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O deputado estadual Hamilton Pereira (PT) foi o mais crítico dos parlamentares sorocabanos com relação à atuação da polícia na manifestação ocorrida anteontem em São Paulo, contra o aumento da tarifa de ônibus.

Para ele, tanto o governo estadual como a Prefeitura de São Paulo – do petista Fernando Haddad – tinham outros meios de atuar no protesto, ao invés de optar pela violência contra manifestantes, jornalistas e pedestres que circulavam pelo local.

Já os deputados Maria Lúcia (PSDB) e Carlos Cezar (PSB) disseram que os exageros foram de ambos os lados e recomendaram punição para policiais que abusaram como também para manifestantes. Os três ressaltaram que o assunto deve ser discutido amplamente na próxima semana na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

A deputada Maria Lúcia criticou a forma como as manifestações foram feitas, ao dizer que num país democrático os movimentos precisam ser pacíficos. “Uma coisa é você manifestar sua insatisfação e outra coisa é você atacar, depredar e agredir.”

Ele destacou que houve excesso por parte dos manifestantes, já que policiais foram agredidos e o episódio se transformou quase que numa guerra civil. Para ela, também houve excesso por parte dos policiais.

“As duas alas precisam ser punidas, os que excederam na manifestação e também a polícia.”

Ela, entretanto, acha que a situação saiu um pouco do controle e será necessária uma participação mais efetiva do governo federal, inclusive do Exército. Nesta semana, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, criticou a manifestação e ofereceu apoio policial ao governo estadual.

Questionada se o diálogo não seria melhor que mais enfrentamento, a deputada lembrou a tentativa frustrada de acordo feita pelo Ministério Público. “É manifestação política e acho que chega um ponto que alguns manifestantes são marginais, bandidos e estão cometendo crimes. Essas imagens estão indo para fora e estamos às vésperas de uma Copa do Mundo. Essa imagem do Brasil que tá indo para fora e tá faltando até amor à pátria.”

O deputado estadual Carlos Cezar (PSB) lamentou os erros de ambos os lados, dos manifestantes e da polícia. Para ele, um movimento precisa ser pacífico e não pode existir dano ao patrimônio público. Por outro lado, alegou a polícia não pode exceder na sua atuação, principalmente com violência.

Para ele, toda ajuda federal é bem-vinda, entretanto é melhor usar a conscientização para que as manifestações sejam mais pacíficas do que direcionar para força policial. “Com certeza esse assunto vai ter discussões bem contundentes na Assembleia a partir de terça-feira.”

O deputado estadual Hamilton Pereira, que é membro da Comissão de Segurança Pública da Alesp, disse que toda manifestação é legítima, ainda mais contra o aumento da tarifa de ônibus e pelo passe livre.

Ele explicou que por ter saído do movimento sindical, jamais irá criticar manifestações como a ocorreu em São Paulo. Hamilton relatou que houve excesso por parte dos manifestantes, entretanto classificou-as como uma minoria praticada por extremistas que se aproveitam da ocasião para causar tumulto.

O petista, entretanto, condenou a ação praticada pela polícia, envolvendo ainda o governo estadual e a Prefeitura de São Paulo.

Para ele, existiam outros meios para atuar, sem que houvesse a necessidade da violência. Hamilton diz que ainda não conseguiu entender quais são as explicações sociológicas para tamanho engajamento visto nas ruas da Capital.

“Acho que as mídias sociais tiveram papel importante e cada pessoa que tava ali foi levada por um descontentamento seu, não só pelo aumento do ônibus”.

Sobre as críticas recebidas por seu partido, o PT, Hamilton disse que nenhum governo é perfeito, já que comete erros e sempre está passível de ser criticado.

Ele explicou que Haddad não irá recuar, tendo em vista que o aumento foi justificado na planilha de custo e mudar de postura agora poderia custar sua governabilidade. Pereira ainda criticou o ministro petista José Eduardo Cardoso, que a seu ver cometeu um equívoco ao oferecer ajuda policial ao Estado.

Para ele, o Exército ou Força Nacional somente são necessários em situações extremas.

Fonte: Notícia publicada na edição de 15/06/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 6 do caderno A

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