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A segunda oitiva sobre a CPI (Comissão de Inquérito Parlamentar) das Obras Atrasadas transformou-se, ontem, em uma verdadeira lavagem de roupa suja.

O ex-prefeito Vitor Lippi (PSDB) voltou a ser ouvido na tarde de ontem pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga 48 obras atrasadas.

Diferentemente da semana passada, quando o ex-prefeito conseguiu usar a sessão para divulgar as obras de seu governo ao ser questionados pelos demais vereadores, ontem as perguntas formuladas pelo presidente da CPI, vereador Caldini Crespo (DEM), motivaram acaloradas discussões e trocas de acusações entre ambos.

Depois de três horas de sessão, às 17h06, Lippi estava em pé, com o dedo em riste, quase tocando em uma das mãos de Crespo, contestando acusação de falta de lisura.

Coube ao vereador Paulo Mendes (PSDB) acalmar o ex-prefeito e ao relator da CPI, vereador Marinho Marte (PPS), manter-se entre Lippi e Crespo para evitar a alguma reação mais enérgica de um deles, cobrando que as perguntas e respostas fossem mais objetivas.

Lippi negou que tenha tido vontade de agredir fisicamente o presidente da CPI, alegando ter ficado em pé porque não poderia ficar sentado ouvindo tantas provocações.

“Eu não posso me calar quando há um questionamento de ordem moral ou uma forma grosseira de deturpar, subestimando a inteligência, lendo uma coisa e falando outra, dando outras interpretações”, reclamou o ex-prefeito, que deixou a Câmara dizendo ser ofendido por Crespo, não só na sessão ontem como nas vezes em que o vereador esteve em emissoras de rádios, em entrevistas para jornais e na tribuna da Câmara.

“Ele sempre quis me desqualificar moralmente e o nosso governo (…) sempre fui muito respeitado por todo mundo, menos por ele”, reclamou Lippi, que também descartou que sua postura tenha sido um revanche.

Alegou entender que os trabalhos como a sessão de ontem faz com que se perca tempo e a credibilidade porque as pessoas assistem a algo que na opinião do ex-prefeito é distorcido.

“Acho que isso não é bom nem para as crianças”, afirmou, lamentando que 5% das 740 obras realizadas em seu governo não foram concluídas. “A cidade não perdeu essas obras, estão sendo entregues”, disse Lippi.

O presidente da CPI, Caldini Crespo, disse que não existem desavenças pessoais da parte dele contra o ex-prefeito, mas que o governo de Lippi foi manchado por muitas falhas administrativas e escândalos e de corrupção como a Operação Pandora. Crespo entende que Lippi é arrogante ao não querer reconhecer que fez um governo muito ruim.

“Até agora não reconhece devido a essa arrogância e porque é pré-candidato e quer enrolar um pouco mais a população para ver se se elege deputado no ano que vem”, declarou Crespo.

E na sequência voltou a atacá-lo, dizendo que fez um péssimo governo, mas é tão bom de marketing que enrola muitos durante algum tempo, mas não todos durante o tempo todo.

“Ele tentou provocar fazendo acusações e maldades contra mim o tempo todo, mas eu disse que sabia que essa demagogia a que ele está acostumado não ia funcionar hoje, eu levei na brincadeira para não entrar no jogo de nível pessoal”, declarou Crespo.

‘Obras Paradas’, mas chame de Crespo x Lippi: Durante os depoimentos, Crespo apresentou documentos que comprovam que a prefeitura estava sendo informada, já em agosto, dos possíveis atrasos, paralisações e abandonos (por empreiteiras) das obras.

O ex-prefeito, por sua vez,  rebateu e classificou a CPI como “descabida” e criada apenas “para criar um fato político na cidade”.

Deixa disso… Num determinado momento, Lippi se levantou e foi até Crespo. Prevendo o pior, o vereador Marinho Marte (MD) ficou entre os dois e evitou  o contato físico entre ambos.

CPI da lavagem de roupa suja: As trocas de farpas se deram durante toda a audiência, que durou cerca de quatro horas.

Em determinado momento, Lippi sentiu-se indignado com “provocações” de Crespo. “O senhor ofendeu a mim, minha família e minha dignidade por muito tempo.” Crespo respondeu dizendo que o ex-prefeito estava indignado por causa das perguntas, mas tinham de ser feitas. No entanto, Lippi alegou que sua indignação faz parte de sua honestidade.

Lippi respondeu às questões do vereador sobre as 48 obras que estão atrasadas na cidade, 34 delas são creches ou escolas. Também foram citadas as obras da nova ponte de Pinheiros, que precisa de uma segunda etapa para a adaptação da avenida Juvenal de Campos, já que a ponte é mais alta que a via. Outra obra muito discutida foi a Bacia de Contenção do Jardim dos Estados, que precisa de outra licitação para que possa ser concluída.

Crespo apresentou documentos que comprovam que a Prefeitura estava sendo informada, já no mês de agosto, dos possíveis atrasos e paralisações das obras, inclusive da construção abandonada pela empreiteira.
Lippi disse que reconhecia que há 48 obras atrasadas iniciadas em sua gestão; mas ressaltou que os atrasos representam apenas 5% das obras entregues. O ex-prefeito voltou a destacar que, apesar do atraso nas obras das creches, aumentou o número de vagas, que vão chegar a 10 mil, e afirmou que as chuvas e a o apagão de mão de obra foram os principais fatores para o atraso das obras.
Crespo contestou a alegação de que as chuvas atrasaram as obras e apresentou dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mostrando que as chuvas em Sorocaba no ano de 2012 não foram mais intensas do que em 2009; também provou que o índice pluviométrico de Sorocaba não é maior que o de outras cidades paulistas.
Lippi alegou que mais importante do que o índice pluviométrico, é o modo como chove. No seu entender, uma grande precipitação concentrada num curto período pode ser menos prejudicial à execução das obras do que chuvas intermitentes por longos períodos. Crespo retrucou que a incidência de chuvas já deveria estar prevista nos projetos, o que evitaria os atrasos.
Ao indagar se era verdade que, no início de 2012, o ex-prefeito prometera entregar uma obra por semana até o final do seu mandato, Crespo suscitou a afirmação de Lippi de que essa promessa foi feita a partir de maio, o que daria quatro obras por mês. “Por sinal, foi o número de obras que entregamos e algumas obras, praticamente prontas, foram inauguradas depois das eleições, por uma questão ética”, afirmou o prefeito, negando qualquer caráter eleitoreiro na execução das obras.
‘POLÊMICAS NORMAIS’: Houve várias críticas entre o presidente da CPI e o depoente, levando o relator Marinho Marte (PPS), por três vezes, a pedir calma ao ex-prefeito Vitor Lippi e ao vereador José Crespo.
Mesmo assim, os trabalhos transcorreram dentro das polêmicas normais de uma CPI, como observou o próprio Crespo, que fez a maioria de suas mais de 100 perguntas previamente programadas.

Vitor Lippi não voltará a ser convocado: Os trabalhos iniciaram-se às 14 horas e, ao término, às 18h20, com a concordância dos demais vereadores, José Crespo ficou de encaminhar o restante das perguntas por escrito para o ex-prefeito, já que os membros da CPI não julgaram necessário convocar novamente o ex-prefeito para prestar novo depoimento. Marinho Marte observou que a maioria das questões não respondidas dizem respeito à atual administração.

Fonte: Notícia publicada na edição de 22/05/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 7 do caderno A, Jornal Diário de Sorocaba e Jornal Bom Dia Sorocaba

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