durante as negociações”.

Também consultada, a Urbes informou que comparativos demonstram uma redução do volume de passageiros transportados da ordem de 50% em dias úteis, 6% ao sábado e 4% ao domingo. A Urbes também estima que 32% dos trabalhadores que dependem de transporte coletivo foram afetados pela paralisação.

Em nota, o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba disse que “fica evidente que o custo de 13 dias de greve completados ontem, deve ser muito maior do que a concessão de mais 1,57% de reajuste nos salários dos trabalhadores em transporte urbano”.

Reclamações

Dono de uma loja de confecção, Gilvan Marcelino estimou queda de até 50% nos negócios, índice apurado na semana passada. “Caiu demais. E por conta da greve, claro. Atendemos a todos os segmentos, mas o forte da nossa clientela depende de condução e foi muito perceptível para nós, na época de pagamento, a redução de pessoas nas lojas”, disse.

Jonas Freitas, outro comerciante instalado no Centro, avaliou que a mobilização determinou, até agora, redução no volume de operações da ordem de 40%. “A gente não quer entrar no mérito sobre o direito dos trabalhadores de reivindicarem aumento de salário, mas alguém precisa tomar providência, resolver essa questão”.

João Francisco Guariglia também contabiliza prejuízos, mas preferiu não falar em que proporção. “Posso dizer que a semana passada, particularmente, não existiu. Os consumidores desapareceram se compararmos a movimentação observada em dias normais. É grave e nos preocupa essa demora para solucionar o impasse.”

Também consultado, o Shopping Pátio Cianê, que fica ao lado do Terminal Santo Antônio, acusou queda de 15% no movimento das lojas. O Consor, uma das duas empresas que operam no transporte público da cidade, divulgou nota na qual afirmou que, apesar da dificuldade para detectar o total de perdas, constatou redução do volume de passageiros que passam pelas catracas de seus carros, em razão do “acesso deliberado pelas portas traseiras dos ônibus”.

De acordo com a concessionária, “são registrados cerca de 20% dos passageiros transportados em dias normais, o que acaba representando um redução de R$ 180 mil/dia no faturamento”.

Faltas e atrasos

Além dos prejuízos materiais, muitas empresas têm administrado problemas por conta da locomoção de funcionários. No Sorocaba Shopping, o gerente administrativo, Tadeu Scolari, disse que tem contratado vans para transportar o pessoal responsável pela manutenção do complexo.

“Hoje mesmo tivemos de descolar, às 6h da manhã, veículos particulares para buscar os trabalhadores que fazem a limpeza e que deixam o shopping funcionando regularmente. Em relação à queda nas vendas, felizmente não observamos nada de anormal, já que estamos bem localizados. Mesmo assim, os lojistas têm sofrido muito com o alto índice de faltas de pessoas que não conseguem chegar ao trabalho diante da falta de ônibus”.

No Centro, a vendedora Francine Silva, contou que na segunda-feira foi trabalhar de bicicleta. Ela que mora na região da Vila Helena. “Não foi fácil, mas cheguei. Para voltar, no entanto, tive de chamar o Uber porque era de noite e não quis correr riscos”, disse.

Outra atendente, Viviane Costa, informou que, junto com um grupo de amigas, teve de recorrer ao transporte alternativo e, com isso, arca com menos custos. Leandra Oliveira, que trabalha numa loja da rua da Penha, também tem utilizado o transporte alternativo, mas reclamou do alto custo praticado. “Eu fazia esse mesmo trajeto em dias normais e pagava entre R$ 14 e R$ 15; agora, subiu para R$ 30. Não dá para manter essa situação”.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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