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A Prefeitura de Sorocaba promete punir os funcionários da Santa Casa que cruzaram os braços, na tarde desta quarta-feira (9), em protesto pelo cancelamento de uma reunião com um representante do Paço Municipal.

O secretário de Governo e Segurança Comunitária de Sorocaba, João Leandro da Costa Filho, enfatizou que o Executivo aplicará penalidades aos manifestantes e as horas não trabalhadas serão descontadas da folha de pagamento.

O protesto teve início nesta quarta-feira (9), por volta das 16h, e teve o apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sinsaúde) de Sorocaba e Região. A manifestação ocorreu porque, segundo os funcionários, o secretário João Leandro da Costa Filho havia cancelado o encontro para explanar a atual situação da Santa Casa.

De acordo com João Leandro, o compromisso firmado há um mês era para que o encontro ocorresse com um representante de casa setor da Santa Casa, além dos integrantes do sindicato. O objetivo era evitar qualquer prejuízo no andamento do trabalho na instituição de saúde.

João Leandro ressaltou que o trato firmado anteriormente não foi respeitado pelo sindicato. “Todos os funcionários foram convocados, mas o meu compromisso é conversar com uma comissão”, diz. “Por isso que eu não fui e não irei”, completa.

O secretário disse ainda que o governo está em dia com os compromissos salariais dos funcionários e pretende aplicar penalidades aos manifestantes. “Quem está na jornada de trabalho é para atender a jornada”, ressalta João Leandro.

Na reunião seriam discutidas questões importantes, como a falta de funcionários, de medicamentos, de condições de trabalho, da terceirização e a requisição do hospital, que acontece desde janeiro de 2014. O presidente do sindicato, Milton Sanches, lamentou a recusa do secretário em conversar com os trabalhadores e afirmou que a decisão de protestar contra esse fato já era esperada.

O comunicado do secretário deu-se após um encontro de dezenas de servidores, de diferentes setores da Santa Casa de Misericórdia, no terceiro andar do hospital. De acordo com o presidente do Sinsaúde, Milton Sanches, uma reunião com Costa Filho tinha sido marcada há uma semana para explanações sobre o futuro do hospital, contudo a conferência foi cancelada pelo próprio secretário ontem à tarde. “O secretário ligou pessoalmente argumentando que estava com receio da reação dos trabalhadores e ‘pelo clima não estar bom’. Ele quis remarcar para a próxima quarta-feira (16).”

No decorrer da assembleia com os funcionários, Sanches disse que o cancelamento da reunião pode ter sido motivado por um encontro que ocorreu, na tarde de terça-feira (8), com o gestor-geral do hospital, José Luiz Pimentel. “Na ocasião, ele (Pimentel) não gostou das denúncias feitas pelos funcionários em depoimento à CPI da Santa Casa, na semana passada.” Ainda segundo Sanches, a conversa com Costa Filho seria referente a assuntos como falta de medicamentos e funcionários.

Durante a conferência, funcionários começaram a relatar problemas encontrados na Irmandade da Santa Casa. De acordo com Hugo dos Santos, diretor do Sindicato e um dos servidores do hospital, foi comunicado, há uma semana, que o atendimento em alguns setores será terceirizado, como banco de sangue e lavanderia. “Isso foi comunicado aos funcionários na última semana. A promessa é de que os trabalhadores serão remanejados, mas como? Alguns servidores não podem trabalhar em certas áreas.”

Outros funcionários disseram, ainda, que faltam medicamentos e melhorias na estrutura. “Teve uma vez em que a mãe teve de buscar o medicamento e voltar com o filho porque não tinha o remédio no hospital”, relata uma trabalhadora da área de pediatria.

Conforme a direção do Sinsaúde, dependendo de novas reuniões no decorrer da semana, uma manifestação dos servidores da Santa Casa pode acontecer na próxima quarta-feira (16).

EXPLICAÇÃO – Já o secretário João Leandro da Costa Filho justificou o cancelamento da reunião porque não quis interferir nos trabalhos do hospital. “Assembleias na Santa Casa estão proibidas. Santa Casa é para pacientes e essas reuniões têm de ser feitas no Sindicato. E outra razão é que esse não é meu papel; o cotidiano do hospital é por conta do grupo gestor.”

Ele disse também que, diferente da alegação de funcionários, todos os pagamentos estão em dia e que não há outra forma de manter o atendimento a não ser por empresa terceirizada. “Já estamos trabalhando com funcionários que já eram da Santa Casa, porque pertenciam à Irmandade. Não há outra maneira a não ser terceirizar.”

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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