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A empresa Gomes Lourenço, que em novembro perdeu o contrato com a Prefeitura para a coleta do lixo em Sorocaba, está disposta a coletar gratuitamente todo o lixo que se encontra dentro dos aproximadamente 30 mil contêineres que ainda estariam espalhados pela cidade.

A informação é do sócio-diretor da Gomes Lourenço, Carlos Lourenço, que neste sábado divulgou ter oficiado à Prefeitura sobre essa disponibilidade no dia 4 de dezembro e novamente na última sexta-feira.

Segundo Lourenço, a empresa não recebeu qualquer resposta oficial, mas à imprensa o prefeito tem afirmado que essa incumbência é do consórcio que substitui a empresa anterior.

Na tarde deste sábado o Serviço de Comunicação da Prefeitura de Sorocaba confirmou que esse trabalho agora cabe ao Consórcio Sorocaba Ambiental e não à Gomes Lourenço.

O trabalho gratuito da coleta do lixo, segundo Carlos Lourenço, tem dois objetivos: recolher os contêineres que ainda não conseguiram retirar porque encontram-se com lixo no seu interior e entorno e retribuir à população que a aceitou durante os oito anos que executou a coleta em Sorocaba.

Declarou que o interesse nos recipientes é para usá-los em outros municípios que negocia a implantação da coleta mecanizada.

No entanto, ressaltou que precisa do aval da Prefeitura para depositar o lixo que vai tirar de dentro do conteiner no aterro contratado por Sorocaba em Iperó.

A Prefeitura divulga que iniciou neste sábado, por conta própria, o recolhimento dos contêineres.

Coleta prejudicada: Enquanto isso muito bairros da cidade prosseguem com suas ruas tomadas pelo lixo. Os moradores queixam-se que o serviço de coleta é feito apenas nas vias mais amplas da cidade, que servem de corredores para o trânsito, deixando muitas ruas paralelas sem a coleta, como estaria ocorrendo em uma via que cruza a avenida Armando Pannunzio, no bairro Jardim Santa Isabel.

Moradores do condomínio Granja Deolinda reclamam da grande quantidade de lixo estocada na rua, que atrai insetos para as residências.

Segundo o porteiro Fernando Henrique da Silva, a coleta no local foi feita pela última vez no dia 17, ou seja, há ao menos 11 dias, enquanto na avenida Armando Pannunzio houve neste sábado.

Situação pior é enfrentada pelos moradores do bairro Nova Esperança, onde o caminhão de lixo passou várias vezes na noite da sexta-feira, mas fez a coleta nas principais ruas e deixou as transversais com todo o lixo amontoado.

O metalúrgico Edemir Sérgio de Carvalho, morador da rua G, a primeira travessa à direita da avenida 9 de Julho no Nova Esperança, diz que os moradores precisam lavar a rua para que as larvas que saem dos lixos não invadam as residências.

Segundo ele, a coleta não é feita há mais de uma semana, a região está ficando infestada de baratas e na rua dele há inclusive recém-nascidos.

No Jardim Hungarês, onde o serviço de coleta deveria ter sido feito na noite da sexta-feira, na manhã deste sábado  havia lixo acumulado em várias ruas do bairro. Na rua Anton Vargas, os moradores Argeu da Silva César, 63 anos, Santílio Garcia de Lima, 71 anos, e Salvador Antonio de Moraes, 78 anos, disseram que nos 25 anos em que moram naquela mesma via, nunca a viram abandonada ao lixo como agora.

Disseram que ao menos cinco dias o lixo está ficando acumulado e além dos cães, viciados em entorpecente reviram os sacos em busca de algo que possam vender para manter o vício.

Neste sábado, na rua Rodrigues do Prado, na Vila Haro, os moradores bloquearam a via com o montante de lixo acumulado há dias, como um protesto pela falta da coleta.

Contexto: O contrato com a Gomes Lourenço foi rompido unilateralmente pela Prefeitura no final do mês de novembro, depois que a empresa foi proibida de dar a destinação final do lixo no aterro particular da Proactiva Meio Ambiente Brasil, instalado em Iperó.

A proibição ocorreu porque a proprietária do aterro entende que a empresa de coleta tinha dívidas não saldadas com ela, versão contestada pela Gomes Lourenço.

A Prefeitura decretou estado de emergência, contratou o aterro em Iperó para que a Gomes Lourenço continuasse dando destino naquele local e na sequência rompeu o contrato com essa empresa e contratou a Consórcio Sorocaba Ambiental.

A partir da contratação desse consórcio os contêineres que pertencem à Gomes Lourenço começaram a ser retirados e o lixo começou a ficar acumulado devido ao atraso no serviço, provocado principalmente por paralisações de trabalhadores da coleta e quebra de caminhões.

O Consórcio Sorocaba Ambiental pretende regularizar a coleta antes do dia 1º de janeiro. Na edição deste sábado o Cruzeiro do Sul publicou que desde o início da crise na coleta de lixo em Sorocaba, a Prefeitura precisou investir R$ 20,9 milhões do que era previsto nesse serviço, sendo que R$ 16 milhões (76,37%) já foram efetivamente utilizados. A Prefeitura não explicou como os valores foram gastos.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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