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Uma ameaça de greve dos coletores de lixo programada para amanhã levou o prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) a decretar estado de emergência em Sorocaba.

O decreto foi anunciado no início da noite de ontem e tem o objetivo de restabelecer os serviços de coleta de lixo na cidade, em razão da possibilidade de paralisação dos funcionários da empresa Gomes Lourenço, responsável pelo serviço.

 

Por meio de nota de sua assessoria, Pannunaio lembrou que esta é a segunda vez neste ano que a Prefeitura decreta estado de emergência – a primeira foi no último dia 7 de março, devido à interrupção dos serviços pela contratada.

“Com o objetivo de não prejudicar a limpeza da cidade e a qualidade de vida da população, a Secretaria de Parcerias (Separ) trabalha até com a hipótese de estabelecer um contrato emergencial para atendimento de 100% de coleta, caso o serviço atual não seja normalizado o mais rápido possível”, informou a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação (Secom) da Prefeitura.

A nota citou também uma preocupação com a dengue, que registrou 453 casos confirmados da doença, o que coloca a cidade perto de uma epidemia: “Além dos problemas inerentes à falha do serviço, os resíduos acumulados são potenciais criadouros dos mosquitos da dengue, podendo assim, proliferar o avanço da doença na cidade.”

A Prefeitura deixou claro que está acompanhando o caso junto ao Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade (Sinetur), por meio de contatos com a sua diretoria, “também preocupada com os direitos dos trabalhadores e o cumprimento das obrigações trabalhistas.”

“A gente espera o profissionalismo da empresa junto ao cumprimento do contrato, para que não sejam necessárias outras medidas, e evitar assim, eventuais prejuízos a população”, afirmou Clebson Ribeiro, secretário de Parcerias da Prefeitura.

Reivindicações: A reportagem tentou contatos ontem à noite com representantes da Gomes Lourenço e a sindicalista Izaudite Sampaio da Silva, diretora do Sinetur, mas sem êxito.

As razões da ameaça de greve foram relatadas por funcionários na garagem da empresa, na avenida Camilo Júlio, Zona Industrial.

Segundo eles, Izaldite esteve na garagem na semana passada para informar que as reivindicações são de 16,5% de aumento salarial e elevação do valor do vale refeição dos atuais R$ 16 por dia para R$ 19 por dia. O piso salarial da categoria é de R$ 820.

Segundo os funcionários, Izaudite informou que a data indicada para a greve seria ontem, mas ela foi adiada para amanhã por causa do feriado de 1º de Maio.

Preocupação: A possibilidade de greve deixou moradores de Sorocaba preocupados. “Preocupa, porque fica muita sujeira, muito lixo, entra no bueiro”, disse uma mulher que se identificou apenas como Vanda, de 53 anos, na rua da Penha. A auxiliar de cobrança Franciele da Rocha, de 19 anos, lembrou do acúmulo de lixo dos períodos de fim de ano para comparar: “Imagine ficar aqui no Centro sem coleta de lixo.” A designer Fátima Calado, de 36 anos, resumiu a preocupação em duas palavras: “Um absurdo.”

A Gomes Lourenço coleta aproximadamente 500 toneladas de lixo por dia em Sorocaba. O lixo é “exportado” para um aterro na cidade vizinha de Iperó, de responsabilidade da empresa Proactiva Meio Ambiente.

Duas empresas classificadas para Gestão de Resíduos: A Prefeitura escolheu a empresa SHS Consultoria para a elaboração do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos.

Duas empresas haviam sido habilitadas, mas por ter apresentado o menor preço, o trabalho foi destinado à SHS.

A decisão consta de edital publicado na edição de ontem do Diário Oficial do Estado (DOE), na página 290.

A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) informou que o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos faz parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), do governo federal, e terá metas para a redução da geração do lixo e para a reciclagem na cidade.

O plano conterá os principais objetivos da PNRS, como a não geração, redução, reutilização e tratamento dos resíduos sólidos; destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos; diminuição do uso dos recursos naturais no processo de produção de novos produtos; intensificação de ações de Educação Ambiental; ampliação da reciclagem; promoção da inclusão social; geração de emprego e renda para os catadores de materiais recicláveis.

Fonte: Notícia publicada na edição de 01/05/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 7 do caderno A

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