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É cada vez maior o número de jovens que iniciam o próprio negócio em Sorocaba. Atualmente, existem 4.227 jovens empreendedores formalizados na cidade.

Número que representa 23% dos micro empreendedores individuais (MEIs), mas que tende a aumentar nos próximos meses. Somente em novembro, dos 532 negócios que foram legalizados no Espaço Empreendedor, 32% pertenciam a jovens de 18 a 30 anos.

Dificuldade para entrar no mercado de trabalho é o principal motivo que levam eles a empreender. A formação e a falta de conhecimento, no entanto, são os fatores que mais atrapalham seu sucesso.

“As pesquisas demonstram que hoje, de cada 10 jovens, oito declaram que querem ter seu próprio negócio”, revela Roberto Freitas, diretor do Espaço Empreendedor. Segundo ele, atualmente, são dois os motivos que podem levar o jovem a querer empreender.

“Apesar da elevada oferta de empregos existente no Brasil, o jovem tem dificuldade de arrumar seu primeiro emprego”, diz. Outro motivo, destaca Freitas, é a grande exigência do mercado, que paga baixos salários com longas jornadas de trabalho.

“Quem é empreendedor, acha que tem mais capacidade do que aquilo que está prestando dentro da empresa”, completa.

A dificuldade para entrar no mercado de trabalho também é destacada por Alessandra Oliveira, coordenadora do Núcleo do Jovem Empreendedor (NJD), do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

“O ingresso no mercado de trabalho está atrelado a uma experiência anterior, que, muitas vezes, o jovem não tem”, afirma. No entanto, segundo Alessandra, atualmente, as oportunidades são maiores e incitam o jovem a empreender.

“O jovem, hoje em dia, é muito mais livre e muitos empreendem até mesmo por hobby”, conclui.

De acordo com Roberto Freitas, apesar de, atualmente, o jovem sair do ensino superior com vontade de empreender, o Espaço Empreendedor é mais procurado por aqueles que têm apenas o ensino básico.

E muitos são oriundos das classes mais baixas, ele explica. “Geralmente, são pessoas que passam dificuldades, mas querem empreender.” O mesmo revela Alessandra Oliveira.

“Dos jovens empreendedores, apenas 14% tem ensino superior e 30% ainda não concluíram”, afirma. Segundo ela, a falta de conhecimento atrapalha e, mesmo que não tenha o ensino superior, o jovem tem de procurar o conhecimento.

“É preciso buscar a troca de experiências e também conhecer o mercado”, acrescenta a coordenadora do NJE. “Quem não se prepara, tem menos chance de ver o seu negócio dar certo”, complementa Freitas.

Os problemas encontrados pelos jovens, no entanto, não devem ser empecilho para que empreendam, destacam eles.

“O jovem tem de ter coragem, atitude, atrevimento e tem de ter paixão pelo que faz.

Mas, principalmente, ele não deve ter medo de não dar certo”, revela Alessandra. Segundo ela, o jovem não deve iniciar um negócio com medo de não ter sucesso. “Não é vergonha para ninguém não dar certo”, acrescenta.

“Aquele que é realmente empreendedor, qualquer coisa que montar, se for com dedicação, dará certo”, acredita o diretor do Espaço Empreendedor. Segundo ele, a persistência é a característica principal de quem quer empreender.

Jovens: Aos 25 anos, Leonardo Gravito Ferreira abandonou o emprego na indústria para fazer aquilo que queria. Trocou a rotina de funcionário pela liberdade que afirma ter como empreendedor.

“Eu queria ter mais tempo para colocar minhas ideias em prática”, diz. Dois anos depois, faz o que gosta de fazer. Sua afinidade com a área automotiva e a técnica de lavar carros a seco já lhe rendeu uma boa clientela.

“A princípio, as pessoas tinham preconceito com a lavagem a seco, mas isso está mudando”, explica.

Atendendo em domicílio, Leonardo consegue faturar sozinho em torno de R$ 2 mil por mês. Com o negócio formalizado, já conseguiu empréstimo com o Banco do Povo e pretende ampliar seu negócio. “Ainda não investi em propaganda e quero comprar mais suprimentos”, revela.

A pouca idade, por enquanto, impede outro jovem empreendedor de realizar o mesmo que Leonardo. Cleyton Rodrigues, 16, ainda não pôde abrir uma empresa. Mas isso não atrapalha sua vontade de empreender.

Foi quando entregava currículos, no Centro de Sorocaba, que Cleyton entrou em uma loja e viu que, ali, preparavam perfumes.

Quando chegou em casa, pesquisou e descobriu como poderia fazer o mesmo. Comprou tudo o que necessitava e rapidamente fez uma porção. “O primeiro frasco eu dei pro meu pai. Mas os amigos também me incentivaram”, conta.

Com a primeira renda, comprou roupas para o irmão mais novo e uma calça para ele mesmo. Vendendo em torno de 40 perfumes a R$ 20,00, ele consegue ajudar na renda da família. “Eu quero aumentar isso e meu pai vai me ajudar a abrir uma empresa”, finaliza.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul