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Após quase cinco meses, a Prefeitura de Sorocaba ainda não concluiu a sindicância sobre a falta de médicos pediatras na UPH (Unidade Pré-Hospitalar) da Zona Oeste. O caso foi registrado no mês de agosto, quando dois médicos furaram a escala de trabalho e faltaram ao serviço.

Devido a isto, o tempo de espera para alguns atendimentos chegou a mais de sete horas e muitos pacientes desistiram de esperar, mesmo sem passar por consulta. Houve gritaria, empurra-empurra e, das 16 às 18 horas, interdição da avenida General Carneiro (em frente a UPH), provocando engarrafamento.

O secretário interino de Saúde, João Leandro da Costa Filho, reconhece o atraso e afirma que o resultado não deve sair até o final de janeiro.

A secretária responsável pela sindicância é a de Negócios Jurídicos. “Mesmo que a gente admita a morosidade, os procedimentos administrativos que visam apurar alguma irregularidade, por conta até dos princípios processuais, acabam sendo lentos”.

João Leandro afirma que o processo está na fase de oitiva com os envolvidos. “Não saberia dizer se foi dado um prazo para a conclusão da sindicância, mas geralmente estas datas não são cumpridas, pois é necessário intimar os envolvidos, dar prazos, e por isso a secretaria acaba não conseguindo concluir oitivas no tempo estipulado”, explica.

De acordo com o secretário, o atraso na conclusão do inquérito é justificada pelo excesso de questões a serem analisadas. “Envolve toda uma complexidade.

Não é só o fato ocorrido naquele dia, mas várias outras questões analisadas em conjunto como informações de plantões e atestados médicos”.

Ele garante, entretanto, que os dois pediatras que faltaram no serviço foram punidos com o desconto das horas não trabalhas.

Ministério Público: A sindicância para analisar o caso foi uma orientação do MP (Ministério Público), que também abriu inquérito para investigar a situação e aguarda apenas as conclusões da prefeitura.

João Leandro afirma que a prefeitura vem colaborando com o MP, enviando uma série de documentos ao órgão. Um dos principais pontos é a questão dos atestados médicos. A ideia é evitar abusos por parte dos profissionais da saúde.

“Estamos acompanhando a troca de atestados entre os médicos. É difícil imaginar que ele não tenha em um momento ou outro algum problema de saúde, mas a regra é valida para todos: não pode haver excesso ou abuso dessa possibilidade”.

Medidas: Segundo o secretário, a falta de médicos registrada em agosto e outros episódios envolvendo o sistema de Saúde em Sorocaba forçou a prefeitura a realizar alterações no atendimento, concentrando a pediatria na Zona Oeste e levando os pacientes adultos para a Zona Norte (na avenida Itavuvu).

“É uma forma de se controlar melhor isto. Quando os atendimentos eram mesclados no mesmo local, propiciava essa dificuldade no controle de médicos.

Alguns dias o quadro estava completo de pediatras, mas faltava um clínico. No outro dia acontecia o inverso.

Essas alterações, provocadas por essas situações, evoluíram bastante a qualidade do atendimento na nossa avaliação e acredito que na dos cidadãos usuários também”, afirma.

Fonte: Jornal Ipanema