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Com alimentação garantida para apenas mais um dia – no caso hoje – e remédios no máximo até domingo, a administração do Hospital Psiquiátrico Vera Cruz anuncia que está trabalhando no limite e se a Prefeitura não repassar a verba até hoje, os 496 pacientes internados correm o risco de ficarem sem ter o que comer e ter a saúde agravada, pela falta de medicação.

Conforme o diretor administrativo Reginaldo de Oliveira Giraud, há meses o repasse da Prefeitura tem sido feito abaixo do valor.

O órgão municipal estaria devendo ao Instituto Moriah, responsável pela gerência do hospital, R$ 3,6 milhões, e até o dia 1º de outubro teria de repassar mais R$ 2,3 milhões.

A informação foi obtida durante a visita surpresa que os vereadores da CPI dos Convênios fizeram ontem ao local, no período da tarde, acompanhados da imprensa. A CPI investiga repasses de recursos da Prefeitura para entidades conveniadas. No início da noite, em nota, a Prefeitura negou que esteja devendo esses valores.

O diretor administrativo do hospital também disse que além de estarem devendo a fornecedores, há residências terapêuticas com aluguel em atraso. A reportagem constatou que existem funcionários há dois meses sem receber, mas a informação mais preocupante foi com relação à alimentação: estão sendo feitas substituições por produtos mais baratos. A nutricionista Mariana Balarini Semahim contou que o hospital diminuiu a quantidade de salsicha e está colocando mais moela para os pacientes. “Eles não gostam, mas comem”, disse, acrescentando que o estoque daria para até mais um dia.

De acordo com o presidente da CPI, vereador Rodrigo Manga (PP), que estava acompanhado dos vereadores Marinho Marte (PPS), Francisco França (PT) e Luis Santos (Pros), há 90 dias a Prefeitura tem depositado valor inferior ao devido, e por conta da situação ele soube que os médicos ameaçam parar de trabalhar a partir de amanhã.

Manga disse que diante de tudo o que foi constatado, a comissão vai pedir a revisão do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2012 com o objetivo de promover a desinstitucionalização dos pacientes submetidos a longos períodos de internação. “O modelo que foi apresentado não tem tido a eficácia que foi falado”, disse.

Conforme o vereador, na época foi anunciado que esse seria um modelo de sucesso. “Mas nós vimos que não foi. O resultado efetivo são apenas 16 pacientes que voltaram para os seus familiares e desses teve alguns casos que tiveram problemas e não conseguiram ficar na casa”, criticou.

Cerca de 200 foram encaminhados para residências terapêuticas, mas 496 ainda continuam internados. “Não é que a CPI acredite que não deve ter o processo de desinternação, deve sim, mas não a qualquer custo, porque para os milhões que têm sido investidos, o número é muito baixo”. Para Manga, independente da responsabilidade, o que pode ser percebido é que o hospital está à beira de um colapso. “E quem está sendo penalizado são os pacientes”.

Desde dezembro de 2013, durante o processo de desinstitucionalização, o Vera Cruz recebeu 106 pacientes do Jardim das Acácias, 213 do Hospital Mental e 77 do Teixeira Lima. Em dezembro de 2013 existiam 323 pacientes internados no Vera Cruz e hoje somam 496 pacientes, sendo que 68% são de outros municípios.

Outra versão

A Prefeitura de Sorocaba negou que esteja devendo o valor citado pelo diretor do Vera Cruz. Em nota, afirmou que repassa mensalmente R$ 2.364.334 para o Instituto Moriah e de que até agosto não teria havido atrasos. Reconheceu apenas que deve R$ 217.689,44 referente ao mês de agosto e o mês integral de setembro, ou seja, mais R$ 2,3 milhões. A nota diz ainda que só existe previsão de pagamento dos R$ 217 mil referentes a agosto, o que promete para hoje. Sobre o valor de setembro, limita-se a dizer que o repasse ainda será programado. A Prefeitura diz também que a Secretaria de Saúde não permitirá que falte alimentos e medicações no Vera Cruz.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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