Tags

,

Sorocaba passará a contar, entre dezembro deste ano e janeiro de 2015, com mais 20 radares fixos de velocidade, totalizando 70 equipamentos de fiscalização eletrônica que funcionarão, na forma de rodízio, em 160 pontos diferentes.

A ampliação dos locais de monitoramento faz parte do novo contrato firmado entre a Urbes – Trânsito e Transporte e a Splice Indústria, Comércio e Serviço, vencedora da licitação, cujo contrato começa a vigorar a próxima terça-feira.

Os locais que receberão os controladores ainda não foram definidos pela Urbes. A contratação custará, ao ano, um total de R$ 1.154.403, valor 70% maior do que o anterior, que custava R$ 679 mil ao ano.

O aumento, segundo a empresa pública, foi motivado pela ampliação dos pontos de fiscalização, que levou em consideração a ampliação da frota de veículos nos últimos anos e o crescimento da malha urbana, e tem como objetivo reduzir os índices de acidentes de trânsito.

A medida implicará em um aumento de 40% no número de radares e de 23% no número de locais que poderão receber a fiscalização eletrônica.

Atualmente a cidade possui 50 radares, distribuídos de maneira revezada em 130 pontos, que são dotados de infraestrutura para realizar a fiscalização eletrônica.

São 49 ruas e avenidas, cuja velocidade máxima permitida varia entre 40 e 70 quilômetros por hora (km/h).

Com a nova licitação, esses locais poderão ou não ser mantidos, dependendo do estudo técnico que está sendo finalizado pelo setor de engenharia da Urbes.

Independente disso, informa, todas as estruturas para os equipamentos serão substituídas. A empresa tem até 60 dias para finalizar a implantação dos equipamentos.

A última ampliação nos pontos fixos de radar em Sorocaba aconteceu em janeiro de 2010, quando foram implantados 30 novos equipamentos (de 100 para 130), com o funcionamento de 30 novos pontos simultaneamente (de 20 para 50).

Até o final de 2012, Sorocaba também contava com a fiscalização por três radares estáticos (móveis) que operavam em seis pontos da cidade em forma de rodízio.

Por mês, a média mensal de autuação era de 400 multas. Após o fim do contrato com a empresa prestadora de serviço, no entanto, não houve nova licitação.

Excesso de velocidade

O excesso de velocidade é a infração que mais multa na cidade, representando mais da metade do total de infrações registradas.

Entre janeiro e setembro deste ano, segundo dados da Urbes, 53.017 motoristas foram flagrados dirigindo acima do limite permitido nas vias locais, o equivalente a uma média de oito multas emitidas a cada hora por esse motivo. Durante os nove meses, foram cerca de R$ 4,7 milhões arrecadados.

A infração pode ser considerada média (velocidade excedida em até 20%), grave (entre 20 % e 50%) e gravíssima (acima de 50%).

As multas vão de R$ 83,13 (mais quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação), R$ 127,60 (mais cinco pontos) a R$ 574,61 (mais sete pontos e suspensão da permissão para dirigir), respectivamente.

A infração também é responsável por aumentar as chances de acidentes. “O excesso de velocidade, quando não causa, agrava o acidente”, afirma o engenheiro de trânsito Vanderlei Coffani, que acredita que a incidência dessas ocorrências seria maior sem os radares.

Segundo ele, quando a velocidade do veículo dobra, aumentam em quatro vezes a força com que ele pode atingir outro veículo, uma estrutura ou um pedestre. Além disso, o especialista considera o radar um instrumento importante de fiscalização, que deve ser usado em conjunto com as boas condições de tráfego e campanhas educativas.

“Muitas vezes o motorista acredita que pode, por si só, determinar a velocidade adequada para cada local, mas a percepção que ele tem do trânsito não é baseada em estudos e estatísticas, como a do poder público”, ressalta.

Motoristas

Para os motoristas ouvidos pela reportagem do Cruzeiro do Sul, o aumento na quantidade de radares é considerado exagerado. O representante comercial Caio Rodrigo Souza Soares mora em São Paulo, mas viaja a Sorocaba cerca de cinco vezes por mês e conta que já foi multado por exceder a velocidade permitida.

“O limite era 60 km/h e eu passei a 69 km/h, até por não conhecer direito a cidade”, lembra. Ele acredita que a fiscalização é necessária em alguns pontos, porém em determinados casos é mais uma forma de “as prefeituras arrecadarem dinheiro”.

O motorista Joilson Gomes, que depende de sua CNH para trabalhar, conta que nunca recebeu multa por dirigir além do permitido, mas opina que o radar pode confundir os condutores. “O ideal seria ter uma fiscalização maior da polícia e dos agentes de trânsito”, cita. O professor Cícero Araújo concorda e aponta que os radares acabam deixando o trânsito “parado”. “Em alguns locais, o motorista não consegue seguir o limite imposto”, ressalta. Já para a lojista Gisele Hoehni, os equipamentos são importantes para inibir abusos, mas quem dirige corretamente não deve temer. “Se dirige direito, seguindo as regras, não vai ser multado tendo radar ou não”, finaliza.

Rodízio de funcionamento dos radares é feito a cada 90 dias

A localização dos radares fixos de controle de velocidade de Sorocaba é alternada a cada 90 dias. Dessa forma, os atuais 50 equipamentos circulam pelos 130 pontos com infraestruturas para realizar a fiscalização eletrônica na cidade.

O sistema de rodízio adotado será mantido, segundo a Urbes, devido à possibilidade de revezar o monitoramento nas diversas vias mantendo a mesma eficácia, já que para os motoristas “não há diferença entre equipamentos ativos e inativos quando ocorre o respeito aos limites de velocidade”.

Para o engenheiro de trânsito Vanderlei Coffani, o esquema contribui para a redução de custos do poder público com os radares, e dos condutores, com a emissão de uma quantidade menor de multas.

“Esses equipamentos possuem um custo e, com o rodízio, é possível que as prefeituras trabalhem com mais pontos de fiscalização eletrônica e menos radares”, explica o especialista sobre a possibilidade de uma abrangência maior.
Vanderlei reforça ainda a questão educativa, ao afirmar que o motorista tende a respeitar mais a velocidade máxima permitida quando não sabe o local exato em que está sendo monitorado.
“Se ele passa em um ponto de radar mais rápido do que o limite, mas esse radar não está funcionando e ele não é multado, ele pode até fazer isso de novo, depois de alguns meses. Mas se essa estrutura estiver funcionando dessa vez, essa atitude incorreta vai pesar no bolso”, exemplifica.
Os radares fixos são equipamentos eletrônicos compostos de três sensores e uma câmera por faixa de trânsito, além de um medidor.
O sistema pode ser instalado em postes ou estruturas próprias, fiscalizando a via 24 horas por dia.
O dispositivo é acionado quando os sensores instalados no pavimento registram velocidade acima do limite permitido. Instantaneamente, a câmera fotografa esse veículo, informação que é utilizada no processamento das multas.
Além da função de registro das infrações, o sistema armazena informações de contagem do volume e tipo de veículos no tráfego, auxiliando a Urbes no planejamento e gestão do trânsito.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul