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Levantamento feito pela Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVE), da Secretaria da Saúde de Sorocaba (SES), mostra que 56,5% dos casos confirmados de dengue em Sorocaba, de julho de 2015 a fevereiro de 2016, foram registrados em pessoas de 20 a 49 anos.

Apesar disso, alerta é para que a população em geral, e não apenas nessa faixa etária, adote medidas preventivas para evitar o contágio, sobretudo a população acima de 60 anos, cujas implicações da doença costumam ser mais graves.

No período em questão, dos 96 casos (52 locais e 44 importados) de dengue identificados na cidade, 55 (57%) foram em homens e 41 (43%) em mulheres. Desse total, 54 são relativos ao grupo de faixa etária de 20 a 49 anos. “Ainda dentro desse grupo, só o pessoal de 30 a 39 anos representa 25% (24 casos)”, aponta a chefe da DVE da SES, Renata Guida Caldeira. O grupo de jovens, de 10 a 19 anos, representa 12,5% (12 casos) do total, 10,41% (10) de 50 a 59 anos, e 6,25% (6) de 0 a 9 anos.

O estuda mostra que o público mais acometido manteve-se em relação ao primeiro semestre de 2015, quando Sorocaba passou por situação epidêmica de dengue. Naquela ocasião, de janeiro a junho, 28.137 pessoas de 20 a 49 anos tiveram dengue, o que representou 49,6% das ocorrências da doença. “Geralmente, ano epidêmico não é utilizado em comparações, por ser um período atípico. Porém, quanto a essa faixa etária de contaminação, ela se mantém ano a ano: a mais afetada sempre será a população economicamente ativa. É o público mais circulante, por exemplo, que vai ao trabalho, ao supermercado”, explica Renata.

Zona urbana

Outra constatação é que o fato desse público mais acometido pela dengue ser residente e circular pela zona urbana, sinaliza em qual local o mosquito costuma habitar. “A grande maioria dos criadouros, cerca de 80% deles, estão dentro das casas. O mosquito vive em locais onde as pessoas costumam estar. A incidência na zona rural e em áreas de mata é mínima. Ou seja, o mosquito gosta do espaço urbano e não de mato”, destaca a médica veterinária Thaís Buti, da Divisão de Zoonoses da SES. “É onde as ações de combate estão centralizadas”, complementa.

As ações de bloqueio em regiões onde há constatação de casos suspeitos ou confirmados de dengue, chikungunya e zika, ocorrem diariamente por meio das visitas de casa em casa, onde moradores recebem dicas preventivas e ainda é feita a remoção de possíveis criadouros de larvas do Aedes. Nesta semana, os trabalhos serão concentrados no Jardim São Conrado, Jardim Faculdade, Wanel Ville, Central Parque, Jardim São Paulo e Jardim São Guilherme. Já a nebulização, por meio da aplicação de veneno nas residências, está prevista para ocorrer no Jardim São Guilherme, Jardim São Paulo, Jardim Europa, Sol Nascente e Parque Vitória Régia.

O agente de vigilância sanitária José Pedro Neto comenta que, em geral, a população tem colaborado com o trabalho das equipes de prevenção. “Depois que muita gente teve dengue no ano passado, parece que essas pessoas se ligaram quanto à importância da prevenção e agora têm ajudado. Também estão mantendo a casa em ordem, mas sempre há quem não dá a devida importância, aí tentamos convencê-la do contrário.”

Idosos e comorbidades

A aposentada Lucinda Balieiro, 78 anos, não se descuida contra a dengue. “Tenho medo de pegar essa doença. Meu filho, nora e neto tiveram no ano passado. Hoje em dia deixo a casa toda em ordem”, disse após receber a visita de um agente da SES que constatou que a casa não tinha possíveis criadouros de larvas. “Os vasos de flores estão todos furados e a cada 15 dias coloco sabão em pó nos ralos e na gaveta atrás da geladeira”, complementa a aposentada, que mora na região do Jardim São Paulo.

E a preocupação de dona Lucinda não é à toa. Apesar da maior incidência de dengue estar entre as pessoas de 20 a 49 anos de idade, a população acima dos 60 anos de idade é a que mais deve se precaver, pois o risco de morte associada à dengue é maior. “Principalmente se a pessoa apresentar alguma outra doença, o que chamamos de comorbidade, que tende ao agravamento do quadro clínico”, frisa Renata.

De julho de 2015 até fevereiro deste ano, a DVE registrou 13 casos (13,5% do total) da doença em pessoas nessa faixa etária. De lá para cá não há casos de óbitos em decorrência da dengue em Sorocaba, mas no período de julho de 2014 a junho de 2015 foram 37, sendo 26 (70,27%) em maiores de 60 anos. “Detalhe é que as outras 11 mortes, em menores de 60 anos, em apenas um dos casos o paciente não tinha comorbidade, como por exemplo, doença cardiovascular ou hepática, aids e hipertensão. Todo cuidado é pouco, sempre, e cada um deve fazer a sua parte para evitar a proliferação do mosquito transmissor”, finaliza a chefe da DVE.

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias