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“Ao descobrir que minha filha era abusada sexualmente, num primeiro momento bati muito nela, e hoje faço de tudo para protegê-la.” Este é o relato de uma mãe com 30 anos de idade, cuja filha, uma criança de seis anos, foi vítima da violência sexual.

Sorocaba conta com uma rede de atendimento para esses casos, que se inicia pelo Conselho Tutelar, que por sua vez encaminha para o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), ligado à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes).

De acordo com levantamento da Sedes, de janeiro a abril deste ano foram atendidas 128 famílias, cujas crianças ou adolescentes foram vítimas de abuso sexual. No mesmo período do ano passado foram 148 casos neste perfil.

O Creas é quem referencia as vítimas para uma das três unidades do Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil (Caps-ij), mantido pela Associação Pró-Reintegração Social da Criança, por meio de um convênio com a Prefeitura de Sorocaba. Cerca de 150 crianças e adolescentes vítimas de violência sexual são atendidas nos Caps-ij “Aquarela”, Regional Norte; “Bem Querer”, Regional Leste; e “Ser e conviver”, Regional Sudoeste.

A diretora clínica da Associação, Suse Helena Pedroso Dias, explica que qualquer pessoa pode fazer a denúncia de abuso, seja para a polícia, Conselho Tutelar, Creas ou até no próprio Caps-ij. “A população tem que sensibilizar e ficar atenta para que situações de abuso de vulnerável não fiquem no anonimato”, ressalta.

Suse destaca ainda que cada caso é atendido de forma específica e não há um tempo determinado de duração da assistência, o que depende da situação de cada vítima. Ela destaca ainda que 75% das vítimas são do sexo feminino.

Vítimas

À época do ocorrido, a mãe responsável pelo relato no início deste texto – cujo nome é preservado para evitar a exposição da criança -, trabalhava à noite e durante o dia, a filha, então com seis anos de idade, ficava com parentes, tendo em vista que várias famílias residiam no mesmo imóvel.

A mãe, que também foi vítima do mesmo tipo de violência quando tinha 15 anos de idade, conta que presenciou uma atitude não adequada para uma criança, até que a menina relatou o ocorrido. Num primeiro momento, a reação foi de revolta. “Depois disso comecei a refletir e percebi que estava errada, tinha que ajudar minha filha, pois quando eu fui vítima não tive o apoio de ninguém”, disse. Ainda de acordo com a mãe, que é separada do marido, ela precisa trabalhar para cuidar dos três filhos. A época do ocorrido, eram dois filhos.

Depois de conversar com o pai da criança e ouvir as pessoas a sua volta, seguiu para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e denunciou o caso. A criança foi então encaminhada para exames de comprovação da violência sexual, no Conjunto Hospitalar de Sorocaba.

Mãe e filha foram ainda encaminhadas ao Conselho Tutelar e, depois, para uma das unidades do Creas, porta de entrada para esse tipo de atendimento no município. Por último, mãe e filha foram encaminhadas para o Caps-ij. Na entidade, vítima e familiares recebem o apoio necessário e participam de projeto terapêutico, com o envolvimento de psicólogos e demais profissionais entre assistente social e terapeuta ocupacional.

Passados dois anos do acorrido, a mãe conta que hoje em dia a menina consegue se relacionar muito bem na escola em que estuda, bem como passou a conversar mais. “Tudo que acontece ela vem e conta para mim. E sinto que está bem mais segura e sabe que pode confiar na mãe”, relata. As duas continuam recebendo atendimento mensal. “A marca vai ficar pra sempre e todas as famílias devem agir como eu: não temer e fazer a denúncia. Do contrário, a situação poderia ter sido ainda pior.”

Creas

O Creas oferta serviços de proteção social especial de média complexidade do Sistema Único de Assistência Social (Suas). O serviço é voltado às famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos, como em caso de violência física, psicológica, sexual, tráfico de pessoas e cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, entre outras.

Atualmente são três unidades de Creas (regionais Norte, Sul/Leste e Oeste) em Sorocaba. Assim, as famílias são referenciadas conforme seu endereço de moradia e acompanhadas por uma equipe técnica multidisciplinar de profissionais, formada por psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, agentes sociais e administrativos.

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias

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