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Interrogado na tarde de ontem pela comissão parlamentar de inquérito que investiga problemas na merenda, o proprietário da empresa que fornece as refeições nas escolas sorocabanas, Emilio Maioli Bueno, reconheceu ter enfrentado problemas no município durante o início do segundo semestre e, após relatos de vereadores e populares de que parte dos problemas continuam, declarou que ampliará a fiscalização.

“Vou ter mais fiscalização em cima disso; é a única coisa que posso fazer, tenho centenas de fornecedores”, disse Bueno, diretor da ERJ Administração e Restaurantes. Ele foi interrogado pelos vereadores José Crespo (DEM), Anselmo Neto (PP), Luis Santos (Pros), Fernando Dini (PMDB), Marinho Marte (PPS), Carlos Leite e Izídio de Brito (ambos do PT).

Durante a sessão, o presidente da CPI, José Crespo, apresentou ao empresário denúncia feita há um mês por professoras da Apae de Sorocaba, com uma foto de carne cuja embalagem constava que era patinho, mas tratava-se de um produto moído e esbranquiçado, aparentando haver muita gordura. O empresário Emílio Bueno disse que o departamento de qualidade da ERJ deveria ter rejeitado o produto quando o mesmo chegou. Quando aberto o microfone aos presentes, um representante do Sindicato dos Trabalhadores em Refeições de Sorocaba e Região (SindRefeições), Thiago Bercio, declarou que quando o alimento chega na escola não há a possibilidade de rejeitar, porque ele é entregue em um dia para ser servido aos alunos no outro. Segundo Bercio, se o responsável pela escola recusa, fica sem o alimento para preparar.

O mesmo representante sindical também reclamou da constante oferta de pão com salsicha durante vários dias seguidos. segundo ele, os estudantes adolescentes com 15 ou 16 anos que se alimentam com esse lanche, em pouco tempo estão famintos. O vereador Crespo falou de outra denúncia enviada no dia 21 de novembro por uma professora da rede municipal de ensino. Ela apontava que estudantes com receitas médicas que restringem a alimentação, como as que sofrem com diabetes, celíacos, intolerância à lactose ou glúten, têm apenas suco de soja para se alimentar. “Eu acho que está faltando da minha empresa um posicionamento mais forte”, disse o diretor da ERJ.

Também foi questionado sobre as questões trabalhistas que atrasaram os salários de merendeiras, deixando-as ainda sem vales-transporte. O empresário disse que esse foi um problema enfrentado no início do segundo semestre e que foi resolvido. Emílio Bueno confirmou ser sócio de 14 empresas, uma delas que atua com merenda no Chile. O vereador Crespo falou que havia um processo de despejo contra a empresa no Fórum de Sorocaba. Emilio Bueno respondeu que houve negociação com o proprietário do imóvel e o processo foi arquivado.

Relação com a J. Coan

O vereador Crespo fez diversas perguntas sobre a estrutura societária e da administração da ERJ. Emilio Bueno enfatizou que a empresa não tem nenhum vínculo com a J. Coan, contratada por Sorocaba anteriormente e investigada sobre supostas formações de cartel. Segundo o diretor, as duas empresas fazem parte da mesma holding, a Coroa Participações, da qual ele também foi sócio há meses atrás, mas que não haveria ligação entre a ERJ e a J Coan.

O administrador disse também que os empresários Geraldo e Valdomiro Coan nunca foram sócios da ERJ. De acordo com ele, seus nomes estão ligados apenas em uma discussão societária relativa à empresa J. Coan na Câmara Arbitral de Comércio Brasil-Canadá. Negou que a ERJ tenha sido criada para “livrar a barra” da J. Coan, que estava sendo investigada.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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