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As obras da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Jardim Rodrigo, na Zona Norte de Sorocaba, encontram-se completamente abandonadas desde 2012 e, segundo os moradores locais, o imóvel se tornou abrigo para usuários de drogas e animais peçonhentos, como cobras e escorpiões.

Com toda a estrutura pronta, incluindo portas, janelas e até vasos sanitários, o prédio agora é, assim, alvo de vandalismo. A reportagem do DIÁRIO foi até o local ontem e observou as paredes pichadas e salas cheia de entulho. Pelo chão, é possível encontrar notas fiscais dos materiais usados na obra inclusive. Uma das notas apresentava a compra de uma parafusadeira no valor de R$ 1.400. Já em outra foi constatada a compra de uma solda elétrica no valor de R$ 150. Todas apontando a empresa Vértice Construtora e Incorporadora como resposnável.

A garçonete Elisângela Silva de Oliveira, 23 anos, moradora das proximidades, até criou uma página em uma rede social junto com outra vizinha para que pudessem denunciar irregularidades como essa que ocorrem no bairro. “Criamos a página e conseguimos uma entrevista com o prefeito e o secretário municipal de Obras, porém eles não nos atenderam. A desculpa que nos dão na Prefeitura é de que neste local existe gás no subsolo do terreno e, então, eu questionei o por quê de não terem visto isso antes de gastar todo o dinheiro que foi investido aqui”, desabafa Elisângela, resaltando que criou a página há um mês, tempo em que a Unidade começou a ser invadida e depredada por vândalos. “Até então, os moradores é quem sondavam o local. Vínhamos sempre dar uma olhada. Fizemos isso por uns três anos, trabalho que não é nosso. Devia ter um vigia aqui. Depois que o imóvel começou a ser invadido ninguém mais veio. Tudo o que eles podem roubar ou quebrar aqui eles quebram”.

Elisângela também pondera que, às 22 horas, todos os moradores próximos à obra municipal abandonada fecham suas casas por medo. “Ninguém sabe o que pode sair daí de dentro. O que mais existe hoje são pessoas de má fé. O que deveria ser benefício, agora apresenta perigo. A Prefeitura tem de tomar alguma providência”, insiste a líder comunitária.

Já a moradora Fabiana de Cássia Tomé, 32 anos, destaca a situação como um desperdício de dinheiro. “Está tudo abandonado. Isso deveria ser uma utilidade para nós e muito bem vinda. Agora, ela está aqui, jogada. Além disso, o prédio virou depósito de entulho e foco de dengue”, reforça. Segundo ela, o único atendimento próximo ao bairro é a Unidade Básica de Saúde da Vila Helena.”Lá a gente entra às 10 e sai às 16 horas sem atendimento, porque não tem médico. Eles nos transferem, então, para o PA (Pronto Atendimento), porque ali também não tem estrutura”, conta Fabiana, completando que a UBS da Vila Helena vive constantemente lotada igualmente. “Eles não oferecem primeiros socorros e muito menos atende toda a demanda do bairro. É um absurdo!”, desabafa.

DRENAGEM DO GÁS COMBUSTÍVEL DO SUBSOLO – Procurada pela reportagem, a Prefeitura esclareceu, no final da tarde de ontem, por outro lado, que tanto a Oficina do Saber, como a Unidade Básica de Saúde construidas no Jardim Rodrigo foram edificadas em área contaminada por gás metano por ter recebido, entre 1998 e 2002, entulho (inertes) e lixo doméstico clandestinamente. Os prédios foram licitados em 2011 e as obras começaram no mesmo ano. Segundo a Secretaria Mobilidade, Desenvolvimento Urbano e Obras, para que as unidades entrem em funcionamento é necessária a drenagem do gás combustível no subsolo. Nesse sentido, a Prefeitura contratou empresa que já diagnosticou a situação e emitiu laudo que também aponta as medidas a serem tomadas. Atualmente, a Administração Municipal está contratando os serviços de drenagem para eliminar os gases, sendo que o edital para essa licitação já está em fase de elaboração. “Porém, não inexiste previsão de quando a drenagem será concluída. Será necessário abrir valas e postos de monitoramento”.

Ainda de acordo com nota da Prefeitura, a Oficina do Saber do Jardim Rodrigo consumiu quase R$ 1,7 milhão e a UBS, mais R$ 2,1 milhões. A Prefeitura adiantou ainda que designou um vigia para o local, bem como está intensificando patrulhamentos preventivos por meio da Guarda Civil Municipal.

Fonte: Jornal Diário de Sorocaba

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