Tags

, ,

Mesmo sem saber ler e escrever, crianças de três e quatro anos já sabem se comunicar pela Língua Brasileira de Sinais (Libras). O projeto foi desenvolvido com alunos de creche 3 do Centro de Educação Infantil Jornalista Angela Martins Vieira (CEI-95), no Jardim Califórnia.

Tudo começou com a auxiliar de educação Carolina Barreto Garcia, formada em pedagogia e também em Libras, que sempre usava uma camiseta com o sinal que representa “eu te amo”, e a ilustração estampada despertava a curiosidade dos pequenos.

A auxiliar de educação Ellen Cristina Santos da Silveira, que trabalha em conjunto com Carolina, percebeu o interesse das crianças e juntas elas começaram a ensinar a linguagem de sinais para a turma. “Não foi nada forçado, partiu da própria curiosidade deles e fomos introduzindo a Libras no cotidiano, em atividades e ações simples, como nas refeições, escovar os dentes ou beber água”, explica Ellen, que conta ter aprendido junto com os alunos.

Carolina destaca que não há nenhum aluno com deficiência auditiva na escola, mas garante que caso uma criança surda ingresse no CEI, todos estarão preparados para recebê-lo da melhor maneira possível. “Esses dias um pai mandou um bilhete emocionado contando que o filho, pela primeira vez, conseguiu se comunicar com a tia surda”, comemorou a auxiliar. Ellen estima que além do alfabeto de sinais, as crianças já saibam, ao menos, 50 palavras em Libras.

Para comemorar o sucesso do projeto, que começou despretensioso, a escola vai realizar, nesta tarde, as apresentações de final de ano e os alunos vão cantar as músicas Borboletinha e Quero te encontrar acompanhadas da linguagem de sinais. As duas auxiliares comemoram o aprendizado dos alunos, que, segundos elas, tiveram muita facilidade e interesse. Carolina diz ainda que o ensinamento de Libras deveria ser algo mais estimulado nas escolas e destaca a importância dos sinais para a inclusão social.

“Eu te amo”

As amigas Eloá Liackso da Silva e Beatriz Nicoli Chuab, ambas com quatro anos, andam por toda escola sinalizando “eu te amo” para quem encontram. Nenhuma das duas é alfabetizada, mas com muita agilidade soletram os nomes na linguagem de sinais. Em casa, as meninas ensinam tudo que aprendem para os pais. “Quero conhecer mais palavras ainda e poder conversar com todo mundo”, diz Eloá.

Libras

Carolina lembra que teve o primeiro contato com a linguagem de sinais na faculdade de pedagogia, por um semestre, e se interessou pela forma de comunicação. Posteriormente, ela se especializou em Libras, linguagem que surgiu a partir do Instituto dos Surdos-Mudos, fundado em 1857 como primeira escola para surdos no Brasil — atualmente denominado Instituto Nacional da Educação de Surdos (Ines).

No Brasil, a Lei 4875/98, que oficializa a Libras em todo o território nacional, ainda se encontra no Congresso Nacional aguardando aprovação. Enquanto isso, alguns estados e municípios brasileiros aprovaram leis para a oficialização da linguagem de sinais em suas cidades. Em Sorocaba, há uma lei municipal que determina que órgãos públicos como hospitais, escolas e demais repartições, ofereçam atendimento de funcionários treinados para se comunicarem com os deficientes auditivos através da Libras.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul