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Conhecido como Casa 52, o imóvel situado no Jardim Maylasky, em frente à antiga Estação Ferroviária, que há seis anos funciona como sede da Academia Sorocabana de Letras (ASL), foi requisitado pela Prefeitura de Sorocaba. A prefeitura não informou quais seriam os motivos que a levaram a pedir a devolução do imóvel e nem qual a destinação pretendida.

O pedido de desocupação do imóvel surpreendeu os acadêmicos, que não descartam pedir intervenção do governo federal, órgão responsável pelo imóvel.

De acordo com relato do presidente da ASL, Geraldo Bonadio, enviado aos membros da Academia e que o Mais Cruzeiro teve acesso, a reaquisição do imóvel partiu dos secretários do Gabinete Central, Hudson Zuliani, e de Assuntos Jurídicos, Eric Vieira, em reunião realizada no Paço Municipal no último dia 27.

Diante de uma série de questionamentos enviados pela reportagem à Secretaria de Comunicação de Eventos (Secom), a prefeitura limitou-se a uma nota em que confirma que houve a reunião, “mas não há nenhuma definição a respeito do assunto”.

Além de não responder quais seriam os motivos da requisição da Casa 52, a prefeitura não informou se tem domínio sobre o imóvel pertencente à União e se ofereceu outro espaço público para a entidade.

Segundo relato de Bonadio, ambos os secretários municipais alegaram que a medida estaria ligada a um suposto programa de redução de gastos com aluguel de imóveis que abrigam serviços públicos do município. “O argumento é dos mais pífios. Antiga moradia de pequeno porte, a Casa 52 não tem condições mínimas de tamanho e acessibilidade para abrigar qualquer dependência administrativa da Prefeitura, mesmo de pequeno porte”, argumenta o presidente da ASL.

Ainda de acordo com o relato de Bonadio, ambos os secretários municipais propuseram que a ASL aceite transferir sua sede para um imóvel da prefeitura, no Jardim Saira, de forma compartilhada com a Associação Sorocabana de Imprensa (ASI). A sede atual da ASI, na avenida Antonio Carlos Comitre, no Campolim, pertence ao município e a concessão de direito real de uso, cujo o prazo previsto na lei é de 30 anos, vencerá em 15 de outubro.

Bonadio classificou a sugestão como “proposta de eutanásia” e disse que a oferta foi prontamente rejeitada porque o imóvel, segundo ele, está situado num ponto isolado, de difícil acesso e sem segurança. “Não teríamos condição de atuar nem de sobreviver”, emendou.

Já a presidente da ASI, Ângela Fiorenzo, informou que até o momento não participou de reunião para tratar do assunto, mas disse confiar na administração do prefeito José Crespo (DEM) para que a sede de sua instituição seja mantida. “Pelo espírito de homem público do prefeito, eu tenho certeza absoluta de que ele vai encontrar uma solução, ou para a renovação [da concessão de uso] do mesmo espaço ou para uma outra alternativa em outro local”, disse. Em nota, a prefeitura diz que sobre a ASI também não há nenhuma definição.

A secretária da Academia Sorocabana de Letras (ASL), Myrna Ely Atalla Senise da Silva, que também participou da reunião, afirma ter recebido o pedido de requisição com estranheza, visto que o imóvel cedido pela prefeitura em 2011, por meio de um protocolo de intenções, pertence à União. “Aquilo era um depósito que estava totalmente abandonado. Nós reformamos e equipamos com doações e o transformamos em espaço cultural, que recebe uma série de eventos como palestras, lançamentos de livro e exibições de filmes. Só mesmo sendo inimigo da cultura para querer acabar com isso”, afirma.

De acordo com Myrna, após tomarem conhecimento do episódio relatado na carta de seu presidente, os membros da ASL deverão se reunir para avaliar quais providências pretendem tomar. Segundo ela, se a prefeitura mantiver o pedido de desocupação do imóvel, o caso deverá ser levado à Superintendência do Patrimônio da União, órgão do governo federal ligado ao Ministério do Planejamento. “Lutar com palavras é a luta mais vã”, lamenta, citando verso de Carlos Drummond de Andrade.

Fonte: Jornal Cruzeiro Do Sul

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