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Ao menos 20 coletores de lixo, entre eles várias mulheres, foram trazidos pelo Consórcio Sorocaba Ambiental da cidade de Itatiba, a 117 quilômetros de Sorocaba, para ajudar a colocar em dia a coleta, que continua irregular no município.

Um dos caminhões da empresa Litucera, que compõe o consórcio contratado pela Prefeitura, percorria a Vila Jardini na manhã deste domingo com três mulheres e um homem retirando o lixo das ruas.

Uma delas afirmou que a equipe que já trabalha na coleta em Itatiba está em Sorocaba desde o domingo da semana passada.

A equipe demonstrava habilidade e familiaridade com o serviço e as mulheres inclusive levantavam e viravam com as mãos os contêineres lotados de lixo para despejar nos caminhões, já que os veículos agora em uso não estão equipados com o mecanismo para esvaziar os recipientes.

Atrás do caminhão seguia um veículo VW/Kombi da mesma empresa, com a inscrição “a serviço da Prefeitura de Itatiba”, aparentemente coordenando o serviço, mas em algumas ruas paralelas o lixo deixava de ser coletado. Nenhum representante do Consórcio Sorocaba Ambiental foi encontrado na tarde deste domingo para comentar a situação da coleta na cidade, a vinda dos profissionais “importados” de outros municípios e se está mantido que toda a coleta será regularizada até o dia 1º. Na última sexta-feira, o líder do Consórcio Sorocaba Ambiental, Edson Silva, havia adiantado que para este domingo estava previsto o reforço de 22 caminhões a mais, com equipes de fora. No dia 22 já haviam trazido 18 caminhões extras e no dia 8, mais 21.

Moradores reclamam: Apesar do reforço, o lixo que deixou de ser coletado irritou os moradores na própria Vila Jardini. Alguns reclamavam que tinham recolhido os sacos para os quintais porque o serviço foi anunciado para a noite do último sábado, mas deixou de ser feito.

Já a reação dos contemplados pela coleta chamava a atenção. Com o guarda chuva pendurado no braço esquerdo, uma sacola na mão direita e o andar apressado, apesar de parcialmente prejudicado por um problema no joelho, a pensionista Iracema Macambira, 85 anos, voltava a pé para casa rapidamente na rua Francisco Silva, até que conseguiu alcançar uma das coletoras do lixo e entregou a ela uma nota de R$ 10. “Sempre dei uma gorjeta no final do ano”, declarou.

Na mesma rua, o aposentado Antônio de Camargo Filho, 76 anos, saiu rapidamente pela garagem e conseguiu arremessar para dentro do caminhão a última e pequena sacola com lixo que estava no interior da residência. “Foi um alívio”, disse ele sobre o serviço da coleta.

Explicou que a maior parte do lixo já estava na calçada, mas como o serviço não foi prestado nos últimos três dias e não sabe quando ocorrerá novamente, apressou-se para se livrar do restinho do rejeito que ainda tinha dentro de casa.

A alguns quarteirões dali, na rua João Pessoa, a funcionária pública estadual Cleide Aparecida dos Santos, 65 anos e a irmã Clélia Maria dos Santos, 60 anos, estavam revoltadas porque o caminhão havia passado em todas os demais quarteirões da mesma rua e nas que circundam onde moram, menos no quarteirão da casa delas. Reclamaram que estão seguindo a orientação da Prefeitura para colocar o lixo na rua apenas em dias de coleta, no entanto, quando colocam o lixo na rua o caminhão deixa de passar e quando o guarda no quintal, o caminhão passa sem que haja tempo para levarem até a rua.

Há uma semana com o lixo guardado, Cleide e Clélia jogam cloro nos sacos de detritos para evitar a proliferação de insetos e o mau cheiro, já que se recusam a deixar na calçada em dias sem previsão para a coleta.

Elas contaram que às 18h do sábado haviam colocado o lixo para fora, já que a coleta foi prometida para aquela noite, mas na manhã deste domingo voltaram a levar para o quintal. Recentemente o marido de uma delas colocou dez sacos no interior do próprio carro e saiu percorrendo a cidade, em busca de algum contêiner com espaço para livrar-se dos detritos.

Uma das irmãs disse que viu o prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) em um varejão na avenida General Carneiro no domingo da semana passada por volta das 11 horas.

“Contei até 20 para conseguir me segurar e não ir falar com ele, porque estou muito brava (por causa do problema do lixo) e eu poderia ser grosseira com o prefeito”, declarou.

Afirmou que se tivesse reunido coragem teria questionado se ele considera normal o que está fazendo com a população, já que na opinião dela, a empresa anterior, “bem o mal, não deixava que o lixo ficasse espalhado pela cidade.”

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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