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Os candidatos ao Senado não agradaram tanto o eleitor sorocabano quanto para os demais cargos em disputa nesta eleição, já que o percentual de votos brancos e nulos na votação foi o maior registrado e chegou a 26,4%.

Isso significa que 100.718 eleitores, o equivalente a mais de um quarto dos que compareceram às urnas – que foi de 370.733 – optaram por votar em branco ou anular o voto para a escolha ao candidato a senador pelo Estado de São Paulo.

O percentual está acima do registrado nas eleições de 2010, que ficou em 18% e ainda da média estadual registrada neste ano, que foi de 26,2%. O índice também supera o de outros estados, como Rio de Janeiro (23,82%), Rio Grande do Sul (17,82%) e Distrito Federal (14,31%).

Embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não tenha divulgado a média nacional de nulos e brancos para o Senado, a análise dos dados deixa claro um fenômeno que se registrou não apenas em Sorocaba, mas em mais da metade dos Estados, onde pelo menos um de cada cinco votos para senador foi branco ou nulo.

Nas eleições para senador este ano, em Sorocaba, cujo José Serra (PSDB) se elegeu com 150.263 votos, 40.700 eleitores votaram em branco e outros 60.018 optaram por anular o voto. O total de votos em branco e nulo, ainda para efeito de comparação, ficou em 19.034 a menos dos obtidos por todos os outros nove postulantes à vaga.

O segundo maior percentual de votos brancos e nulos em Sorocaba foi registrado para o cargo de deputado estadual, com 23,22% , o que significou um total de 86.082 eleitores que optaram por ambas as possibilidades. Número capaz de eleger mais um deputado estadual com desempenho igual ao do candidato do Psol, Raul Marcelo, que recebeu 47.923.

Em relação ao cargo de deputado federal o percentual de nulos e brancos foi de 18,75%, o que significou em 69.532 votos. Duas vezes e meia o total de votos obtidos por 15 dos 18 postulantes à vaga. Para governador, o percentual de nulos e brancos foi de 17,65%, pouco abaixo do registrado na média estadual que foi de 17,8%, mas acima de várias capitais como Espírito Santo (11,9%), Paraná (9,28%) e Distrito Federal (8,52%). Foram 27.594 votos brancos e outros 37.859 nulos. Já na disputa à presidência da República o índice de nulos e brancos foi o menor, ficando em 11,44%, com 42.425 votos.

Para o cientista políticos João Carlos do Nascimento, os fatores para esse elevado percentual de votos brancos e nulos para o cargo de senador vão desde a forma como as campanhas são feitas até á dificuldade que o eleitor tem de acompanhar o processo legislativo.

“As campanhas de propagandas políticas no rádio e na TV têm a maior parte do tempo voltada para os candidatos a presidente. Isso limita muito que candidatos ao Legislativo ganhem mais visibilidade e apresentem suas propostas aos eleitores, à sociedade.

Fica uma disputa polarizada ao Executivo”, explicou e concluiu: “Mas é inegável que haja um percentual de indecisos e que optaram por votar em branco ou nulo por descontentamento em relação aos candidatos que se apresentaram para concorrer aos respectivos cargos. Diante de um cenário ao qual não lhe agrade, ele prefere não votar em ninguém. É um direito que ele tem, e exerce, como os números apontam.”

O também cientista político da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Pedro Rocha Lemos, compartilha da mesma opinião de Nascimento e vai além ao destacar que, no caso do senador, o índice acaba por ser maior porque o senador é mais distante em relação a um deputado, que costuma frequentar sua base, reforçando sua candidatura.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul