Tags

, ,

O secretário de Relações do Trabalho, Luís Alberto Firmino, foi um dos quatro secretários da administração anterior que foram mantidos na mesma pasta pelo atual prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB). Sem falsa modéstia, Firmino atribui com um dos motivos dessa permanência o desempenho e resultados que obteve em sua Secretaria. Entre essas conquistas está o baixo índice de desemprego registrado no município que, segundo apurado por pesquisa encomendada pela Prefeitura, é de 3% da população economicamente ativa.

Ouça a entrevista: http://www.cruzeirofm.com.br/audios/18012013_jornalismo_firmino.mp3

Ao iniciar sua terceira gestão frente à Secretaria (ele está no cargo desde 2005), Firmino tem como meta intensificar os programas voltados aos micro e pequenos empreendedores, como forma de manter e garantir a competitividade desses novos empresários no mercado de trabalho e também na qualificação de profissionais, como forma de manter os índices de empregabilidade. Ele reconhece que entre os desafios da pasta está a necessidade de fazer com que a população passe a conhecer mais os serviços e programas que já são oferecidos, mas que acabam não beneficiando uma parcela da comunidade por falta de informação.

Outra meta para esta nova gestão será o desenvolvimento de indicadores que possam mensurar os resultados das ações em andamento na cidade, que possam ampliar a capacidade de gestão. Entre as sondagens que deverão ser feitas estão os gargalos do mercado do trabalho e de carência em programas de qualificação, especialmente no setor de serviços. Confira abaixo a íntegra da entrevista concedida pelo por Luís Alberto Firmino ao jornal Cruzeiro do Sul, como parte do projeto realizado em parceria com a rádio Cruzeiro FM (92,3 KHz).

Jornal Cruzeiro do Sul (JCS) – O senhor foi um dos poucos secretários da administração anterior mantido pelo atual prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB). A que o senhor atribui essa permanência frente à Secretaria de Relações do Trabalho?

Luís Alberto Firmino – Eu acredito que é resultado do trabalho e da boa gestão que nós estamos desenvolvendo. Essa decisão foi tomada a partir da análise dele (prefeito Antonio Carlos Pannunzio). É resultado da combinação desses dois fatores, a gestão e a escolha do prefeito.

JCS – O que muda nesta nova gestão?

Firmino – Acredito que haverá alterações. Embora seja uma continuidade, teremos o incremento de algumas ações e programas que pretendemos fazer. Mas a ideia não é que tenhamos grandes modificações, mas que melhoremos no sentido de ampliar nossa capacidade de gestão, de indicadores que vão medir aquilo que estamos fazendo. Porque os melhores resultados que nós podemos ter é quando fazemos o acompanhamento. Não basta dizer vamos fazer, tem que ter a mensuração de resultados. Daí, se nós conseguirmos compreender isso teremos resultados importantes tanto para Sorocaba como para toda a região.

JCS – Quais são os novos programas que o senhor pretende implantar dentro da Secretaria?

Firmino – Nós estamos na fase de planejamento e existem algumas coisas que estamos por concluir, por finalizar. Mas vamos ter alguns incrementos na área do empreendedorismo, na área da própria empregabilidade e também nós vamos melhorar alguma coisa na área da qualificação. Hoje nós temos a Universidade do Trabalhador e Empreendedor de Negócios (Uniten), que já foi uma ampliação, porque antes era Universidade do Trabalhador (Unit), o que fez com que houvesse uma variação e ampliação nos cursos desenvolvidos, bem como nas suas respectivas cargas horárias. Vamos ter uma dinamização desse trabalho também, com vista a atender ainda mais os empresários e a população de Sorocaba.

JCS – Embora Sorocaba seja uma cidade industrial, o setor de serviços é que mais tem se destacado no mercado de trabalho, mas também é um dos segmentos que mais tem carência de profissionais melhor preparados. Como a Prefeitura pretende atuar em relação a qualificação de mão-de-obra para este setor?

Firmino – O que nós estamos fazendo, e é uma coisa que nós também trabalharemos, é uma melhor interlocução entre a necessidade e a oferta. Porque as maiores dificuldades ocorrem, na maioria das vezes, por uma falta de comunicação. Assim como nós conseguimos resolver em grande parte o setor de empregabilidade, nós vamos trabalhar bastante também neste setor de serviços, inclusive vocacionando também a área de empreendedorismo. Então, você consegue com uma sintonia melhor entender o que está acontecendo, ver o que seriam os maiores gargalos no setor de serviços, por exemplo. Nós temos a convicção de que uma melhora nessa conversa melhora também a nossa capacidade de gestão para aquilo que podemos oferecer para esses empresários.

JCS – Houve uma forte ação de incentivo à formalização do trabalhadores autônomos e microempreendedores, mas esse segmento enfrenta uma grande dificuldade de se manter no mercado. A Prefeitura pretende desenvolver um programa voltado para a capacitação desse grupo?

Firmino – Essa é uma preocupação que nós vamos dar continuidade, porque os formalizados precisam de gestão. Nós entendemos que a função do formalizado com o desenvolvimento daquilo que ele já faz. O problema é que às vezes ele faz de uma forma que pode ser melhorada. E é isso que às vezes o cidadão não consegue entender. Aí entramos nós, dando essa assessoria. Nós vamos ter um programa amplo nesse sentido para que esse cidadão possa realmente ganhar o mercado. Essa é uma das tarefas que nós vamos desenvolver, no sentido de melhorar o acesso desse empreendedor no mercado. Isso vai envolver o Espaço Empreendedor, que nós criamos com essa finalidade, de ser uma porta de acesso. Quando o empreendedor chega a nossa pergunta é: o que você faz, como você faz, por que você faz e quanto está custando o que você faz? Porque essas perguntas básicas ele mesmo não sabe. Essa falta de mensura que causa uma dificuldade muito grande no desenvolvimento do processo. Nós entendemos que se pudermos fazer isso, nós vamos dar para esse empreendedor uma condição de serenidade, que é o que a gente precisa enxergar para que não haja a perda do investimento. Às vezes, por trás desse negócio, tem um sonho. Ele não quer ser mais empregado, mas ter o seu próprio negócio. Só que até ele ter o seu próprio negócio, o espaço pode ser grande, porque tudo o que ele tem é só um sonho, uma vontade, um desejo. Isso precisa estar estruturado. Precisa estar dentro de uma situação que seja organizada para que ele tenha o seu avanço. Precisa saber quanto vai custar. Para isso temos uma consultoria e quando não podemos fazer chamamos o Sebrae. Agora estamos ministrando o planejamento estratégico para o pequeno empresário, que já está trabalhando, mas está com dificuldade no caixa, não consegue saber porque não está dando para pagar as contas. Daí orientamos um planejamento, para que ele possa enxergar a pequeno, médio e longo prazo. São questões relacionadas à administração que não difere das grandes empresas. Embora seja numa escala menor, ele tem que começar a enxergar o negócio que começa pequeno, mas que vai crescendo se tiver uma boa capacidade de gestão, de liderança, de desenvolvimento e também enxergar o mercado como o seu próprio desafio, que é novo a cada dia. Porque ele está acostumado a trabalhar numa empresa e ao final do mês receber o salário. O empreendedor não só tem que se preocupar com a sua remuneração, mas também as despesas que ele está tendo com o seu próprio negócio. Esse ambiente às vezes não é muito claro, perceptível para esse cidadão.

JCS – Embora existam programas em andamento, nem sempre a informação chega até o cidadão. O senhor considera que exista um pouco de falta de divulgação sobre os serviços e programas disponibilizados pela administração municipal?

Firmino – No ano passado nós estivemos em mais de 80 eventos buscando divulgar e tornar conhecida essa ferramenta para o empreendedor. Mas acreditamos que precisamos divulgar um pouco mais. Realmente talvez precisamos melhorar a nossa estratégia de ampliar o desenvolvimento das ferramentas de informação para que as pessoas possam efetivamente terem acesso. A gente sabe que às vezes não conseguimos 100% do universo de comunicação e é um desafio grande para todos nós.

JCS – Qual a principal carência hoje do mercado de trabalho em Sorocaba no que se refere a oferta de profissionais?

Firmino – Nós temos alguns setores que estão bem atendidos, como é o caso da indústria, de serviços e do comércio. Talvez precise fazer uma nova avaliação para identificar quais seriam os possíveis gargalos. Hoje a gente acredita que conseguiu vencer em grande parte o desafio daquilo que a indústria vinha nos cobrando, que era evitar que as contratações não acontecem porque não existia mão-de-obra qualificada. O que atualmente ainda pode existir é numa área mais técnica, mais específica, que tenhamos uma dificuldade maior. Mas eu não vejo grandes dificuldades que nós tenhamos hoje. Na medida em que a empresa dispara uma necessidade bastante razoável, ela é atendida.

JCS – Sorocaba tem um baixo índice de desemprego, com apenas 3%, conforme pesquisa divulgada pela própria Prefeitura. O que senhor pretende fazer para que esse índice não venha a crescer? É feito um acompanhamento da empregabilidade no município?

Firmino – Fazemos um acompanhamento mês a mês. Nós fixamos um regime de metas mensais e anuais desde que assumimos a Secretaria. Ela é uma meta um tanto agressiva num primeiro momento, mas também trabalhamos com o cuidado de observar o cenário econômico. Necessariamente o nosso indicador que mede essa avaliação vai perceber se temos ou não condições de manter esse índice baixo de desemprego, que é de 3%, aliado ao ambiente macroeconômico. Sorocaba hoje é importadora e exportadora, estamos globalizados e se nós estamos conectados, uma decisão fora do país pode ter impacto em Sorocaba. Isso pode modificar o nosso indicador e fazer com que a gente tenha uma dificuldade e um revés. Mas no que depende de políticas públicas nós temos procurado nos antever, fazendo com que ações sejam tomadas antes para que nós evitemos que esse número suba, trazendo índice de negatividade para a cidade. Por outro lado, nós temos uma preocupação e um certo cuidado com esse indicador. Porque se por um lado esse é um ambiente bom, mostra a pujança e a riqueza da cidade, por outro lado nós temos a preocupação de que não haja uma dificuldade de atendimento no processo migracional se eventualmente acontecer. Por que se vier mão de obra qualificada de outros lugares isso poderá impactar negativamente a nossa estrutura, porque teremos que olhar escola, a saúde, o transporte, o trânsito e todos os fatores.

JCS – Existem críticas de que as grandes indústrias que têm se instalando em Sorocaba têm importado grande parte dos profissionais. A Prefeitura tem atuado em parceria com esses investidores para que haja o aproveitamento da mão de obra local?

Firmino – A grande parte das contratações é de pessoas de Sorocaba. Esse questionamento tem sido feito, mas grande parte das pessoas que trabalham nessas empresas, principalmente na parte operacional, é de Sorocaba. É claro que toda indústria, não só de Sorocaba, mas de qualquer lugar, quando tem uma nova instalação vêm pessoas para acompanhar e implantar sua metodologia de trabalho. É um procedimento comum. É claro que a gente sempre conversa com a empresa para falar de nosso interesse, mesmo porque trabalhamos por Sorocaba. Sempre cuidamos para que a empresa tenha uma atenção específica para a população da cidade. Lógico que essa é uma preocupação de todas as cidades, de criar políticas públicas de retenção, fazendo com que os trabalhadores fiquem na sua própria cidade. Por isso, quando uma empresa se interessa em vir para Sorocaba, procuramos identificar como isso interessa para a região. Porque dá uma diluída e mantemos o setor regional mais fortalecido e evita o estrangulamento da cidade de Sorocaba. O que a região puder absorver também é importante.

JCS – O Banco do Povo geralmente tem uma demanda menor que o potencial de crédito disponibilizado. O que falta para que a população utilize mais esse linha de financiamento oferecida pelo governo?

Firmino – Sorocaba é hoje a segunda unidade do Estado que mais disponibiliza recursos pelo Banco do Povo. No ano passado nós emprestamos cerca de R$ 1,3 milhão. São diversos pequenos créditos que vão sendo disponibilizados a medida que haja necessidade. Nós entendemos que o empreendedor formalizado tem uma ligação direta com essa disponibilidade de crédito do Banco do Povo. Por isso, nós criamos o programa Apareça e Cresça, em que a gente tenta desmistificar a ideia de que o poder público é apenas punitivo. Às vezes, ele não sabe que pode ter um aporte, pode ter um recurso, que pode incrementar o seu negócio. Temos uma estratégia importante, que devemos trabalhar fortemente neste ano, que é voltada à região da zona norte, a maior de Sorocaba, onde identificamos que existem vários pequenos negócios onde as pessoas talvez não tenham tantas informações sobre o crédito do Banco do Povo. Vamos trabalhar fortemente na comunicação desse serviço.

JCS – Qual o principal desafio que o senhor tem pela frente na atual gestão?

Firmino – O principal desafio será fazer chegar realmente ao trabalhador a informação daquilo que ele tem a sua disposição. Essa é uma grande dificuldade. Nós fizemos uma pesquisa, também em relação à Uniten, que a maioria das pessoas ainda não conhece que pode ter esse serviço. Acredito que a comunicação é a grande ferramenta para que a gente possa fazer chegar na mão do trabalhador essas informações. Também percebemos que as pessoas não lêem jornais, onde são divulgadas essas informações. O próprio munícipe também tem que ser mais pró-ativo em buscar essa informação. Também temos que melhorar a cultura da busca da informação.

Fonte: Notícia publicada na edição de 19/01/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 10 do caderno A