Tags

,

A permanência da vice-prefeita, Edith Maria Di Giorgi, na sessão ordinária de ontem não durou muito tempo, mas foi o bastante para gerar protestos de vereadores e representantes de entidades que estiveram na Câmara em busca de informações sobre um suposto corte de convênios com o Município.

A insatisfação já havia aflorado com o anúncio de Edith de que enfrenta dificuldades para fazer o repasse às entidades em 2016.

Mas virou desentendimento quando a vice-prefeita pediu licença para se retirar, alegando que estava em horário de serviço pela universidade em que leciona. Alguns vereadores se revoltaram e ameaçam levar o caso ao Ministério Público (MP), argumentando que Edith não poderia abrir mão das funções do cargo público durante o expediente para se dedicar a outra ocupação.

O principal crítico de Edith durante o episódio foi o democrata José Crespo. O vereador se mostrou revoltado quando a vice-prefeita informou que havia deixado as aulas na Pontifícia Universidade Católica (PUC) e estaria retornando em breve à unidade e cobrou que ela permanecesse. “Secretário municipal tem dedicação exclusiva, não pode sair para dar aula.

A senhora recebe um salário muito bom, mas não quer trabalhar pela população de Sorocaba”, acusou. Já Francisco França (PT) chegou a sugerir que ela fosse exonerada pelo prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB). Edith Di Giorgi defendeu-se alegando que não existe impedimento legal para que ela exerça funções externas. A fala da secretária, porém, acabou abafada pela gritaria de vereadores e do público e ela deixou o plenário do Legislativo sob vaias.

Procurada pela reportagem para comentar o episódio, Edith alegou pressa para se dirigir à PUC, onde deixou aulas em andamento, e recomendou a busca por esclarecimentos junto ao Serviço de Comunicação da Prefeitura. Coube ao secretário de Governo, João Leandro da Costa Filho, falar sobre o tema. Ele negou que haja ilegalidade na conduta da vice-prefeita.

“É perfeitamente cabível o acúmulo das funções”, disse. Ele destacou ainda que é comum aos secretários superar a carga horária semanal, lembrando que isso ocorre com frequência com a própria Edith. “O secretário não é servidor municipal. Ele é um agente político, assim como o vereador.

As questões de jornada são flexíveis.” Falando por telefone, à noite, com o Cruzeiro do Sul, Edith lembrou que antes de assumir o cargo, deixou claro ao prefeito Pannunzio que só o faria se pudesse manter a aula que ministra uma vez por semana, pela manhã, para não perder “esse laço com a Medicina e o social”.

E todos lhe garantiram que isso era legal e poderia ser feito. Sobre a ida à Câmara, disse que já havia combinado com o presidente do Legislativo, Gervino Gonçalves, que ficaria por pouco tempo, pois estaria em horário de aula. E que não se recusará a voltar a qualquer momento, para discutir com mais tempo este ou outro assunto.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

Anúncios