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Pesquisa realizada pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi) mostrou que o setor está em “compasso de espera” e parte dos entrevistados não pretende demitir nem contratar durante esse ano.

Outra constatação é que também não há previsão de investimentos expressivos e 84% das empresas pesquisadas não comprarão maquinário nem farão ampliações físicas em abril.

Para o vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Erly Domingues de Syllos, esse cenário é resultado da insegurança dos empresários em investir diante da falta de medidas governamentais que tenham efeito também no longo prazo.

Foram entrevistadas 304 indústrias de micro e pequeno porte, participaram da pesquisa três empresas da cidade de Sorocaba.

A coleta de dados ocorreu entre os dias 11 e 26 de março de 2013. O estudo, realizado periodicamente pelo sindicato, apontou que a concorrência com os produtos importados segue sendo um dos principais entraves para as micro e pequenas indústrias. Para 72% delas, a competição é desfavorável.

“A pesquisa está condizente com a realidade da região também. Era para ser um ano de boas perspectivas, mas não está sendo. Não está tão ruim, mas estamos andando de lado”, ponderou Syllos.

O Simpi, o Instituto de Pesquisas Datafolha, a KPMG e a Universidade Presbiteriana Mackenzie iniciaram um trabalho conjunto, visando a criação de um índice nacional inédito da micro e pequena indústria.

O Datafolha realizará as pesquisas mensalmente. A KPMG fornecerá a visão internacional, com dados e estatísticas.

O Mackenzie realizará estudos nas áreas econômica e jurídica, além de sugestões de políticas focadas na micro e pequena indústria.

Insegurança para investimentos: Para avaliar os investimentos, a pesquisa perguntou sobre compra de máquinas e equipamentos além da realização de reformas e ampliação.

Com relação ao primeiro item, 84% não vão comprar nenhum maquinário em abril.Já reformas e ampliações estão nos planos de 14% das empresas estudadas.

Em fevereiro, apontou o estudo, 10% investiram em máquinas e equipamentos e 7% em reforma e ampliação.

Syllos afirma que o comportamento dos empresários é reflexo da falta de medidas governamentais que garantam segurança no longo prazo. Tendo como exemplo o setor automotivo, o vice-diretor regional do Ciesp lembra da indecisão com relação à continuidade da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis novos.

“O governo segurou a informação até o último minuto para depois falar que vai manter o benefício pelo ano todo”, ponderou o empresário.

Segundo ele, além de redução tributária, o governo deveria editar ações com efeito mais duradouro.

“Se o empresário não sabe como ficará o mercado, fica inseguro para realizar investimentos”, explica. Segundo Syllos, tanto o Ciesp como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mantém a previsão de crescimento industrial para esse ano em 3%.

“Não adiantaria também um crescimento maior pois o Brasil não está preparado para crescer mais, temos muitos gargalos como os que aconteceram no escoamento da produção de soja”, comentou, referindo-se à dificuldade dos caminhões carregados de grãos para chegar ao Porto de Santos.

Instabilidade e incertezas também foram citadas pelo sócio da KPMG, Sebastian Soares.

Ele destaca que o cenário econômico mundial ainda se encontra em fase de incertezas e cercado de previsões que estão embasadas na concretização ou não de uma séria de premissas e a estabilização do processo de deterioração da geração de empregos na zona do euro e reversão do processo deflacionário no Japão.

“Pelas projeções do Fundo Monetário Internacional, estima-se que em 2013 o PIB mundial deverá crescer algo em torno de 3,5% a 3,7% (estimativas essas que inicialmente eram maiores), ainda puxado pela expectativa de um crescimento significativo da China, por volta dos 8%.”

No Brasil, continua Soares, o quadro é agravado com a baixa competitividade dos produtos nacionais frente aos importados, a existência de gargalos relevantes de investimentos em infraestrutura, a vigência de um sistema tributário bastante complexo e cercado de “guerras fiscais” em todas as esferas, taxas de juros que, embora em patamares de baixas históricas, ainda são relativamente altos; dificuldades encontradas pelo Governo para manter as taxas de inflação dentro dos centros da meta e a mão de obra pouco qualificada e extremamente cara.

Todos esses fatores combinados, segundo o especialista, geram uma série de dúvidas ao empresariado brasileiro (independentemente do seu porte ou área de atuação) em suas decisões de contratação, investimentos e expansão dos negócios.

Contratações e demissões: Contratações e a demissões no setor industrial é um dos termômetros da saúde econômica do País. O levantamento do Simpi mostrou que 18% das entrevistadas pretendem abrir vagas em abril, a média pretendia é de criar 3,1 postos de trabalho em cada uma delas.

O fechamento de vagas, por outro lado, foi citado por 8% das indústrias e cada uma estuda a redução de 2,4 empregos cada. Ainda quanto ao nível de emprego, em fevereiro, 12% das empresas contrataram, uma média de 2,7 empregados. No mesmo período, 11% demitiram, uma média de 2,2 funcionários.

No que se refere ao faturamento, 37% dos entrevistados afirmaram que foi ruim ou péssimo em fevereiro de 2013; os custos de produção tiveram aumento na opinião de 46% dos empresários consultados, com matéria prima e insumos apresentando o maior peso (30%), seguidos por mão de obra e salários.

Com relação ao faturamento, 37% do total declararam que foi ruim ou péssimo em fevereiro desse ano, ante 29% que avaliaram como ótimo ou bom.

A expectativa da maioria (56%) é que o faturamento mantenha-se no mesmo nível atual, enquanto 31% acreditam em crescimento moderado.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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