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Em tom de indignação, o presidente da empresa que administra o Parque Tecnológico e ex-prefeito Vitor Lippi (PSDB) rebateu ontem as conclusões do relatório da CPI criada na Câmara para apurar possíveis irregularidades no programa “Sorocaba Total”.

Ele já havia se manifestado por meio de nota, ao Cruzeiro do Sul sobre o assunto, mas esclareceu, entre outras coisas, que o documento que será votado na sessão legislativa de hoje não recomenda que ele devolva dinheiro aos cofres públicos.

“E nem poderia, já que tudo foi feito dentro das normas legais. Nós conduzimos um projeto financiado por um órgão internacional durante quatro anos.

Contratamos uma empresa que auditou todas as etapas do empreendimento rigorosamente.

Logo, só posso entender que o resultado dessa investigação é infundado, absurdo e tem clara motivação política.

Não acredito que esse relatório possa ser aprovada diante de tantas controvérsias e falhas.”

Lippi lembrou que não foi, ao menos, convocado para prestar esclarecimentos na CPI, nem recebeu pedido para encaminhar a documentação que é pública e está à disposição dos interessados.

Ele deverá prestar outros esclarecimentos durante coletiva que concederá amanhã, mas adiantou alguns pontos à reportagem.

Tranquilo e seguro, o ex-prefeito disse que a própria CPI se contradiz, já que, conforme seu relator, Anselmo Neto (PP), não teve tempo de analisar o projeto com o cuidado necessário.

“Como, então, podem concluir que houve lesão ao erário público e que eu terei de restituir valores? Aliás, de quanto é o suposto prejuízo?

Nem isso foi esclarecido. Eles não estão apenas agindo contra mim, mas contra os interesses da cidade. Não se pode usar de tanta leviandade e falta de conhecimento para acusar com o único fim de obter proveito político.

Ademais, com o devido respeito à instituição, o Legislativo pode recomendar que medidas sejam tomadas quando constata alguma irregularidade. Quem determina, se for o caso, é o Judiciário.”

Vitor Lippi também explicou que algumas das etapas do programa não foram executadas por falta de tempo.

“Nós tivemos de fazer cerca de 400 desapropriações, algumas das quais não resultaram em acordos e foram encaminhadas à Justiça, o que é perfeitamente normal.

Ademais, o programa é do governo e o prefeito Pannunzio já disse que deverá concluí-lo. Logo, não há nada de errado.

Estamos falando do maior projeto de melhoria do sistema viário já realizado em Sorocaba.”

O ex-prefeito teme que a repercussão da notícia possa impactar negativamente junto ao Comitê Andino de Fomento (CAF).

“Não é bom para Sorocaba que um organismo internacional saiba que a CPI coloca em xeque um processo que foi caracterizado pela lisura e transparência.

Nada temos a esconder e lamentamos que a Câmara não tenha nos chamado. Infelizmente, parece que fui submetido a um tribunal de exceção, o que não dá para aceitar”.

Ele acrescentou que o CAF considerou empreendimento sorocabano como referência. “O próprio agente financeiro reconheceu a forma correta com que tudo foi feito.”

Lido parcialmente na terça-feira, o texto do relatório da Comissão fala em pedir ressarcimento aos cofres públicos investidos pela Prefeitura em obras que não foram executadas ou tiveram conclusão insatisfatória, mas não atribui essa responsabilidade ao ex-prefeito.

O relator Anselmo Neto destacou que pessoalmente nada tem contra Lippi. O ex-prefeito reafirmou que nenhum serviço deixou de ser executado e que não ocorreram desvios de recursos.

Até por conta do fundo polêmico, a sessão de hoje da Câmara promete ser das mais intensas e prolongadas. Lippi disse estar tranquilo e confiante. “Estou preocupado com o interesse maior do povo sorocabano.

Insisto que tudo foi e será esclarecido tantas vezes quantas sejam necessárias. Não há o que temer.”

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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