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Apesar de nenhuma promessa ter sido verbalmente feita por profissionais da Prefeitura às famílias no local, o clima agora é de esperança, na clandestina rua 51, uma área de risco da Vila Barão.

Pouco mais de cem famílias que vivem em submoradias foram cadastradas pela Prefeitura, na manhã deste sábado (10).

“Temos a esperança de sair daqui. Sinto que não estamos abandonados pela Prefeitura. Mandaram alguém para ver a condição em que estamos”, disse o pai de uma das famílias. Durante o trabalho, os pesquisadores sociais deixarem claro que o cadastro não era para garantir residências. Mesmo assim, algumas das pessoas ali assentadas, disseram que tal levantamento as encheram de expectativas.

O levantamento realizado e concluído neste sábado constatou 117 submoradias. Nesta semana, o prefeito anunciou que vai transformar a área invadida com barracos em um parque. Declarou que alguma solução digna será encontrada para as pessoas que ali estão assentadas irregularmente.

O trabalho de contagem das submoradias e o cadastramento dos que ali residem, têm o objetivo de estabelecer políticas para soluções por meio de trabalho em conjunto com as demais secretarias municipais.

A local é de risco porque o terreno está em espaço de segurança da cabeceira do aeroporto, além da ocupação ter ocorrido em uma Área de Preservação Permanente (APP), com grande declividade para um córrego.

A fiscalização da Prefeitura passa agora a fazer o que se chama de congelamento da área. Desde este sábado haverá o impedimento para que mais famílias cheguem ou novas moradias sejam construídas.

Um dos assentados no local, o haitiano Edrice Roman, 39 anos, vive com uma brasileira com quem tem um bebê. Ele morava na Vila Helena, em uma casa de aluguel, enquanto trabalhava na construção civil. Mas com a crise financeira, há um ano ficou desempregado e para lá se mudou com a esposa e suas duas crianças, sendo uma de três meses e outra de dez anos.

A família de Edrice sobrevive das eventuais oportunidades que surgem para trabalhar como pedreiro e da renda que serve para comprar leite ou fraldas, obtida pela improvisada revenda de doces e alimentos que fez na própria submoradia. Foi Edrice quem disse sentir-se valorizado com a pesquisa da Prefeitura e acredita que com o trabalho do município conquistará uma moradia de alvenaria.

Outra moradora da rua 51, é Valdirene da Silva Fudoli, 32 anos, que ali vive com o marido e seus dois filhos, um de seis meses e outro de 12 anos. Apesar da Prefeitura não ter prometido soluções para a família, ela disse crer que o município a auxiliará a ter uma casa. Lamentou pelos filhos, disse ter dó das crianças, pois na submoradia dela não há energia elétrica: os banhos são gelados. Além disso, teme que sejam vítimas de picadas de escorpião ou aranhas.

O levantamento do número de moradias e o cadastramento das pessoas ali assentadas foram feitos por uma equipe de cerca de 70 pessoas da Prefeitura, com a coordenação geral da Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária. Também participaram profissionais das Secretaria de Segurança e Defesa Civil, com a Guarda Civil Municipal, a Secretaria de Comunicação e Eventos, a Secretaria de Igualdade e Assistência Social, a Secretaria da Fazenda e a Secretaria de Meio Ambiente, Parques e Jardins.

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias

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