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Vitor Lippi (PSDB), candidato a deputado federal mais votado em Sorocaba, assumirá, a partir de 2015, um novo caminho em sua trajetória política.

Ele, que já foi prefeito de Sorocaba por oito anos, secretário de Saúde e vereador em Alumínio e Mairinque, agora pretende focar seus projetos no desenvolvimento regional, aproveitando o gancho da criação da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS).

Um dos projetos que pretende defender é para que o câmpus sorocabano da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) deixe de ser “um braço” da instituição, tornando-se a Universidade Federal de Sorocaba.

Lippi garante que se depender de sua vontade pessoal, não deixará o cargo de parlamentar para se candidatar a prefeito de Sorocaba em 2016, mas diz que isso depende da vontade do partido.

Jornal Cruzeiro do Sul – O senhor conquistou a maioria dos votos em Sorocaba e também em cidades da região, como Alumínio, onde atuou como vereador. O senhor atribui essa expressiva votação aos seus mandatos anteriores?

Vitor Lippi – Eleição é uma informação do eleitor sobre a sua vida. Ninguém consegue entrar numa eleição, como alguém que nunca ninguém viu e ser bem votada. Normalmente são candidatos que entram com algum histórico de participação na vida pública. O meu já tem alguns anos. Sorocaba, por ser centro da região, tem uma importância para outros municípios. É uma cidade visitada com frequência e há uma integração muito grande com as cidades da região. Eu atribuo a isso a boa votação recebida também na região, nas cidades mais próximas.

JCS – Como foi a sua preparação para definir os projetos e a linha de atuação que terá como deputado federal?

Lippi – A minha vida pública não tem sido uma escolha pessoal. As coisas foram acontecendo por conta de convites e necessidades do partido. No ano passado, o governador Geraldo Alckmim me fez o convite para que eu saísse a deputado federal. Eu atendi ao pedido, entendendo que isso era importante para o Estado de São Pauto, para Sorocaba e para a região. Agora começo como deputado federal. Estou fazendo uma agenda e escolhendo alguns temas, conversando com as universidades, com os grandes especialistas do Brasil, com os profissionais da área, para que possa estar preparado para o debate em Brasília e dar alguma contribuição para avanços necessários nas áreas do meio ambiente, inovação tecnológica, desenvolvimento regional, planejamento regional integrado e educação, com algumas propostas inovadoras.

JCS – Os deputados que assumirão no próximo vão atuar com algo novo, que é a Região Metropolitana de Sorocaba. O que o senhor pensa sobre isso?

Lippi – Sem dúvida. Eu entendo que essa é a maior oportunidade para o desenvolvimento de nossa região. Eu tenho uma preocupação tão grande com a Região Metropolitana que, antes de ela ser instituída, nós criamos o Nuplan (Núcleo de Planejamento Regional) aqui em Sorocaba. Era um grupo de técnicos levantando, junto com as universidades, as informações da região, as propostas para um conselho de prefeitos. A Região Metropolitana funciona semelhantemente a isso. Então eu acredito muito na Região Metropolitana e espero estar participando das reuniões e do desenvolvimento das propostas ali desenvolvidas. Acho que essa é uma oportunidade ímpar e uma prioridade absoluta da minha atuação parlamentar acompanhar e contribuir para a Região Metropolitana.

JCS – Quais são os outros projetos que o senhor pretende trabalhar como deputado federal?

Lippi – Entendo que uma forma de melhorar o planejamento no País é direcionar o trabalho das universidades para o desenvolvimento regional. Outra questão importante para a melhoria da qualidade da gestão pública é ter uma escola de prefeitos. A pessoa é eleita prefeito porque é um líder comunitário, um líder sindical, ou é uma pessoa muito bem quista na cidade, que se destaca, tem uma boa oratória. Mas, na grande maioria das vezes, não teve uma preparação. Se ele tiver um curso para atuar como prefeito, vai ajudá-lo muito a ter melhores resultados. Ensinar a fazer planejamento estratégico, ou seja, como usar ferramentas de gestão para modernizar a gestão pública, que é fundamental para as empresas e indústrias do mundo; aprender a fazer gestão financeira, ou seja, como é que ele pode usar bem os recursos públicos, onde é que ele pode economizar, quais são os limites legais, como é que ele consegue recursos para investir no municípios, quais as soluções financeiras do município. Outro tema importante na questão ambiental são as mudanças climáticas. Estamos num período de mudanças por conta do problema do carbono e precisamos aprender a trabalhar melhor com isso. Temos a questão do lixo. Aquele lixo que na verdade não é lixo, que precisa ser separado para ser reutilizado e gerar renda. E também o lixo orgânico, que hoje vai para um aterro sanitário, que acaba fazendo com que uma parte da cidade enfrente um grande problema ambiental, de chorume e contaminação dos lençóis freáticos. Nós precisamos ter uma solução mais inteligente e, certamente, essa solução é a geração de energia. É uma agenda que já existe no exterior e ainda não existe no Brasil. É algo que gostaria de conhecer melhor, para poder incentivar o Brasil a usar mais essas tecnologias. Outra questão é dos egressos do sistema prisional. Nós temos que ter um trabalho social, de inclusão mais efetivo. Tivemos a experiência em Sorocaba da cooperativa de egressos, onde eles têm apoio para se recuperarem emocionalmente, fazem cursos de qualificação profissional, recebem remuneração pelo trabalho prestado ao município, e depois conseguem outro emprego no mercado de trabalho. Temos também que repensar os presídios brasileiros, que são terríveis. Acho que deveriam ser cadeias indústrias, onde eles estivessem produzindo, aprendendo uma profissão, fazendo com que aquele tempo ocioso se transformasse em tempo de trabalho. Outro tema fundamental é a Universidade Federal de Sorocaba. Hoje temos a UFSCar, que nós trabalhamos bastante para trazê-la a Sorocaba e sou muito grato à reitoria e diretoria da universidade. A implantação aconteceu há quase 10 anos e agora estamos em outro momento. Entendo que ela deveria ter um novo status, deixando de ser apenas um braço da Universidade de São Carlos e se transformar em Universidade de Sorocaba, ter sua autonomia, identidade regional, sua força política local, o apoio da sociedade sorocabana, fazendo com que a tomada de decisão seja local. Essa também será uma das importantes bandeiras do meu trabalho parlamentar.

JCS – Caso o atual prefeito Antonio Carlos Pannunzio resolva não se candidatar à reeleição, o senhor vê a possibilidade de deixar o cargo de deputado federal para concorrer novamente a prefeito de Sorocaba?

Lippi – Eu ouvi que havia o interesse dele em dar continuidade ao trabalho e eu tenho certeza que o partido vai respeitar o direito que ele tem. Naturalmente que isso é uma discussão do partido. Nós queremos trabalhar em harmonia, e acho que é assim que a gente consegue um melhor resultado e fazer com que cada um dê sua contribuição. Nesse momento, eu fui convocado a dar minha contribuição como deputado federal e estou me preparando para isso.

JCS – Mas o senhor gostaria de ser prefeito de Sorocaba novamente?

Lippi – Isso não faz parte do meu desejo pessoal. Foi uma boa fase da minha vida, mas muito difícil. Passei por um desgaste político, problemas com o Tribunal de Contas, o que é normal. Você faz milhares de licitações e às vezes o Tribunal de Contas não concorda com detalhes das licitações, coisas formais e administrativas. Você termina a administração e aí tem que responder por aquilo. Sob o ponto de vista pessoal, é muito trabalhoso. As pessoas que sabem das dificuldades que os prefeitos passam, sabem que é uma das atividades mais ingratas que um homem público pode ter. Por outro lado, você pode realizar coisas importantes, dar soluções para a cidade. Eu avalio minha experiência como prefeito como positiva, bem avaliada pela população. Mas eu não vejo isso como uma necessidade pessoal minha. Acho que consigo ser um bom deputado federal, dando uma boa contribuição para a nossa região, para temas importantes do Brasil. A cidade está bem conduzida, com políticas públicas adequadas, um governo sério, comprometido com um desenvolvimento sustentável. Não há nenhum conflito político. O partido está unido e não tem nenhum motivo para nós quebrarmos essa harmonia necessária para o partido.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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