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Eleita para o seu quarto mandato na Assembleia Legislativa como a candidata a deputada estadual mais votada na cidade, como 120.308 votos, Maria Lúcia Amary (PSDB) afirma que atuará para a efetivação da Região Metropolitana de Sorocaba.

O primeiro passo nesta direção foi a inclusão da previsão de recursos para a criação de um fundo próprio para a região no orçamento de 2015.

Agora ela garante que pretende pressionar para que a votação do projeto de lei que cria a autarquia e o Conselho Deliberativo aconteça ainda nesta ano.

Outra questão apontada como prioritária pela deputada é a agilização da execução do projeto que prevê o transporte ferroviário entre Sorocaba e São Paulo. Parado na Secretaria de Transportes Metropolitanos há pelo menos dez meses, o projeto teria como proposta inicial a instalação até 2018. “Vamos lutar para acelerar isso”, diz. Apesar de ter o seu nome já cotado entre os possíveis candidatos a prefeito de Sorocaba, Maria Lúcia, que também responde como presidente do PSDB, diz que não pretende abrir mão da sua cadeira da Assembleia e defende a criação de novas lideranças no partido.

Leia abaixo a íntegra da entrevista que Maria Lúcia Amary concedeu ao Cruzeiro do Sul, em visita à redação.

Jornal Cruzeiro do Sul – A senhora assumirá em 2015 o seu quarto mandato na Assembleia Legislativa como a candidata mais votada em Sorocaba. Quais serão as suas prioridades para os próximos quatro anos?

Maria Lúcia Amary – A Região Metropolitana de Sorocaba passou a ser uma realidade agora que foi sancionada. Não é só um trabalho na Assembleia no sentido de legislar, mas tem se pensar e trabalhar agora de uma forma coletiva, envolvendo toda a região. Tudo o que for discutido em relação à mobilidade urbana, à saúde ou aterros sanitários deverá ser feito coletivamente. Um das coisas que precisa ser atacada é a questão do resgate da ferrovia. O projeto está previsto para 2018 e nós temos que trabalhar para antecipar. Existe um gargalo muito grande no sistema viário e isso está se refletindo numa série de situações e em vários setores. Então temos que fazer uma trabalho de pressão para que o projeto seja antecipado e possa virar uma realidade antes de 2018.

JCS – O projeto para a implantação do transporte ferroviário entre Sorocaba e São Paulo está parado há quase dez meses. Por que essa morosidade em relação à sua execução?

Maria Lúcia – Eu tenho acompanhado bem de perto essa questão na Secretaria de Transportes Metropolitanos e algumas mudanças foram necessárias no projeto, como de rotas, devido a situações técnicas e parte do projeto teve que ser refeito. Por isso acabou atrasando.

JCS – Não há o risco desse projeto não sair do papel?

Maria Lúcia – Não existe esse risco. Vai ser realidade, vai acontecer. Aliás, a pior tragédia do Brasil foi desativar a malha ferroviária. Qualquer país desenvolvido se utiliza desse sistema, que dispõe de energia limpa, ajuda a desafogar o trânsito e encurtas distâncias. Essa é a grande saída para os problemas que estamos vivendo, não apenas na entrada e saída de Sorocaba, mas também de São Paulo. Esse trem facilitaria muito e mudaria o perfil do transporte.

JCS – Outra questão viária na região é a duplicação da SP-264, que depois de um longo processo licitatório teve as obras interrompidas pelo abandono por parte da empreiteira, sendo que o Governo do Estado levou mais de três meses para contratar uma nova empresa. O governo não poderia ter sido mais ágil nessa questão?

Maria Lúcia – Também acompanhei isso muito de perto. Quando a Gomes Lourenço ganhou a concorrência, nós conversamos com a Secretaria de Transporte sobre o risco que corriam, pois a empresa já tinha apresentado problema em Sorocaba (com a suspensão do contrato de prestação de serviço de coleta e destinado do lixo). A Secretaria alegou que se não chamassem a empresa que venceu, por conta dos problemas que tinha, ela iria recorrer e isso ficaria na Justiça um tempo. Então, ela assumiu e em virtude do que já vinha acontecendo teve que parar. Nós pressionamos para que fizesse um acordo para que a segunda empresa assinasse e assumisse as obras. Agora elas já foram retomadas e nós temos acompanhado. O outro trecho está rigorosamente dentro do cronograma.

JCS – Embora a Região Metropolitana de Sorocaba já tenha sido instituída, ainda falta a sua efetivação. O que a senhora pretende fazer para agilizar esse processo e os municípios possam ser beneficiados?

Maria Lúcia – Está indo para a Assembleia o projeto de lei que cria a autarquia e o Conselho de Desenvolvimento. Os prefeitos também já se reuniram para decidir sobre a presidência. Agora temos que acelerar esses projetos que faltam para complementar a Região Metropolitana e ela realmente se efetive.

JCS – Essa atuação também depende de um fundo específico com recursos para a Região Metropolitana. Isso não teria que estar previsto no orçamento para 2015?

Maria Lúcia – Eu fui relatora do orçamento do Estado e inclui essa rubrica do fundo para a Região Metropolitana de Sorocaba que ainda não existia. Não me recordo o valor que foi colocado, mas ela foi aprovada, e já ficará prevista na dotação orçamentária do próximo ano para que não haja nenhuma justificativa para que não se crie o fundo. Por isso é importante a força política da região, pois eu vi que existia essa falha e agora já foi corrigida.

JCS – A senhora acredita que ainda neste ano a Região Metropolitana de Sorocaba passe a existir na prática?

Maria Lúcia – Eu acredito que sim. Vamos ter um curto espaço de tempo, pois além da legislação pertinente, vai entrar também o projeto do orçamento já em novembro. Por isso, eu não sei se vai ser possível concluir por conta das prioridades estabelecidas. Como isso se define através de um colégio de líderes de partidos, não dá para garantir isso. Vamos ter que brigar para estabelecer essa prioridade.

JCS – Entre os projetos já anunciados pelo Governo para Sorocaba e que ainda não se efetivaram está a Rede Lucy Montoro. Como a senhora pretende atuar para que essa unidade realmente seja implantada na cidade?

Maria Lúcia – Eu fui no local do Conjunto Hospitalar e realmente comprovei que a obra não está iniciada, está na fase do alicerce ainda. Essa é uma das questões que temos feito pressão no Governo para que seja realidade. Porque atualmente as pessoas têm que ir para São Paulo. Essa é uma luta que temos que empreender para que acelere essa obra.

JCS – Por que tanto atraso?

Maria Lúcia – Eu não sei explicar o que aconteceu na prática. Mas agora é pressionar para que a coisa aconteça, pois é uma ação importante. Não só do ponto de vista da saúde, mas social também. É uma das ferramentas importantes da saúde, porque aumentou muito o número de pessoas acidentadas e não têm recursos suficientes aqui se não houver a Rede Lucy Montoro para atender essa demanda.

JCS – Apesar das votações expressivas que a senhora conquistou nas últimas eleições, nunca se lançou como candidata a deputada federal. A senhora não almeja chegar à Câmara Federal?

Maria Lúcia – Eu acho que na Assembleia Legislativa, como deputada estadual, fico mais perto do meu trabalho. A Câmara Federal é importante, mas particularmente eu gosto de ficar perto do trabalho que estou executando, perto da região. Se ficasse em Brasília distanciaria. A votação que eu tive até daria para ser eleita como deputada federal, mas nós sempre tivemos candidato a deputado federal e o lógico seria eu sair como estadual. Eu também não tenho essa aspiração, porque eu gosto de ficar perto da região onde estou atuando.

JCS – Nas últimas eleições municipais, o nome da senhora chegou a ser cotado para candidata a prefeita. Nas próximas eleições de 2016 isso pode acontecer?

Maria Lúcia – O meu nome já foi realmente levantado como possível candidata a prefeita e na época eu entendi que só tinha eu como deputada estadual do PSDB na região e continua sendo a mesma coisa. Nós temos a possibilidade de reeleição do atual prefeito (Antonio Carlos Pannunzio), o que vai depender da disposição e vontade dele. Mas acho que o partido tem que criar outras lideranças.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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