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Depois de duas semanas do alerta feito pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, sobre a necessidade de se encontrar mais doadores de sangue para o Hemonúcleo de Sorocaba, o estoque de sangue voltou para o que é considerado “adequado”, – o que significa que é suficiente para 15 dias.

No entanto, ainda há a preocupação para que continuem sendo feitas as doações para manter o estoque, principalmente para os grupos sanguíneos O positivo, O negativo, A positivo e A negativo.

Frederico Brandão, gerente médico da Associação Beneficente de Coleta de Sangue (Colsan)-Sorocaba, explica que esses quatro tipos de sangue são os mais procurados, pelo fato de o tipo O ser o mais comum na população brasileira.

“Portanto, quanto mais pessoas com esse tipo de sangue, maior estoque é necessário. No caso do tipo A, ele é necessário por ser um sangue raro.” Brandão ainda lembra da atenção maior que deve ser dada durante o final de ano.

“No período em que se aproximam as festas de final de ano, muitas pessoas vão viajar e acabam deixando de doar. Há também nesse período, por conta de acidentes e doenças, uma procura maior.”

A coleta dura cerca de 15 minutos e são recolhidos 450 ml de sangue. A média de doadores na Colsan, em Sorocaba, é de 80 pessoas em dias úteis.

De acordo com a legislação brasileira, pode ser doador toda pessoa saudável, sem distinção de sexo, cor, raça ou condição social, que tiver entre 16 e 67 anos. No caso dos menores de idade, deve haver a autorização dos pais ou responsáveis.

No Brasil, cerca de 3,6 milhões de pessoas doam sangue todos os anos, o que representa 2% da população. Esse número está dentro dos parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A cabeleireira Arlinda Lima, 47 anos, faz parte dessa porcentagem. Ela começou a doar sangue há sete anos, depois de conviver com pessoas que necessitavam desse tipo de ajuda. “Tenho muito medo de agulha, mas venço meu medo para fazer a doação. É um gesto de amor, rápido e que pode salvar muitas vidas. Sempre que puder quero continuar doando sangue.

E também uma forma de saber como está a minha saúde”, afirma referindo-se aos vários exames realizados como triagem para doenças falciforme, hepatite B e C, HIV I e II, Htlv, sífilis e doenças de Chagas, no sangue após a coleta.

Na mesma sala as amigas Adriana Oliveira, 27 anos e Karina Albuquerque, 20 anos, foram pela primeira vez fazer a doação. A mãe de Karina está internada em um hospital da cidade e precisou receber a doação de sangue.

Essa situação estimulou as amigas, a procurar o hemonúcleo. “Ajudar a salvar vidas é sempre algo gratificante. Recomendo para qualquer pessoa”, conta Adriana, bastante emocionada.

Karina também se emociona com a colaboração de sua amiga e com o gesto que pode ajudar as pessoas. “Só nos damos conta da importância de se ajudar quando alguém de nossa família está precisando. Por isso, acredito que todos devam ser doadores. Não esperar acontecer algo para começar a doar.”

No caso, a doação feita pelas duas amigas não será destinada para a mãe de Karina. Brandão explica que quando uma pessoa doa sangue não é reservado em nome de ninguém. “Pode até ser que a mãe dela já tenha recebido sangue, ou ainda vá receber. Mas também pode ser que por coincidência o sangue recebido seja da filha e da amiga.”

Muitas pessoas ignoram, mas ao doar sangue a ajuda não será destinada a apenas uma pessoa. “Até quatro pacientes podem ser beneficiados com o sangue coletado, que é fracionado em plasma, hemácias criprecipitado e plaquetas.”

O plasma é usado em pacientes com problemas de coagulação; o concentrado de hemácias ou glóbulos vermelhos é utilizado no tratamento de anemia; o crioprecipitado é usado no tratamento de coagulação e as plaquetas, nos casos de hemorragia ou nos casos de pacientes que passam por tratamento oncológico.

Como doar:  Para se tornar um doador de sangue é preciso, além de ter entre 16 e 67 anos, ter boas condições de saúde. Pesar no mínimo 50 Kg, evitar o consumo de alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação.

Há os caso onde há impedimentos temporários como aquelas pessoas que estão resfriadas e, portanto, devem aguardar sete dias após o desaparecimento dos sintomas para doar sangue. Mulheres que fizeram parto normal precisam aguardar 90 dias para realizar a doação e aquelas que passaram por cesariana só podem doar depois de 180 dias. Gestantes também não podem realizar a doação.

Deve se sempre respeitar os intervalos para doação. No caso dos homens, a doação pode ser feita a cada 60 dias. Por outro lado, as mulheres devem realizar a doação a cada 90 dias.

Fonte: Notícia publicada na edição de 07/11/13 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 008 do caderno A

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