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O atendimento não hospitalizado aos portadores de distúrbios psicossociais é um notável avanço no campo da psiquiatria.

O avanço dessa política pública de saúde esbarrou, porém, num obstáculo inesperado: o agigantamento, em anos recentes, do número de dependentes químicos, usuários compulsivos de drogas legais, como o álcool, ou ilegais (maconha, cocaína, crack).

Centros de Atenção Psicossocial, como os mantidos pela Prefeitura de Sorocaba, prestam bons serviços no enfrentamento desses problemas durante o horário comercial, de segunda a sexta-feira, em dias úteis.

Mas um grande número de casos de urgência ocorre à noite, nos finais de semana e feriados.

O atendimento inicial, em tais situações, é feito pelo Samu e pelas Unidades Pré-Hospitalares. Ocorre que a atenção aos pacientes não se esgota com a consulta e a medicação.

O atendido deve, no passo seguinte, ser encaminhado a uma unidade de acolhimento, em que terá o atendimento de enfermeiros e técnicos em enfermagem, passando em seguida aos cuidados de uma equipe multidisciplinar.

Para tanto, Sorocaba precisava de um Caps 24 horas, ou seja, um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas 3 (AD3), como o que entregamos à população na sexta-feira.

Operando no sistema acolhimento porta aberta, o Caps 24 horas, instalado na Rua Prof. Júlio Pinto Ferreira, 1.422, esquina com Avenida Angélica, Zona Norte da cidade, ele receberá pacientes sem agendamento prévio ou qualquer outro tipo de barreira, todos os dias do ano, de 7h às 19h. Das 19h às 7h, ali permanecerão usuários já inseridos no processo de tratamento, com indicação de atenção intensiva, supervisionados por equipes de enfermagem.

A montagem e operação de unidade dessa natureza é uma tarefa bastante difícil. Além de instalações adequadas, ela reclama médicos psiquiatras e clínicos e, também, uma ampla equipe de profissionais, compreendendo tanto enfermeiros e psicólogos quanto educadores físicos e sociais.

A Secretaria de Saúde do Município dedicou-se a essa tarefa com grande afinco e agora a população passa a contar com um serviço eficiente e de qualidade, para acolher, supervisionar e tratar os portadores de distúrbios psicossociais e os dependentes químicos com a atenção que todos os seres humanos merecem.

A difusão dos Caps 24 horas faz parte das diretrizes da política de saúde mental do Ministério da Saúde. Este, ainda em 2002, estabeleceu que unidades desse tipo devem existir em todas as cidades com mais de 200 mil habitantes.

Há bons motivos para crer que essa diretriz que, efetivamente aplicada, trará uma grande melhoria no esforço para recuperação dos dependentes químicos, ainda “não pegou”.

Recrutar, capacitar e pôr para funcionar uma equipe multidisciplinar nos moldes sinalizados pelo Ministério, não é coisa simples num país em que tantos municípios sequer conseguem implantar o atendimento médico básico à população.

Além disso, os resultados que se pretende alcançar com o Caps 24 horas reclamam uma permanente supervisão de parte do poder público, para garantir que o programa de atuação da unidade seja efetivamente cumprido.

Isso exige um processo de sintonia fina com vários outros órgãos do sistema público de saúde no município (UPHs, Samu) e de outras áreas, como os centros esportivos.

Concretizar a missão do Caps 24 é um desafio que se renova de instante a instante. Em Sorocaba, acabamos de dar o passo inicial nessa direção e, com a dedicação dos profissionais médicos, da equipe multidisciplinar, dos organismos correlatos e das famílias dos atendidos – cuja participação é importantíssima – esperamos conseguir os avanços desejados na humanização e aumento da eficiência no atendimento àquelas pessoas.

*Artigo publicado pelo jornal Diário de Sorocaba em 13 de outubro de 2013

Fonte: Agência Sorocaba de Notícias

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