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Os alunos do Centro de Educação Infantil (CEI-14) “Engº Carlos Reinaldo Mendes” tiveram uma aula totalmente diferente na tarde desta quinta-feira (10).

Eles receberam o projeto “Arqueologia no Éden: Patrimônio, memória e sustentabilidade” que faz parte do programa de Salvamento Arqueológico do Loteamento Parque Jardim Nathália, situado naquela região e onde foi localizado, recentemente, um sítio arqueológico.

A atividade foi realizada também em outras duas unidades do bairro: na Escola Municipal do Éden e na escola Municipal “Professor Oswaldo de Oliveira”. Mais de 2.000 alunos participaram.

Segundo o professor Marcos Rogério de Carvalho, da Alasca Arqueologia, responsável pelo resgate do material encontrado, a legislação brasileira exige que, aliado à retirada dos achados, a comunidade no entorno passe por um processo educativo. Só assim, qualquer empreendimento nessa circunstância obtém o licenciamento ambiental, que contempla, o processo de arqueologia. Ou seja, a lei considera que não somente o impacto do ambiente, mas o impacto dos recursos naturais que podem estar enterrados abaixo do solo e em determinado ambiente. “Com isso, temos que levar essa informação a todos os alunos do entorno do empreendimento”, destaca Carvalho.

Durante a escavação, apareceram vestígios arqueológicos de momentos distintos de ocupação. O primeiro vestígio foi estimado entre 2 mil e 3 mil anos, de caçadores nômades; o segundo, revelaram pontas de flechas, material cerâmico indígena tupi-guarani de um período considerado a partir de 1.500 anos. Também apareceram alguns registros de panelas de caboclos de colono, do século 18; material das antigas olarias, materiais dos séculos 19 e 20, e a presença dos primeiros imigrantes japoneses, onde foram encontrados alguns fragmentos de porcelana japonesa.

“Pensamos em vários recursos educativos. O educador procura adaptar a estratégia de acordo com cada faixa etária, um tipo de discurso voltado para as séries iniciais e outros voltados para Fundamental I e II”, diz o professor.

Valeu a experiência

De acordo com o chefe de seção de Políticas Educacionais da Secretaria da Educação (Sedu), Márcio Boltoli Carrara, a atividade educativa foi avaliada a partir de sua importância e seu intuito pedagógico. Por conta disso, foram definidas as três unidades escolares da rede municipal de ensino do bairro do Éden, já que elas estão na mesma região do achado arqueológico. Além das crianças, também os professores participaram, conhecendo todo o processo da descoberta e seus desdobramentos.

Para a diretora da escola, Vanessa Nascimento da Silva, a iniciativa foi excelente e ganhou a aprovação dos professores. A ideia, agora, é fazer com que atividades como essa, que levem as crianças a se envolver e conhecer mais sobre várias áreas, se repitam.

As crianças aprenderam em sala de aula, por meio de orientação oferecida por painéis que mostram o sítio arqueológico localizado no próprio bairro e por meio de simulação de uma escavação arqueológica.

A experiência foi mais que aprovada pela garotada. O pequeno Kauã Guilherme da Paixão, de seis anos, participou da simulação e com uma escova na mão aprendeu como escavar para retirar da terra algum objeto importante. “Queria encontrar algo da época em que os índios estiveram por aqui”, disse, reproduzindo o que aprendeu em sala de aula.

O coleguinha Vinícius da Silva Fantin, também de seis anos, foi parceiro na atividade. “Vou contar pra minha mãe tudo que aprendi aqui hoje, e também que fiz a escavação com uma ferramenta”, disse.

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias

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