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O sorocabano gasta mais com carro do que com casa. Levantamento da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) mostra que de janeiro a outubro os cofres municipais receberam R$ 80,869 milhões relativos ao Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) contra R$ 105,857 milhões de Imposto sobre a Propriedade Veicular (IPVA).

Apesar de ser um tributo estadual com a metade do valor repassado para Sorocaba, o montante pago em IPVA supera em 30,8% o total recolhido em IPTU, tributo municipal que fica na sua totalidade para o município.

Isso é resultado do momento econômico do País e do incentivo à compra de automóveis novos por meio da redução tributária, política adotada pelo Ministério da Fazenda para combater a crise na economia mundial. Programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida e linhas de crédito para compra de imóveis, com juros mais baixo, no médio e longo prazo, podem reduzir essa diferença, avalia o economista e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), Flávio Luciano Fávero.

Se considerado o total arrecadado com o IPVA na cidade, ou seja, R$ 211,714 milhões, a diferença entre o valor recolhido pelos tributos sobe para 161,79%.

Para o secretário da Fazenda de Sorocaba, Aurílio Sérgio Costa Caiado, a diferença também é resultado do baixo valor cobrado em IPTU pelo município.

Esse comportamento arrecadatório é histórico e se repete pelo menos desde 2009 quando o imposto cobrado sobre a propriedade imóvel arrecadado pela Prefeitura até outubro somava R$ 69,464 milhões contra R$ 82,328 milhões em IPVA (valor repassado pelo Estado).

Esse cenário, diz Fávero, também é encontrado em outras cidades e é reflexo do momento econômico do País.

“O acesso ao crédito está mais fácil nos últimos anos e muitas pessoas também estão melhorando de vida. Com isso é natural a aquisição de bens mais caros como um veículo”, comentou o professor.

A compra de um carro, continua, é menos burocrática do que a de um imóvel e a liberação do financiamento é feita com maior facilidade.

A política tributária assumida pelo Brasil para amenizar os efeitos da crise econômica mundial que começou em 2008 também incentivou a renovação da frota com isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) de automóveis novos.

Outra observação do professor é com relação à qualidade do transporte público. Fávero acredita que muitas pessoas acabam comprando um veículo para facilitar a locomoção na cidade. “Aí também falamos das motos.

Os veículos de duas rodas estão ganhando espaço na cidade que cresceu geograficamente durante os últimos anos”, ponderou o professor.

Na casa da dona de casa Maria Angela Prado de Souza são três carros. A família paga um IPTU e três IPVAs. Ela conta que paga cerca de R$ 3 mil no tributo cobrado pela propriedade dos veículos e aproximadamente R$ 1,2 mil pelo imposto da casa.

“Também temos um terreno em Araçoiaba da Serra, mas o que pagamos em imposto lá também não ultrapassa o que gastamos com os carros”, comenta.

Um dos carros é usado pelo marido para ir trabalhar, o outro fica com ela e o outro é dividido entre dois dos três filhos.

O primogênito mora em São Paulo em um apartamento alugado, tem seu próprio carro que é emplacado em Sorocaba.

“Se contarmos o carro do mais velho são quatro veículos em casa. Hoje está muito mais fácil comprar um carro. As condições são mais fáceis do que na nossa época”, analisa a dona de casa.

O estudante André Prado de Souza, 22, filho mais novo da dona de casa, usa um dos carros da família durante a semana.

O veículo é o meio de transporte para a faculdade, para o estágio e até para a academia. O jovem não tem hábito de utilizar ônibus e, assim que tiver condições financeiras, planeja comprar seu próprio veículo.

“Uma casa é algo que se tem que pensar mais, e requer mais condições para adquirir do que um carro”, explica o estudante.

Expectativa ultrapassada: No orçamento municipal, a expectativa de arrecadação com o IPVA era de R$ 105 milhões, valor que foi atingido em outubro, que fechou somando R$ 105,857 milhões recolhidos com o tributo.

“Já atingimos 100% por conta do calendário e da expansão da frota na cidade. Ainda temos novembro e dezembro para somar”, pondera o secretário da Fazenda.

Apesar de se prolongar pelo menos desde 2009, Fávero acredita que essa relação na arrecadação de IPTU e IPVA, no médio e longo prazo, pode se inverter.

“Especificamente em Sorocaba vemos a construção de muitas casas e muitos imóveis comerciais. Isso vai refletir na conta tributária”, diz.

Programas como o Minha Casa Minha Vida e linhas de créditos habitacionais com juros mais baixos podem aumentar, ao longo dos anos, o valor recolhido em IPTU na cidade.

Cidade ganha 2.503 veículos em um mês: Um total de 2.503 novos veículos passaram a circular nas ruas de Sorocaba no último mês de outubro, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Esse número, que compreende os automóveis, caminhões, ônibus e motos emplacados na cidade, é 14,4% maior do que o registrado em setembro, quando 2.188 novos veículos foram comercializados.

Mas se comparado ao mês de outubro do ano passado, esse total atingido em Sorocaba neste ano é 4,7% mais alto, já que, em 2012, foram emplacados 2.391 novos veículos naquele mês.

De acordo com os dados da Fenabrave, os automóveis foram os mais comercializados na cidade, somando 2.100 novos emplacamentos no mês de outubro.

Logo em seguida, estão as motocicletas, com 376 vendidas no período. Totalizaram os emplacamentos de Sorocaba, 24 caminhões e 3 ônibus.

O total só de automóveis registrou um aumento de 19,4% em um mês neste ano, já que foram comercializados 1.759 em setembro e 2.100 em outubro.

Os caminhões tiveram uma queda de 50%, pois foram emplacados 48 em setembro e 24 em outubro. Entre as motos, houve queda de 1,1% nos emplacamentos, passando de 380 em setembro e 376 em julho.

Levando em conta o acumulado deste ano, é possível perceber que houve um aumento de 1,5% na comercialização de novos veículos em Sorocaba.

Entre janeiro e outubro de 2012, 22.178 carros, motos, caminhões e ônibus passaram a circular nas ruas e avenidas da cidade. Já no mesmo período deste ano, um total de 22.517 novos veículos foram emplacados.

Na concessionária SAF, representante da Fiat em Sorocaba, o resultado também seguiu esse bom momento do mercado automotivo da cidade.

De acordo com o gerente comercial, João Barbaresco, a montadora teve um aumento de 8% nas vendas entre setembro e outubro, com a comercialização de 250 carros no mês passado.

“Apesar disso consideramos esse aumento como pequeno, já que estamos com a concessionária em reforma, por isso estamos trabalhando com a metade da estrutura”, relata, se referindo à loja localizada na avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes.

A Fiat ainda possui mais três representantes na cidade, sendo outras duas da SAF e uma da marca Soma Veículos.

Mas Barbaresco analisa que o mercado sorocabano continua aquecido. “O mercado é diferente e o cliente é bastante heterogêneo. Tem muita gente de fora comprando carros por aqui, por trabalharem nas indústrias da cidade.

É um mercado que cresceu e houve a entrada de muitas outras marcas, fazendo uma divisão do mercado.

Hoje os grandes ainda comandam o mercado, mas com outras marcas entrando no mercado, elas acabaram “roubando” um pouco o mercado dos grandes”, diz.

E tudo isso se reflete nos números da Fiat, segundo o gerente da SAF. Ele revela que as vendas registradas de julho a outubro deste ano já superaram em 27% o total de automóveis comercializados no primeiro semestre. Com isso, a expectativa para o fechamento de 2013 é positiva.

“Acho que vai ser um bom fechamento. Os números na cidade não devem ser muito diferentes do que os do ano passado. A não ser que algo de novo no mercado ocorra”, argumenta.

Números nacionais: 
Ao contrário de Sorocaba, a produção de veículos em todo o Brasil caiu 2,5% em outubro, na comparação com setembro. Porém a Fenabrave relata que foi o melhor mês de outubro da história, com a marca de 323,8 mil unidades. No ano, foram produzidos 3,165 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, alta de 12,4% em relação aos dez meses de 2012.

O resultado contrasta com as vendas que, no acumulado, estão 0,7% menores que em igual período do ano passado.

Fábricas e revendas seguem com estoques suficientes para 40 dias de vendas, mesmo nível de setembro, apesar do esforço de vendas realizado pela maioria das fabricantes no mês passado, com feirões e promoções, como juro zero e financiamento em 60 meses.

O número de carros nos pátios de fábricas e lojas passou de 420,7 mil em setembro para 439,7 mil no mês passado.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) espera encerrar o ano com produção recorde de 3,79 milhões de veículos, 11,9% acima de 2012.

Para as vendas, a expectativa é de crescimento de 1% a 2%, entre 3,84 milhões e 3,88 milhões de unidades, o que também seria recorde. Entre executivos do setor, há quem acredite em empate com as 3,8 milhões de unidades vendidas em 2012 ou até queda de 1%

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul