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O pior período do mandato do prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), segundo a avaliação dele próprio, é o atual 2015. Reconhecendo que não conseguirá colocar em prática tudo o que prometeu durante a campanha, ele atribui as dificuldades à situação econômica e política brasileira, às faltas de repasses de recursos da União e do Estado, além da legislação que rege as contratações feitas pelo poder público. Ele também prevê que 2016 será “bastante difícil”.

Na véspera do ano eleitoral de 2016 Pannunzio não sabe se será candidato à reeleição. Explica que dependerá não só da própria disposição para mais quatro anos de liderança, como também da avaliação popular do seu governo. Afirma que teve acesso a pesquisas de terceiros que o mostra em situação melhor do que quando se lançou candidato em 2012.

O prefeito comemora o fato de ter dobrado a capacidade de prestar atendimentos de urgências e emergências na área da saúde, ter inaugurado 18 creches, concluído a licitação do lixo, da cidade ter uma frota completa do transporte coletivo com elevadores para as pessoas com deficiência, da rede de fibra óptica distribuída pela cidade, além de ter concluído as negociações com o Ministério da Fazenda para obter 70 milhões de dólares em recursos internacionais para investir em infraestrutura.

Mas lamenta que não conseguirá entregar todo sistema do ônibus rápido (BRT) no atual mandato. Cita que sua administração enfrentou custosos imprevistos, como por exemplo a epidemia de dengue, a requisição da Santa Casa e a desinstitucionalização que levou o município a assumir tanto o Hospital Vera Cruz e outros serviços de atendimentos psiquiátricos.

Fala das dificuldades na distribuição da merenda nas escolas, do fim em fevereiro próximo da requisição do Hospital da Santa Casa; sobre as perspectivas da entrega das moradias populares do residencial Carandá e Altos de Ipanema e os riscos da população que se mudará para lá de deixar de contar com algum equipamento público.

Cruzeiro do Sul – Como avalia o seu governo em 2015? Quais foram os pontos positivos e os não tão positivos para a população?

Antonio Carlos Pannunzio – Dos três anos que estou completando de administração, 2015 foi, eu diria talvez, o mais difícil de todos. No entanto, a gente finalmente conseguiu concluir a licitação do lixo, terminou a renovação da frota de ônibus e hoje 100% deles têm elevadores, permitindo a inclusão de todos os portadores de necessidades especiais. Conseguimos levar muito além do que se previa no anel de fibra óptica e consequentemente usar os recursos da informática, tanto na administração como nas questões da segurança, já que hoje a cidade está bem equipada com câmeras e radares inteligentes.

Mas surgiram desafios que não eram esperados e um deles foi a questão da dengue. Não obstante, no final do ano de 2014 nós já tivéssemos índices bastantes preocupantes com os inúmeros criadouros e larvas do mosquitos Aedes aegypti, nós ainda não tínhamos a perfeita noção de como essa coisa ia ocorrer no município. Ao mesmo tempo, nós fomos o primeiro município do Estado a decretar estado de emergência e adotar soluções para a população atingida, tanto nos centros de tratamento que nós não tínhamos na cidade, e até mesmo uma ala na Santa Casa que passou a ser praticamente um hospital do município, para os casos mais graves. Foi um período bastante difícil.

Nos maiores projetos, que a gente esperava os repasses por parte do governo federal, infelizmente acabaram não vindo ou vieram muito aquém do convencionado. Agora mesmo, no final do ano, eu tive uma notícia extremamente preocupante, ou seja, dos repasses do SUS de dezembro, que são repasses constitucionais, só virão a metade, a outra metade eu vou ter que me virar porque dizem que só para o ano que vem, sei lá se vem em janeiro. Eu não posso tirar os meus pacientes internados dos hospitais que atendem o SUS. Não posso deixar de atender nas urgências, emergências e mesmo nas unidades básicas. A Prefeitura teve que fazer frente às situações inesperadas e difíceis.

Ao mesmo tempo teve coisas boas, como a lei de autoria do senador José Serra (PSDB), que autoriza os municípios e Estados a utilizarem 70% dos recursos de depósitos judiciais. Eles superam os R$ 33 milhões para Sorocaba e virão parceladamente. Então, se de um lado tivemos coisas inesperadas e preocupantes, do outro lado tivemos algumas coisas positivas. Conseguimos (em 16 deste mês) concluir o estágio fundamental das nossas negociações com o Ministério da Fazenda, para que a gente venha finalmente ter liberado no ano que vem, os recursos de 70 milhões de dólares, um empréstimo internacional da Corporação Andina de Fomento destinado aos projetos de infraestrutura de Sorocaba. Para chegar até aqui foi extremamente difícil, são três anos que estamos trabalhando nisso e acho que no ano que vem a gente vai ter um pouco mais de recursos para investir.

Agora, o que mais preocupou, foi essa degeneração da política que a gente está presenciando no plano federal. A desmoralização total do governo, a desmoralização também do Congresso Nacional, uma judicialização extremada da política até por necessidades, porque, de repente, parece que a tão decantada harmonia entre os poderes desapareceu de vez. Essa crise moral, que se transformou em crise política e em crise econômica, está levando o País em derrocada, perdendo avaliações positivas, que nos permite ter empréstimos internacionais, por exemplo, custo menor e ter mais investimentos aqui. Esse é o lado ruim que a gente está passando em 2015 e não sabe o que vai acontecer em 2016. Resolver a crise política do país é uma questão fundamental para saber como vai ser 2016, mas não vai ser um ano fácil.

JCS – As questões políticas de âmbito nacional que cita trouxeram consequências para Sorocaba?

Pannunzio – Para Sorocaba e todo o Brasil. Os repasses constitucionais não estão sendo feitos, isso é uma consequência gravíssima. Repasses outros, como os do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) por exemplo, também não aconteceram. Eu tenho convênio assinado, alimento expectativa para que venha, mas já foi dito para mim que neste ano não virá. Isso tudo afeta a possibilidade de desenvolvimento e crescimento do município. Qual é talvez um dos fatores piores em consequência dessa crise? Sorocaba que era uma cidade que vinha no pleno emprego, de repente, hoje, tem uma população de desempregados que é totalmente preocupante em todos os setores, notadamente na área industrial.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul