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Desde que foi anunciado como Coordenador de Igualdade Racial na Secretaria de Igualdade e Assistência Social da Prefeitura de Sorocaba, o nome de Maurício Barisson tem repercutido em vários círculos sociais e ambientes diversos entre si, o que demonstra, não só o interesse da sociedade civil organizada sobre a área, mas também a amplitude de Maurício, uma vez que ninguém discute a sua qualificação profissional, muito menos a capacidade de organização e gestão do funcionário público que em 1998 recebeu o prêmio de melhor dirigente cultural do Estado de São Paulo, elevando Sorocaba à cidade melhor representada na edição daquele ano do Mapa Cultural Paulista, tradicional prêmio artístico-cultural do governo estadual.

O inusitado na escolha do nome de Maurício é o fato dele ser o primeiro não negro a ocupar a Coordenadoria de Igualdade Racial. Riso fácil, misto de timidez que descreve com a frase “detesto falar em público”, com o jeito pacato e acolhedor de conversar com todos, Barisson se posiciona de maneira bem franca sobre a questão.  “Faz anos que estudo a temática da diversidade racial e busco formas de atuar auxiliando os grupos e segmentos que tem representatividade e acúmulo sobre a questão, não ser negro não deve ser impeditivo para a minha atuação, até porque, represento uma disposição de discussão que tem outras vertentes também, a população indígena, os orientais que tem forte presença em Sorocaba e as colônias migrantes, que não são necessariamente representativas de raças, mas que, entre outras frentes, também devem ser recebidas na discussão. Promover a igualdade racial passa por ampliar a tradicional discussão da discriminação, que está para a sociedade além da pele, pode vir pela religião predominante de certa etnia, por traços culturais, por tantos outros fatores determinantes”, afirma Maurício.

A amplitude deve ser a principal marca de Maurício Barisson à frente da Coordenação. “Quero me reunir com representantes de todos os segmentos, ouvi-los é o primeiro passo, eles precisam de alguém que ouça e aglutine as suas demandas, que faça a interface com o poder público, nesse caso, através da Secretaria de Igualdade e Assistência Social. Tudo o que eu fizer será acordado com a secretária Cíntia de Almeida, que tem muita experiência e também acumula densidade e respeitabilidade para tratar com a Prefeitura das necessidades dos segmentos que quero ouvir, sejam os negros, os índios ou outros”, reforça o coordenador.

Sobre algumas críticas que recebeu por não ser negro, Maurício rebate  dizendo que se deter à cor da pele como elemento de qualificação para o exercício de uma função é reduzir um debate ao nível do mesmo preconceito que diz combater. “Até porque, a igualdade racial deve tratar outros segmentos igualmente necessários. Não digo que estou sendo discriminado por algumas pessoas, mas tratado sob o conceito equivocado da cor da minha pele ou da minha origem, igual ao que muitos reclamam. Só preciso de tempo para trabalhar”, conclui.

Para fundamentar seu trabalho Maurício tem como referência outras duas profissionais da Secretaria de Igualdade e Assistência Social, a secretária Cíntia de Almeida e a coordenadora de Diversidade Sexual, Ana Miragaia.  “As duas conseguiram imprimir uma linha de trabalho muito forte, atraindo setores e segmentos que eram marginalizados e agora passam a ter voz”, opina.

Setores apoiam Maurício Barisson

Representantes de vários segmentos organizados tem demonstrado apoio ao novo coordenador. Lourdes Liéje, última ocupante do posto antes de Barisson, foi das primeiras a se manifestar. Em uma rede social ela se pronunciou: “apresento a vocês o novo coordenador de igualdade racial, função a qual ocupava”, e prossegue “desejo sucesso e continuidade com melhorias”.

Emílio Elias Sabeh, presidente da União Árabe de Sorocaba e Região, é outro que se mostrou entusiasmado com a nomeação do novo coordenador. “É alguém a nos ouvir, somos uma colônia representativa em Sorocaba, uma das bases de formação do município e temos recebido novo fluxo migratório, sobretudo de refugiados sírios. Não se trata de cobrar ou receber nada do poder público, mas de sermos procurados, é a primeira vez que temos essa possibilidade”, ressalta Sabeh.

Já para Tarsila Alves Lima Toti, idealizadora de projetos como o Raiz Crespa, Maurício é a pessoa mais indicada, preparada e qualificada. “Com ele aprendemos a fazer muita coisa e ele vai buscar essa abertura e interlocução entre os segmentos e setores para ampliar a nossa participação social e as nossas conquistas. Nós nos dispusemos de pronto em conversar com ele e auxiliá-lo, já conseguimos muitos apoios através dele”, diz.

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias

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