Tags

, ,

Sem representantes da Prefeitura de Sorocaba, a audiência pública sobre infraestrutura urbana marcada para às 9h de ontem, na Câmara Municipal, foi suspensa.

Dezenas de moradores de diversos bairros da cidade que compareceram ao encontro, além de vereadores e assessores se dirigiram ao 6º andar do Paço Municipal, onde fica o gabinete do prefeito.

A audiência foi proposta pelo vereador Izídio de Brito (PT). A estimativa é de que mais de 50 pessoas caminharam até o Paço Municipal para protestar sobre o que consideraram um descaso.

Segundo o vereador petista, além de convites protocolados pela própria Câmara, foram enviados também ofícios pelo gabinete dele para a participação na audiência. “Eles estão tentando passar a ideia de que nós queimamos etapas, mas nós convocamos audiência, mandamos ofício. Só viemos aqui [no Paço] porque eles não foram lá atender o povo”.

Os munícipes lotaram a recepção e sala de espera do 6º andar, cobrando que alguém do Poder Executivo os atendesse para, pelo menos, anotar as reivindicações.

O assessor técnico da Secretaria de Governo e Segurança Comunitária (SEG), Roberto Montgomery (ex secretário de Segurança Comunitária), foi até os manifestantes para tentar negociar o agendamento de uma data para a conversa.

Houve até um pré-agendamento da reunião para a próxima quarta-feira pela manhã. Porém, a confirmação seria dada depois, já que antes seria verificada a agenda do secretário da SEG, de acordo com Montgomery.

Descontentes, os moradores exigiram data e horário da reunião. Foi sugerido que o vereador Izídio entrasse na ala da secretaria para combinar a conversa, o que inicialmente foi negado e gerou exaltação verbal dos manifestantes.

Após insistência, o vereador foi autorizado a entrar junto ao assessor técnico, porém, a reunião não foi marcada. “Quando eu entrei lá ele [Montgomery] falou com o João Leandro [titular da SEG] e o secretário disse que não ia marcar a data; que só marcaria depois que todos saíssem daqui, porque não acha correto os moradores terem ido ao Paço”, conta Izídio.

Com a concentração de pessoas junto à porta que dá acesso aos gabinetes do prefeito, vice-prefeita e SEG, guardas civis foram chamados para acompanhar a situação.

Os moradores não tentaram qualquer reação física, invasão ou agressão, apenas reclamavam em voz alta do que classificaram como desrespeito por parte da Prefeitura.

Sem qualquer reunião marcada, Izídio afirma que vai comunicar o ocorrido ao presidente da Câmara Municipal, o vereador José Francisco Martinez (PSDB) para pedir providências cabíveis.

O petista também vai estudar possíveis medidas judiciais, como uma representação junto ao Ministério Público. “Consideramos isso um grande desrespeito à população e à Câmara. Foi uma decisão política. O legislativo precisa tomar uma posição em relação à presença de secretários nas nossas votações.

Quando ele precisa [João Leandro] ele vai lá pedir urgência em votação, por exemplo, mas quando não tem interesse para ele, quando é só para a população, não vai”, critica Izídio.

Outro lado: O secretário de Governo, João Leandro da Costa Filho, classificou a atitude do vereador e moradores como grosseira e autoritária.

“A postura do governo é que com faca no pescoço a gente não age, então não marcamos a reunião. Se o vereador tivesse vindo aqui, mesmo sem marcar, de forma respeitosa com um grupo de pessoas, eu os teria recebido, sem dúvidas.

A hora que o vereador entender que é possível conversar ele me liga, fala o que as pessoas querem discutir e nós marcamos um dia”.

João Leandro argumenta que são realizadas diversas audiências públicas e que não há obrigação da Prefeitura em comparecer em todas, apenas um convite.

“Se a Prefeitura entender que o tema é relevante e a ocasião é oportuna, envia um representante, mas a decisão é do Executivo”. O secretário comenta que o tema proposto, Infraestrutura Urbana, é genérico. “Por que eu vou para uma discussão da qual eu nem sei ao certo do que se trata?”, indaga.

Sobre a decisão ser política, ele afirma que todas as ações são políticas, mas que não houve relação com o partido.

O secretário comenta que já recebeu os três vereadores da bancada do PT este ano para audiências em seu gabinete, e que diversos secretários têm participado de audiências propostas pelo partido, desde que com tema específico e relevante.

Manifesto representa pelo menos 20 bairros: Moradores de diversos bairros estiveram na audiência pública na Câmara Municipal para reivindicar melhorias em várias áreas. Seriam pelo menos 20 bairros representados por cerca de 50 pessoas.

Os problemas de infraestrutura urbana, objeto da audiência, vão desde enchentes, passando por interligação de bairros, falta de iluminação pública, asfalto até canalização de córrego.

Para a audiência foram convidadas as secretarias municipais de Obras, Serviços Públicos, Desenvolvimento Social, Governo e Meio Ambiente, assim como as autarquias e outros setores relacionados ao tema da discussão, entre eles: Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Urbes, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, CPFL e Caixa Econômica Federal. Dentre os convidados, apenas a Caixa Econômica Federal enviou representantes.

Moradora do Parque Manchester, a aposentada Vera Luiza Napoliano, 64, ficou decepcionada com a atitude do Executivo.

“É um absurdo não mandarem ninguém. Tem gente que faltou do trabalho, deixou idosos e filhos em casa, enfrentou chuva para nada”.

Vera comenta que os moradores do bairro não suportam mais o mau cheiro de um córrego próximo à rua Clóvis de Campos, além de problemas no trânsito.

Para o presidente da Associação de Amigos de Bairro de Aparecidinha, Ilton Mendonça, a ausência da Prefeitura foi vergonhosa.

“Quando precisa de voto, interessa para eles, mas os moradores eles não ouvem”, reclama. Mendonça diz que o bairro precisa de principalmente de investimentos no trânsito com novas saídas para a Vila Amato, além de asfaltamento de ruas de terra, este último cobrado há quatro anos.

AUDIÊNCIA – Marcada para as 10 horas de ontem, a audiência chegou a ser iniciada no Legislativo. Cerca de 20 minutos depois, o grupo seguiu em direção ao Paço e encheu a sala de espera do sexto andar. Izídio de Brito afirma que diante da ausência de representantes do Executivo, ligou para a Prefeitura e questionou se alguém participaria do encontro e, minutos depois, foi informado que não. Por volta das 11 horas, o assessor técnico, Montgomery, chegou para conversar com o grupo.

“Não estávamos sabendo que viriam aqui e precisamos agendar uma data para fazer atendimento em outro local, de todos ou de representantes.” A data da próxima quarta-feira (27) chegou a ser mencionada.

Izídio e munícipes argumentaram que gostariam de ser atendidos ainda ontem e questionaram diversas vezes sobre a falta de oficiais na audiência. Também mencionaram o secretário João Leandro. “Só estamos aqui porque o Executivo não foi à Câmara.

O João Leandro tem que parar de se fazer de bobo, parar de ser ‘moko’. Vou levar o caso ao Ministério Público (MP) porque o secretário Simões (Educação) também não foi à audiência sobre creches”, disse o vereador.

Ele ainda continuou dizendo que o prefeito Antônio Carlos Pannunzio (PSDB) terá de vir a público se explicar e que a vice, Edith Di Giorgi, saiu pelos fundos.

AGENDAMENTO – Alegando que não saberia responder quanto à data para que os munícipes seriam atendidos, Montgomery entrou para agendar junto com o vereador Izídio.

Do lado de fora de uma porta de vidro jateado, que separa a sala de espera dos corredores e salas do gabinete, foi possível ouvir a discussão acalorada entre os dois. Em meio à conversa, guardas civis municipais (GCM) ficaram posicionados na porta.

“Estão nos fazendo de bobo, nunca fui irônico com alguém”, dizia o vereador. Minutos depois, ele saiu e tentou contato telefônico com o presidente do Legislativo, José Francisco Martinez (PSDB), que não estava na Câmara.

“Me exaltei porque lá dentro não quiseram marcar uma data. Não sou palhaço, foi proposital não terem ido, é decisão política.” Izídio ainda afirmou que, nos corredores, João Leandro é conhecido como o 21º vereador, devido à frequência que comparece à Câmara.

Agora, o petista diz que vai estudar medida judicial e política quanto à presença de secretários no Legislativo e ainda conversar com os pré-candidatos a presidente da Casa a partir do próximo ano, que seriam os vereadores Anselmo Neto (PP), Cláudio do Sorocaba I (PR), José Crespo (DEM) e pastor Luís Santos (PROS).

O vereador Carlos Leite (PT) também compareceu ao sexto andar e em seu discurso ressaltou que o secretário de Governo tem o dever de receber a população e lamentou o ocorrido que, “em hipótese alguma deveria te acontecido”. E arrematou: “É fato para pedir a cabeça dele, para que saia”.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul e Jornal Diário de Sorocaba

Anúncios