Tags

,

Cerca de 200 estudantes da Faculdade de Medicina de Sorocaba protestaram na manhã desta quarta-feira (30) contra a redução de 40 leitos do Hospital “Leonor Mendes de Barros” e de um possível fechamento definitivo do quarto andar, e a desativação total do prédio.

O grupo, todo vestido de preto, reuniu-se em frente ao hospital por volta das 11 horas e seguiu em passeata com cartazes e faixas que diziam “órfãos da saúde pública” e “Luto ao Leonor”.

“Isso é só o início. Eles pensam na redução de verbas, mas esquecem que isso prejudica toda a população, principalmente ao redor da cidade, já que o Complexo Hospitalar atende a toda a região de Sorocaba. Já estavam faltando leitos mesmo com o quarto andar, e agora vai ficar pior. Não sei o que o Estado quer com tudo isso ou o que eles pensam, só vai ser mais prejudicial”, lamenta o estudante André Luiz Betiati Júnior.

Os manifestantes, que seguiram pelas ruas Dr. Nogueira Martins e XV de Novembro acompanhados das polícias Militar e Civil e da Urbes, terminaram o trajeto concentrados na Praça Dr. Arthur Fajardo, o Largo do Canhão, em frente ao monumento de Rafael Tobias de Aguiar, onde foi simbolizado um ato fúnebre ao Hospital Leonor. Com direito a um minuto de silêncio, o monumento foi coberto por um jaleco branco e rodeado de flores, velas e caixões de papelão.

“Pode parecer pouco fechar um andar do prédio, mas é só o primeiro passo do que pode acontecer; é apenas um reflexo”, conta a estudante Mariana Favoretto. Ingrid Simões, também estudante, afirma ter visto a diminuição de leitos. “Eu trabalho lá e vi a redução e o fechamento. Fui atrás e descobri que tudo isso é por falta de verba ao hospital. A previsão é de que todo o quarto andar seja desativado e, posteriormente, os outros também”, explica.

Já a aluna Bárbara Fernandes informou que os pacientes estavam sem remédio. “Eles sem remédio e os médicos residentes sem água, por isso esse protesto. Até o momento, falaram 40 leitos, mas querem zerar todos e não internar mais nenhum paciente.”

Enfermeira há 28 anos, Lídia de Medeiros, que no momento do ato estava de plantão, decidiu dar apoio aos alunos e revelou estar indignada com a atual situação da saúde pública. “Com todos os leitos que já temos no hospital, não é possível dar conta de atender nem aos pacientes que ficam pelo corredor, imagina reduzir isso? Eles já morriam por falta de atendimento, o que vamos fazer? Isso é uma vergonha”, lamentou ressaltando que a população será a mais prejudicada. “O atendimento é péssimo, as ambulâncias não podem mais entrar no hospital. Em que mundo estamos? Onde vamos parar? Não sei mais o que esperar.”

Questionada sobre o assunto, a Secretaria de Saúde do Estado não retornou até o fechamento desta edição.

FORÇA SINDICAL – Na última terça-feira (29), cerca de 30 funcionários do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, apoiados pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos na Saúde do Estado de São Paulo e pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Sorocaba e Região, também protestaram contra o fechamento dos leitos e falta de materiais de trabalho. O ato deu-se em frente ao Hospital Regional da cidade.

Fonte: Jornal Diário de Sorocaba

Anúncios