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Trabalho sem registro em carteira e falta de alimentação para a equipe que trabalha nas ruas na coleta do lixo em Sorocaba.

As supostas irregularidades trabalhistas estariam sendo praticadas pelo Consórcio Sorocaba Ambiental, que assumiu a coleta do lixo em contrato emergencial com a Prefeitura, segundo afirmam dois ex-funcionários. Motorista há 40 anos, Antonio Luiz de Camargo, de 58 anos, afirmou que foi contratado sem sequer ter sua carteira de trabalho solicitada.

Ricardo Rodrigues Garcia, 27 anos, que trabalhou como coletor de lixo, diz que a empresa não servia alimentação e chegou a pedir comida em uma creche, já que passava o dia coletando lixo sem direito a alimentação ou vale-transporte. Nenhum representante do Consórcio Sorocaba Ambiental atendeu a reportagem para responder as denúncias.

O motorista Antonio Luiz de Camargo diz que começou a trabalhar no dia 24 de dezembro, assinou um documento cuja cópia deixou de ser fornecida a ele e, após três dias de trabalho, o demitiram, sem que nunca tivessem pedido para levar a carteira de trabalho. Camargo diz que a falta de pessoal o obrigou a descer do caminhão e colaborar com os coletores do lixo para que conseguissem despejar o lixo dos contêineres no caminhão, já que são pesados e havia apenas dois coletores no caminhão que dirigia. Afirmou que há mais gente trabalhando sem registro em carteira.

Acrescentou que o peso excessivo que o caminhão tem transportado prejudica a capacidade de frenagem, gerando sérios riscos de acidentes. Segundo ele, os caminhões tipo “toco” chegam a viajar com cerca de 15 toneladas de lixo, enquanto o ideal seria, no máximo, oito toneladas. Camargo declara que, neste momento, o que mais deseja é ser reaceito na empresa, apesar dos problemas que denuncia.

Ricardo Garcia pediu demissão no dia 16 de dezembro, após quatro dias de trabalho. Disse que trabalhava sem alimentar-se porque o Consórcio não ofereceria refeições e, com vergonha de pedir comida para as pessoas na rua, bebia apenas água. Ele afirma que trabalhava cerca de dez horas diárias. Garcia disse que chegou a pedir comida em uma creche em um final de tarde. Segundo ele, com dó, mas sem refeição para o horário, a equipe da creche providenciou uns pedaços de pães com frango. Também reclama que nunca recebeu vale-transporte.

Na segunda-feira ele estava em frente à sede do Consórcio em Sorocaba, que funciona na avenida Victor Andrews, reclamando que havia chegado às 9h e até as 14h ninguém o havia atendido para pagar os dias trabalhados. “Estou aqui no sol, não me atendem, não deixam entrar e nem água posso beber”, afirmava. Tanto Garcia como outros dois funcionários abordados pela reportagem disseram que estão trabalhando com carteira assinada.

Coleta nas ruas 

A coleta nas ruas aparentam ter avançado. Na segunda-feira a reportagem visitou bairros que no final de semana estavam com muito lixo acumulado, como o Jardim Hungarês e o bairro Nova Esperança. No primeiro dia útil desta semana, ainda havia sacos de lixo nas calçadas e contêineres cheios, mas aparentemente em sacos recentemente colocados. Morador do Nova Esperança, o ajudante de pedreiro Alex Gonçalves, de 30 anos, disse que a situação estava melhor do que nos dias anteriores, apesar do conteiner próximo à casa dele estar cheio e com lixo no entorno. Na rua Visconde do Rio Branco, na Vila Jardini, havia reclamações que no final da via coleta continuava sem ser feita há vários dias.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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