Tags

, ,

Uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e uma escola de período integral que estão prontos, mas nunca foram inaugurados, agora são saqueados e vandalizados no bairro Jardim Rodrigo, na região da Vila Helena.

As unidades foram prometidas para começarem a funcionar há dois anos, mas deixaram de ser entregues à população porque foram construídas em área suspeita de contaminação de gases explosivos.

No passado o local abrigou um aterro clandestino de lixo. Do prédio novinho da futura UBS já foram destruídos vidros e furtadas diversas válvulas para descarga de banheiro, registros de parede, extintores e equipamentos elétricos.

A Prefeitura continua sem a previsão de quando resolverá a situação da possível concentração de gases no subsolo, o que permitiria inaugurar os dois prédios. No momento o município mantém um processo de concorrência para a contratação da empresa que vai avaliar o subsolo.

O complexo está situado na esquina das ruas Emilia Faros Marins e Alpheu Castro Santos e o seu abandono revolta as famílias que residem nas proximidades. Denunciam que o local é usado para o consumo de entorpecentes, relações sexuais, inclusive com menores de idade, e recentemente, os prédios sofrem saques, com a retirada de equipamentos de para-raio, perfis de alumínio de portas e janelas, além da destruição de vidros e pixações com incentivos ao consumo de maconha.

A versão da Prefeitura é que a Guarda Civil Municipal (GCM) tem feito o patrulhamento rotineiro no local e que vai intensificar suas ações para inibir tais ocorrências, inclusive, utilizando a inteligência da corporação. Os vizinhos também alegam que tentam inibir o saques acionando a Polícia Militar e simulando filmagens dos jovens frequentadores, para desestimular as invasões.

A aposentada Maria Luiza Bezerra, 61 anos, que já lamentava a falta de funcionamento, agora reclama que a Prefeitura está deixando que destruam as instalações novas e que nunca foram usadas.

Ela sofre com problemas de saúde e queixa-se que como também tem osteoporose deixa de frequentar o posto de saúde mais próximo, enquanto poderia utilizar a unidade construída no bairro, mas que ainda não funciona.

Também conta que a família paga R$ 120 mensalmente para o transporte da neta até a escola, enquanto a mesma poderia ter conseguido uma vaga no prédio pronto em frente à sua residência. O imóvel da Oficina do Saber tem mil metros quadrados construídos e a da UBS, 1,2 mil m2.

Outro vizinho inconformado com a situação é o cabeleireiro Leonardo Nunes, 40 anos. Ele conta que no espaço onde deveriam ser prestados serviços de saúde e educação atualmente é utilizado para jovens usarem drogas e para relações sexuais.

“É um descaso com o dinheiro público, pagamos impostos e fica tudo abandonado”, reclamou Nunes que tem criança e adolescente na família. Enfatiza que ao invés de atender às famílias, o espaço está gerando insegurança.

“Vem moça bonita, de cabelo cumprido e shortinho, parece até modelo”, diz uma moradora das imediações. Os vizinhos afirmam que as garotas que lá frequentam vem do próprio bairro e algumas de fora. Não souberam dizer se existe prostituição no local, mas disseram saber do consumo de entorpecentes e relações sexuais.

A Prefeitura não divulgou uma previsão de quando começarão os trabalhos de estudo do solo, já que a contratação da empresa depende da conclusão da concorrência pública. E a empresa que for contratada não vai realizar a descontaminação do local.

Caso ela detecte tal necessidade, será feita nova licitação para contratar a empresa especializada nesse tipo de serviço. Por enquanto, a concorrência em andamento é para a prestação de serviço técnico especializado de investigação detalhada, avaliação de risco e medidas de intervenção nos imóveis.

Algumas das empresas que tentam ganhar a concorrência com o contrato no valor de R$ 377 mil foram consideradas inaptas pela Prefeitura e recorreram. Os recursos aguardam decisão da Comissão Permanente de Licitações, da Secretaria Municipal da Administração (Sead).

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

Anúncios