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A promessa de oferecer tratamento de radioterapia no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) ainda não saiu do papel quatro anos após seu anúncio.

A cidade seria beneficiada com dois aparelhos no Plano de Expansão da Radioterapia, lançado em 2012 pelo Ministério da Saúde. Uma máquina é destinada para a Santa Casa de Misericórdia — o local em que funcionará está em obras. Já a outra, seria para o CHS, que ainda não deu sinais de efetivação.

O Portal da Saúde, mantido pelo governo federal, publica informes sobre o andamento do plano. Há duas fases para a implantação do acelerador linear: a primeira é a construção de uma casamata — local com isolamento radioativo em que a máquina opera — e a segunda é a chegada do aparelho. De acordo com o último informe, a previsão é de que as obras no CHS comecem em 11 de novembro de 2017 e o aparelho entre em operação em 21 de fevereiro de 2019. A situação do plano no hospital é classificada como em “reanálise”.

Informes mais antigos, porém, forneciam outras datas, evidenciando atrasos no cronograma. Em novembro de 2015, por exemplo, a previsão era de que as obras começassem em 30 de outubro de 2016, com início das operações em 1º de março de 2018. Em relação à Santa Casa, as publicações também informaram diversas datas, até que as obras tiveram início de fato em junho de 2016. A última previsão anunciada para a operação do aparelho é 6 de agosto deste ano.

Aceleradores

Os aceleradores lineares são equipamentos utilizados no tratamento do câncer para a realização de radioterapia. Ao contrário do movido a cobalto — como o que existe na Santa Casa atualmente — o aparelho funciona com energia elétrica e é mais moderno. O presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBR), Eduardo Weltman, conta que a tendência é de substituir os equipamentos de cobalto pelos aceleradores.

Dos cerca de 350 aparelhos de radioterapia existentes no país, em torno de 40 seriam de cobalto. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal seria um equipamento de radioterapia para cada 300 mil habitantes, mas há apenas 259 atendendo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no país.

Weltman explica que um dos empecilhos para colocar o plano em prática é a remuneração oferecida pelo SUS para o tratamento. A SBR estima que o valor esteja até 198% defasado. Com isso, não haveria “vontade política” dos gestores em receber os aparelhos. Das 80 máquinas inicialmente ofertadas pelo ministério apenas duas já estão em operação, ambas em cidades do Nordeste.

O médico explica que o ministério oferece manutenção das máquinas por três anos, e após esse período os gestores ficarão responsáveis por esses custos. A baixa remuneração SUS e essa responsabilidade são vistas com apreensão pela SBR. “A conta não fecha”, afirma. O médico considera que, apesar dos pontos citados, a iniciativa pode aumentar a oferta do tratamento no Brasil.

As máquinas do plano são importadas da empresa norte-americana Varian Medical Systems. Em março de 2016, a empresa lançou a pedra fundamental de uma fábrica em Jundiaí, que dará início a uma produção nacional de aceleradores lineares. A previsão é de que local comece a funcionar em 2018.

Sem respostas

O Ministério da Saúde foi questionado sobre o andamento do plano, na sexta-feira (31), mas não respondeu até ontem. A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, responsável pelo Conjunto Hospitalar de Sorocaba, foi questionada por e-mail se tem cumprido com o que é necessário para receber a máquina e sobre o projeto. Por telefone, um assessor de imprensa informou que a pasta não enviaria um posicionamento por considerar que o plano é competência do Ministério da Saúde. Para a Prefeitura, a reportagem encaminhou questionamento sobre quais formas o município tem auxiliado para a efetivação do plano. Em nota, o Paço respondeu que “atualmente a Prefeitura não tem nenhuma gestão em andamento neste sentido”.

Santa Casa não tem data prevista

A Santa Casa de Sorocaba não informa uma data para o funcionamento do acelerador linear. De acordo com o hospital, a construção da casamata é realizada pelo governo federal e o controle de calendário é exclusivo do Ministério da Saúde. No site de acompanhamento do plano, consta a previsão de operação do aparelho em 6 de agosto deste ano.

O hospital também não tem previsão para iniciar o atendimento em radioterapia por meio da máquina de cobalto, que recebeu recentemente. De acordo com a unidade, ainda são necessárias autorizações. A Santa Casa oferecia o tratamento em outro equipamento movido a cobalto, que foi desativado em novembro de 2016, após o fim da vida útil da pastilha radioativa da máquina.

Ao contrário do que a Santa Casa havia anteriormente informado, o serviço de radioterapia do hospital não atendia a aproximadamente 400 paciente por mês. A assessoria afirma que na verdade eram realizadas por volta de 400 aplicações de radioterapia ao mês, sendo que um mesmo paciente pode fazer várias aplicações em um mesmo mês.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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