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Números da superintendência regional da Caixa Econômica Federal em Sorocaba revelam que até o mês de novembro deste ano os recursos disponibilizados para financiamentos de moradias para famílias de baixa renda pelo programa Minha Casa, Minha Vida superaram a marca de R$ 2 bilhões.

Desse total, perto de R$ 700 milhões, o correspondente a 35% do montante, foram alocados na cidade; o restante foi distribuídos aos mais de 40 municípios que ficam dentro da área de influência da instituição.

Comparativamente a 2012, o aumento no volume de negócios, informou o superintendente da CEF, Sandro Valentine, foi da ordem de 40%.

Para se ter ideia do que o valor representa, basta lembrar que a projeção orçamentária de Sorocaba para o próximo ano é de R$ 2,3 bilhões. No intervalo de onze meses foram comercializadas 15 mil unidades, 6 mil das quais em Sorocaba.

O bom momento do setor imobiliário foi comemorado durante confraternização que reuniu empreendedores no último dia 19.

O encontro também serviu para uma avaliação do panorama e para que os participantes fizessem projeções para o ano novo.

Os números relativos a empreendimentos voltados às outras camadas de mutuários (de médio e alto padrão) ainda não foram fechados, mas a expectativa é de que, da mesma forma, tenham chegado a patamares para lá de satisfatórios.

No caso do Minha Casa, Minha Vida, diz Sandro Valentine, os resultados reforçam que o poder de compra das classes menos favorecidas aumentou e, dessa forma, adquirir o imóvel próprio ficou mais fácil.

O perfil dos compradores mudou, de acordo com o superintendente da CEF. Antes, ele explica, o foco era o investimento; agora, compra-se para efetivamente fazer uso.

“As pessoas estão mais voltadas a comprar sua casa própria e garantir a estabilidade, já que as facilidades para aqueles que se enquadram nas regras do programa e têm renda familiar de até três salários mínimos, são muitas e o valor da prestação é compatível”.

O secretário da Habitação do Município, Helio Godoy, destaca que a abertura de novas perspectivas ainda ajuda a reduzir o déficit habitacional.

“Temos hoje uma demanda reprimida de aproximadamente 30 mil moradias. Somente com os contratos fechados em 2012 com o governo federal, conseguiremos reduzir essa defasagem em 20% o que é bastante significativo. Estamos resgatando uma dívida social e assegurando a quem precisa o direito de morar”.

Para 2014, calcula a superintendência da Caixa na cidade, a meta é de que as operações imobiliárias dentro do Minha Casa, Minha Vida cresçam à razão de 16%.

“É uma projeção conservadora, admite Sandro Valentine, mas trabalhamos com essa margem mais realista. Muito provavelmente, e até esperamos que isso aconteça, teremos uma grata surpresa, a exemplo do que ocorre desde que o programa foi adotado”.

Agenda: Para manter a tendência de crescimento, o mercado imobiliário local defende e espera a tomada de medidas que envolvem políticas públicas executadas pelo governo em suas três esferas.

“Vivemos, sim, um bom momento, mas nossa agenda precisa e deve ser priorizada”, argumenta o empresário José Antonio Bolina.

Ele que foi secretário de Urbanismo, aguarda, tanto quanto outros representantes do setor, que o projeto do novo Plano Diretor que está para ser encaminhado à Câmara não crie mecanismos que dificultem a atividade das incorporadoras e construtoras.

“Sabemos da importância de crescer de forma ordenada, mas quer nos parecer que a proposta em discussão tem algumas distorções, exageros até eu diria, que precisariam ser melhor avaliados. Não podemos admitir retrocessos.

Pessoalmente, entendo que não haveria necessidade de revisão do Plano Diretor, mas se isso acontecer que toda a sociedade, não apenas os empresários, se engaje às discussões, participe e apresente sugestões”.

Outro empresário do setor, José Carlos Morais, prevê que 2014 terá como diferencial a expansão dos empreendimentos comerciais.

“Estamos diante de uma realidade que já foi incorporada ao nosso cotidiano, que é a construção de torres onde passarão a funcionar escritórios e outros serviços.

Além disso, deve ganhar impulso a instalação de galpões industriais, sobretudo por conta da intenção do governo municipal, pelo que sabemos, de tentar conter o processo de desindustrialização hoje observado”.

Coincidentemente, a divulgação dos dados que atestam o bom momento do mercado imobiliário acontece quando a Câmara aprovou, debaixo de críticas e numa sessão extraordinária tumultuada, projeto que autoriza os empreendedores que executem projetos habitacionais voltados a famílias de baixa renda, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, a apresentarem como caução o próprio contrato.

“Era uma medida de justiça, até porque extremamente acertada e coerente”, comenta José Carlos Morais. “Talvez muitos não saibam, mas os contratos com a Caixa Econômica Federal estabelecem cautelas que eliminam a possibilidade de risco ou prejuízo ao poder público.

Na realidade, as perdas são suportadas pelos próprios empresários, que se não executarem as obras simplesmente deixam de receber.

Acompanhamos a sessão na qual foi votada a proposta e vimos, com todo o respeito, uma confusão generalizada e uma exploração política deslavada. Comparar o programa da Caixa com as obras públicas paradas é, no mínimo, desconhecimento de causa. Felizmente, o bom senso prevaleceu”.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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