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Não faz muito tempo que receptores de TV, computadores pessoais e telefones celulares eram bens de consumo durável, ou seja, dispositivos cuja utilização nas residências e nos locais de trabalho se prolongava no tempo.

A pessoa que adquiria um desses aparelhos o fazia com a perspectiva de utilizá-los durante vários anos e quando eles apresentavam algum problema não hesitavam em recorrer à assistência técnica para a execução do conserto.

Se alguém dissesse ao feliz comprador que, em poucos meses ou o mais tardar no ano seguinte ele estaria planejando trocar algum daqueles equipamentos por um modelo mais recente, seria tratado como alguém que perdera o juízo.

Hoje o descarte daqueles objetos – e até mesmo de tablets, cuja entrada no mercado se deu em data mais recente – tornou-se um procedimento de rotina. E, ao aposentar o monitor do PC, quando não o computador inteiro, ou o televisor que era considerado moderníssimo e gigantesco ao tempo da aquisição e agora tornou-se minúsculo e obsoleto ante as telas cada vez maiores e cheias de recursos inovadores, a pessoa descobre, com alguma surpresa, que não tem a quem repassá-los.

A exemplo dos velhos estofados, outro objeto que raramente se consegue passar adiante, mesmo através da entrega gratuita, tais aparelhos ingressaram, irreversivelmente, na categoria de lixo eletrônico. Para se livrar deles, o cidadão precisa descartá-los de algum modo.

Essa realidade recente criou, para as Prefeituras, um desafio operacional complicado para os serviços de limpeza pública das Prefeituras.

Tais equipamentos não devem ser pura e simplesmente destinados aos recipientes de lixo doméstico. Todos eles carregam, em seu interior, componentes com alto poder contaminante do solo e da água dos locais em que venham a ser dispostos.

Além do mais, descartá-los por aquela via seria um grande desperdício. Uma parcela considerável dos materiais de que são feitos podem e ser reaproveitados, em razão de seu custo elevado.

A Prefeitura de Sorocaba vem conduzindo, nessa área, um experimento interessante, através de um convênio da Secretaria de Serviços Públicos (Serp) com a Cooperativa de Reciclagem Reviver. Recém divulgado, o balanço do total de equipamentos eletroeletrônicos coletados no ano de 2015 indica que ela gerenciou, naquele período, quase 91 toneladas de equipamentos eletroeletrônicos.

Do material assim processado, 53,3 toneladas – ou 54% do total –  foram recicladas. As restantes 37,5 toneladas não puderam ser aproveitadas, mas foram destinadas a local específico, evitando contaminação e danos ao meio ambiente.

A Reviver, por seu turno, trabalha em sintonia com o programa Metareciclagem, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet). Este utiliza os componentes reaproveitáveis dos computadores descartados para a montagem de computadores novos, e reencaminha a cooperativa, para disposição final, aquilo que não pode ser aproveitado.

Um aspecto importante desse processo é que a população sorocabana tornou-se sua principal parceira. Uma quantidade crescente de pilhas e baterias de celulares vem sendo deixada nos postos de coleta das Casas do Cidadão e dos terminais de ônibus urbanos.

Já os computadores velhos, ventiladores e aparelhos de TVs são entregues diariamente no Núcleo de Resíduos, no Jardim Leocádia (Rua Ourinhos, 241, das 8 às 17 horas). Podem, também, ser entregues à equipe do caminhão da coleta seletiva (cata treco) que transita pelos bairros da cidade.

O telefone do Núcleo (3325-5961) recebe cerca de 30 ligações ao dia de populares querendo maiores informações sobre como fazer a entrega de equipamentos. Uma das parceiras da Reviver é a Polícia Civil, que a ele destina, periodicamente, produtos eletrônicos apreendidos. Empresas de médio e grande porte, que possuem equipamentos eletrônicos inservíveis, também fazem a coleta dos aparelhos, que depois é repassado para a cooperativa.

E onde a Prefeitura entra nessa história?

Ela cede galpão onde funciona a entidade e ocorre a reciclagem. Também fornece um caminhão para coleta e equipamentos para prensagem. E insere, em sua propaganda institucional, mensagens informativas sobre separação, reciclagem e descarte de resíduos sólidos, que inclui um bloco sobre a destinação de tais resíduos.

Investindo nessa parceria, o governo municipal busca garantir à população a existência de um local gratuito para a entrega voluntária desse tipo específico de resíduos sólidos.

Trata-se de uma parceria em que o governo do município, além de colaborar com a geração emprego, evita sérios danos ecológicos e promove uma atividade informal de educação para a defesa do meio ambiente.

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias

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